Cinema Críticas

Crítica: Oslo (2021)

Oslo

CONTÉM SPOILERS DE OSLO!

“We will facilitate, and facilitate… only”

O atual reacendimento do conflito entre a Palestina e Israel em 2021, para além de pesar na instabilidade internacional, levar a perda de vidas e provocar todo um sofrimento generalizado, abre a porta para mais uma tentativa de compreender as origens e a História desta luta armada.

As raízes do conflito entre israelenses e palestinos, sendo parte do contexto maior do conflito árabe-israelense, remontam aos fins do século XIX. Em 1964 os estados árabes estabeleceram a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) como a “única representante legítima do povo palestino”. No filme Oslo podemos assistir aos eventos que levaram às negociações secretas por intermediários e que terminaram no desenvolvimento dos principais acordos de paz de Oslo da década de 1990 entre Israel e a OLP.

Oslo

O filme, que estreou a 29 de Maio na HBO, foi realizado pelo realizador da Broadway, Bartlett Sher, e escrito por J. T. Rogers, com base numa peça de teatro de Rogers. A produção americana começou em 2017 graças a Marc Platt e as filmagens ocorreram em 2020 na cidade de Praga, na República Checa.

Andrew Scott (Fleabag, Black Mirror) e Ruth Wilson (His Dark Materials, The Affair) protagonizam como Terje Rød-Larsen e Mona Juul, respetivamente, o casal que atuando como parte neutra tornou possível a negociação do acordo de Paz de Oslo. Scott e Wilson estiveram extraordinários, como é costume destes dois atores de grande calibre, e destacam-se ainda as prestações de Jeff Wilbusch como Uri Savir e Salim Dau como Ahmed Qurei.

Oslo

Em quase 2 horas Bartlett Sher conta-nos a história completa deste acordo de Paz, deixando-nos presos ao ecrã durante o tempo todo. É palpável a dificuldade e os esforços herculanos que foram necessários para não só permitir a existência destas negociações, mas para que elas prosseguissem e dessem frutos. O filme transmite muito bem em certos momentos a tensão e envolve-nos com um ritmo ideal e um rigor histórico. Oslo é um filme que entretém e que ensina.

O conflito israelo-palestino é posto em perspetiva e a esperança ou desilusão da comparação com o presente depende da opinião de cada um. Mas como é dito no filme “se foi possível derrubar o muro de Berlim…”, e se um acordo foi possível uma vez, com certeza que não será vez única. Futuras negociações poderiam levar em conta os três segredos que o filme revela para a união de lados diferentes: comer, rir e conviver.

“our people live in the past. Both obsessing over what we have lost. Let us find a way to live in the present. Together.”

Oslo

Oslo é um filme extremamente revelante, ainda mais tendo em conta a atualidade. É como se assistíssemos à História real do processo de paz de Oslo. Com um argumento cativante, uma realização sólida e interpretações louváveis foi uma ótima aposta da HBO e aconselha-se a todos.

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Título: Oslo

Realização:

Elenco: Ruth Wilson, Andrew Scott, Salim Dau, Karel Dobrý, Doval’e Glickman, Jeff Wilbusch

Duração: 118 min.

Trailer | Oslo

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