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Crítica: Awake (2021)

Awake Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE AWAKE!!!

Já é mais que certo e sentido que a Netflix tem vindo a investir cada vez mais em conteúdo original. No entanto, tal não implica necessariamente que todas elas sejam a próxima obra-prima do serviço de streamingAwake tinha tudo para dar certo: um conceito bizarro, mas inovador, e contar com Gina Rodriguez, uma das atrizes-revelação em anos recentes, como protagonista num registo diferente do habitual. Infelizmente, e ao contrário do que o seu título possa apresentar, o filme acaba por ser aborrecido o suficiente para conseguir induzir o sono.

Jill é uma ex-militar que trabalha num laboratório universitário, além de vender fármacos fora do prazo de validade para quem interessar. Ao mesmo tempo, esta faz tudo por tudo para poder aproximar-se dos seus filhos, com quem tem uma relação complicada. Num fatídico dia, um pulso eletromagnético destrói todos os aparelhos eletrónicos, mas acaba por surtir um efeito secundário inesperado: as pessoas simplesmente não conseguem dormir. Todos, exceto Matilda, a filha de Jill. Face a uma sociedade cada vez mais à beira da loucura, Jill fará de tudo para garantir a segurança dos seus filhos, antes que os efeitos da falta de sono comecem a fazer-se sentir ainda mais.

Awake Crítica de Cinema

Tal como tinha mencionado acima, Awake conta com um conceito bizarro em si, mas não menos interessante de se ver. Por isso, torna-se impressionante como é que tal é desperdiçado num filme que se pode reduzir como um filme apocalíptico. Em vez de termos os problemas do costume – zombies, doenças, alienígenas, etc. – é-nos apresentado uma versão mais violenta de uma doença que muitos de nós sofre no dia-a-dia. O conceito de insónia como “inimigo” num filme não é tão moderno quanto se possa pensar – aliás, serve de mote para o filme Insomniade Christopher Nolan – e, neste filme, teria um melhor efeito se se tivesse explorado um lado mais psicológico deste mal em geral.

Em vez disso, o filme resume-se meramente a um trio de personagens a ir de um ponto a outro até chegar ao destino, encontrando vários perigos e protegendo aquela que pode muito bem vir a ser a única esperança do mundo. O filme acaba por ser inadvertidamente engraçado pelas piores razões. Não só demonstra uma versão extrema e irrealista de como as pessoas se comportam quando se encontram deprivadas de sono (é mesmo possível ficar-se à beira da loucura por causa disso?), como também não tem nada de relevante para dizer. Existe uma instância no filme em que vemos figuras do clero e da ciência a debater a existência peculiar de Matilda, mas o confronto entre ciência e religião é visto e descartado num curtíssimo espaço de tempo.

Awake Crítica de Cinema

Mas o ponto mais fraco – e que mais dói em Awake – reside na forma como consegue desperdiçar o seu elenco na sua totalidade. Nada contra Gina Rodriguez, já que a atriz já demonstrou as suas capacidades na comédia (basta verem o seu trabalho na série Jane The Virgin) e até não se sai mal quando se aventura em novos géneros. Infelizmente, aqui, a atriz não demonstra qualquer tipo de carisma ou credibilidade para a sua personagem, ou para a sua história em si. E ainda assim, consegue ser razoavelmente competente quando comparada com outros nomes que vão aparecendo em performances igualmente abismais, com Jennifer Jason Leigh a ser claramente o elo mais fraco do filme.

Se procuram um filme para servir de background noise para vos ajudar a dormir mais rapidamente, Awake é o filme ideal para isso. Porque fora isso, o filme não demonstra qualquer valor enquanto produto de entretenimento.

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Título: Awake

Realização: Mark Raso

Elenco: Gina Rodriguez, Shamier Anderson, Frances Fisher, Ariana Greenblatt, Lucius Hoyos, Finn Jones, Jennifer Jason Leigh, Barry Pepper

Duração: 96 minutos

Trailer | Awake

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