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Crítica: To Olivia (2021)

To Olivia Crítica de Cinema

 PODE CONTER SPOILERS DE TO OLIVIA!!!

Quando pensamos nos nossos autores literários favoritos, torna-se mais fácil associar os seus trabalhos às imensas adaptações cinematográficas que tiveram direito ao longo das décadas. Independentemente da qualidade inerente das mesmas, algumas obras transpostas para os ecrãs revelaram um interesse renovado pela literatura. Sem J.R.R. Tolkien, não teríamos a trilogia The Lord of the Rings; sem Stephen King, não teríamos The Shining; sem J.K. Rowling, não teríamos Harry Potter and the Philosopher’s Stoneentre outros tantos (bons) exemplos. Roald Dahl é um escritor que pouca gente poderá reconhecer apenas pelo nome, mas basta lembrar de Charlie and the Chocolate Factory e as nossas mentes fervilham. Pois bem, To Olivia não serve, necessariamente, como um biopic sobre o homem por detrás do autor de inúmeros contos infantis, mas retrata um dos capítulos mais pesados da sua vida.

Roald Dahl e a sua mulher, Patricia Neal, não podiam ser tão diferentes nas suas carreiras – ele, um escritor de contos infantis de sucesso relativo; ela, uma atriz de Hollywood. Ainda assim, ambos conseguiram criar uma relação amorosa, que deu origem a três filhos: Olivia, Tessa e Theo. A dinâmica familiar torna-se alvo de uma das provas mais árduas de qualquer casal quando Olivia falece por causa de sarampo.

To Olivia Crítica de Cinema

Descrever To Olivia como um filme biográfico não faz justiça às suas intenções. Na melhor das hipóteses, “um retrato de uma família ao lidar com uma tragédia” é a melhor descrição possível para este filme. Temos direito a uma visão desta dinâmica familiar que, embora tenha alguns problemas – como o claro favoritismo de Dahl para com Olivia, ou a frustração profissional que assola tanto o escritor como a atriz – tem os seus momentos de felicidade genuína.

É quando a tragédia toma lugar que o filme decide jogar com as cartadas todas, e pela sua grande parte, sai-se bem sucedido, mas apenas em alguns momentos espaçados. Enquanto Patricia tenta manter a família unida dentro das mais variadas adversidades, Dahl resigna-se ao seu trabalho, ao mesmo tempo que se refugia na bebida e no seu trabalho. O filme prepara esta dicotomia de abordagens para alguns confrontos menos amistosos, com as emoções claramente à flor da pele. É claro que tal não seria possível se os atores eleitos para interpretar estas celebridades não estivesse a par da ocasião. Hugh BonnevilleKeeley Hawes são caras conhecidas do pequeno ecrã em performances impressionantes – ele em Downton Abbeyela em Bodyguard – e entregam-se de corpo e alma às suas performances e aos diferentes desafios que lhes são apresentados.

To Olivia Crítica de Cinema

No entanto, To Olivia, apesar das suas intenções de apresentar à audiência uma situação que pode ocorrer no seio familiar, também se revela com bastantes imperfeições. As intenções do realizador/co-guionista John Hay são mais do que claras, e a primeira metade do filme revela-se como o melhor elemento do filme. Ainda assim, não consegue aprofundar um pouco mais sobre os demónios internos que tanto Dahl como Patricia enfrentam (por exemplo, o alcoolismo do autor é mencionado e visto, mas nunca abordado). Também não ajuda que Patricia, mesmo que interpretada por Hawes com uma clara dedicação, seja desperdiçada como uma “típica dona de casa encarregue da sua manutenção”.

A segunda metade – que vê Patricia levar os filhos para Los Angeles para filmar o filme Hud, que lhe valeu o Óscar de Melhor Atriz em 1964 – também não é dos melhores. Fica a ideia de que grande parte da resolução dos problemas do casal poderia ter sido melhor resolvida sem terem de abordar este subplot – que também não está muito bem num aspeto técnico, mostrando as claras limitações do orçamento – mas também a inclusão de Conleth HillSam Heughan como Marty RittPaul Newman, respetivamente, fazem-se sentir mais como extras do que atores a interpretarem figuras conhecidas num contexto de época.

To Olivia Crítica de Cinema

Não obstante estes problemas narrativos e, por vezes, visuais, To Olivia serve de um retrato forte de como um casal lida com uma perda incalculável, independentemente do estatuto social ou profissional em que se encontram. Ajuda que o filme com Bonneville Hawes como protagonistas desta história com teor familiar, mas não menos relevante.

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Título: To Olivia

Realização: John Hay

Elenco: Hugh Bonneville, Keeley Hawes, Darcey Ewart, Isabella Jonsson, Conleth Hill, Sam Heughan

Duração: 99 minutos

Trailer | To Olivia

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