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Crítica: Spiral: From the Book of Saw (2021)

Spiral From the Book of Saw

CONTÉM SPOILERS DE SPIRAL: FROM THE BOOK OF SAW!

Não foi há muito tempo que vimos a saga Saw chegar ao seu inevitável final; e a notícia de um reboot ou sequela também não era propriamente algo que já não esperássemos. Mas, de facto, depois de um início que se tornou um fenómeno de culto, Saw está de volta, ainda que com algumas diferenças. Zeke Banks é um detetive que se depara com uns homicídios estranhos, que recuperam a nostalgia dos lendários assassinatos de Jigsaw, ainda que este novo copycat utilize estranhos símbolos em espiral, e esteja a matar especialmente agentes da autoridade. Zeke pede ajuda ao seu pai, Marcus, enquanto ele e o seu parceiro tentam desvendar quem é a entidade por trás destes homicídios.

Spiral From the Book of Saw

Como se pode ver, a fórmula deste Spiral: From the Book of Saw não diverge muito daquilo que conhecemos deste icónico franchise. Apesar da primeira, dita, “trilogia” cinematográfica até conseguir conquistar com um retrato que se vai vincando na enigmática personagem de Jigsaw, já as restantes sequelas caíram num loop repetitivo tremendamente cansativo e pouco criativo, utilizando o mote das armadilhas para um display de gore (os últimos filmes até ao cinema 3D chegaram) que se tornou vazio e sem um objetivo. Spiral: From the Book of Saw infelizmente é apenas uma tentativa de recuperação de uma nostalgia que… de nostalgia… nada tem. Embora existam esforços dos atores e ver Samuel L. Jackson seja sempre um prazer, esta aposta em trazer de volta o “espírito” destes enigmáticos copycats de Jigsaw já chateia e revela-se uma queda, mais uma vez, para o realizador Darren Lynn Bousman, que prefere o ruído visual (alguns efeitos chegam a ser mesmo penosos) a tentar apostar numa história um pouco mais trabalhada. A verdade é que o filme nunca consegue criar a atmosfera de mistério necessária, fazendo com que o espectador facilmente adivinhe o desenlace e descubra de forma tão simples quem é o dito cujo assassino.

Toda esta carência argumentativa, aliado a um pretensiosismo na elaboração das armadilhas, faz com que Spiral: From the Book of Saw procure continuar a lucrar com algo cuja fórmula foi espremida até ao máximo e cujos frutos acabam por nunca chegar. É baço, sem estímulo, com uma realização preguiçosa, ainda que consiga, nalgumas partes, arrepiar-nos um pouco com a tortura por que as vítimas passam… mas a verdadeira tortura é ainda ser necessário revisitar este franchise que já sucumbiu a uma Hollywood em crise de ideias. O aproveitamento das personagens acaba por não existir, esquecíveis e formulaicas, tal como a química Rock e Jackson acaba por nunca brilhar nem atingir o auge que poderia ter atingido. As pistas que são dadas são quase inexistentes e sente-se que tudo isto é apenas para lucrar com o nome de sucesso que lhe está associado. Basicamente, Spiral é Saw só com umas ligeiras alterações, mas todo o resto é cópia de cópia de cópia de cópia (e vou-me ficar para aqui que não sei quantos filmes já existem do franchise de cor).

Spiral From the Book of Saw

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Título: Espiral: Do Livro de Saw

Título Original: Spiral: From the Book of Saw

Realização: Darren Lynn Bousman

Elenco: Chris Rock, Max Minghella, Samuel L. Jackson, Marisol Nichols, Patrick McManus.

Duração: 93 min.

Trailer | Spiral: From the Book of Saw

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