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Sweet Tooth – Season Finale – 1ª Temporada

Sweet Tooth season finale

PODE CONTER SPOILERS DE SWEET TOOTH!!!

Antes de ter sido absorvida pela DC em 2011, a Vertigo era uma subsidiária reservada para outros títulos fora da continuidade habitual e que permitiu a vários artistas expressarem as suas vozes em títulos mais indicados para as camadas mais adultas. Foi a partir daqui que os vários leitores tiveram direito a várias obras como Hellblazer (que introduziu a personagem de John Constantine), Preacher, Fables (uma das inspirações por detrás da série Once Upon A Time), entre outros. E a maior parte destas propriedades, de uma forma ou outra, tiveram direito a adaptações quer para o grande ecrã, quer para o pequeno. E uma dessas propriedades, Sweet Tooth, é a mais recente adaptação, desta feita pela Netflix.

Baseado na obra de Jeff Lamire do mesmo nome, Sweet Tooth toma lugar num mundo pós-apocalíptico, numa altura em que a Humanidade torna-se vítima de um vírus letal e de cura altamente improvável. Ao mesmo tempo que o mundo é tomado de assalto por esta pandemia, outro fenómeno surge: começam a nascer crianças com alguns traços relacionados com animais, despoletando o medo e ódio da população geral. Uma destas crianças é Gus (Christian Convery), um menino meio homem, meio veado que, durante a maior parte da sua vida, foi criado pelo seu pai, “Pubba” (Will Forte), longe dos centro urbanos. No entanto, quando “Pubba” perece devido à Doença, Gus vê-se forçado a abandonar o seu conforto da floresta e aventurar-se em busca da sua mãe, encontrando não só aliados improváveis, mas também alguns inimigos desconcertantes.

Sweet Tooth season finale

O MELHOR:

Apesar de abordar uma temática um tanto repetitiva – e ao mesmo tempo não menos relevante para a era moderna – existe uma clara aura adorável em redor de Sweet Tooth.

De facto, toda a sua temática é positiva no seu geral. Quando somos apresentados a este mundo bizarro, encontramos uma sociedade completamente dividida, em que a sobrevivência de uns supera o bem maior geral. As pessoas acabam por desconfiar do seu vizinho, enquanto outros recorrem ao uso da força e violência para impor a sua vontade (leia-se: militares). Pode ter proporções um tanto ou quanto semelhantes a outras histórias que tomam num mundo que ora recupera ou adapta-se a um novo paradigma, mas torna-se especialmente relevante considerando a pandemia atual; sim, existe a possibilidade de se encontrar mais “ameno” nesta altura, com a vacinação a ser um passo importante, mas é importante não esquecer que havia uma altura em que nos vimos obrigados a isolar-mo-nos uns dos outros, trazendo consigo uma sensação de abandono. No entanto, Sweet Tooth difere dessas histórias com um aspeto mais positivo, e uma mensagem de esperança bem presente em cada momento.

Aliás, é através de Gus que somos presenteados com esta onda de positividade. Apesar de estar perante um mundo cruel e complicado, este Gus é irredutível na sua missão pessoal de procurar pela sua mãe. Revela-se um tanto ou quanto engenhoso ao aproveitar os recurso que a natureza tem para oferecer (além de alguns atributos animais que se revelam úteis), mas não deixa de ser um tanto ou quanto ingénuo sobre alguns comportamentos. E ainda assim, é esse aspeto que o une a vários personagens que se deixam levar pela sua personalidade, principalmente Tommy “Big Guy” Jepperd (Nonso Anozie), um ex-caçador que, apesar da sua postura distante e intimidante, não deixa de sentir um certo carinho para com Gus; e mais tarde, o duo torna-se em trio com a chegada de Bear (Stefania LaVie Owen), uma órfã que tornou pessoal a sua missão de ajudar todos os híbridos que existem na América.

Sweet Tooth season finale

Mas não é em redor de Gus que Sweet Tooth vive, uma vez que somos agraciados com mais duas linhas narrativas que funcionam de forma adjacente à trama principal. Por um lado, temos a presença de Aditya Singh (Adeel Akhtar), um médico que presenciou o início da pandemia em primeira mão e cujo arco narrativo revolve com ele a fazer de tudo para curar a sua mulher, Rani (Aliza Vellani), mesmo que venha a sofrer algumas sérias consequências pelas suas ações. Ao mesmo tempo, acompanhamos a jornada de Aimee (Dania Ramirez), uma terapeuta que encontra uma nova vida ao adotar Wendy (Naledi Murray), uma híbrida humano-suína, e fundar uma espécie de “refúgio” para outros híbridos que procuram seguranças.

Apesar de algumas claras diferenças, fica mais do que patente que estas linhas secundárias partilham alguns traços com a narrativa principal. Se bem que, entre as duas, a de Aimee parece ter um maior paralelismo, considerando o tom claramente positivo que tenta transmitir, ao passo que a narrativa de Singh serve mais como uma exploração da decadência da sociedade e a vontade de fazer algumas escolhas difíceis pelas pessoais que mais amamos. Ou seja, a série, através destas personagens “principais”, permitem uma maior exploração deste novo, estranho mundo.

Sweet Tooth season finale

O PIOR:

Ainda que Sweet Tooth tenha um tom claramente positivo e contagiante, a verdade é que a série também tem algumas arestas por limar.

Começando pelo aspeto visual da série. Fica mais do que claro que os efeitos digitais ficam bastante aquém do desejado, dando uma ideia de que a maior fatia do orçamento pairou para outros elementos. Irónico, considerando que a série faz um bom proveito com o espaço cénico, dando uma clara ideia da evolução hipotética do mundo num certo espaço de tempo, além de apreciar quando os híbridos são retratados através de efeitos práticos em detrimento dos efeitos digitais amadores.

A narrativa é complexa em si, mas também tem alguns problemas. As três narrativas são distintas em si, e de acordo com o Narrador (James Brolin), com possibilidade de se entrecruzarem. Infelizmente, tal somente acontece no final da temporada, e o que nos é presenteado somente serve como tease de uma possível segunda temporada. Já para não falar de a série não elucidar competentemente as cronologias dos três eventos, levantando alguns plot holes e confusões nesse processo.

E embora estes protagonistas tenham também o ar de sua graça, os seus antagonistas não ganham o desenvolvimento necessário para ficarmos com uma ideia clara das suas respetivas ameaças. Isso não se nota tanto com o General (Neil Sandilands), mas esses problemas tornam-se mais acentuadas quando conhecemos Tiger (Mia Artemis), a braço-direito de Bear.

Sweet Tooth season finale

No entanto, se tivermos coragem de ignorar ao leve este problemas, pode-se concluir que Sweet Tooth é uma entrada adorável no catálogo da Netflix, ao oferecer-nos uma série que oferece um tom mais otimista a um universo que tinha tudo para ser do mais obscuro possível. Ainda que tenha alguns problemas por resolver, temos aqui um mundo habitado por personagens (maioritariamente) complexas e com histórias tocantes para partilhar.

Resta esperar para conhecer o veredito da Netflix no que refere a uma nova temporada.

Até lá, podem ler outras Mini-Reviews aqui.

Estado da série: STAND-BY

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75%
Average Rating

Da Netflix, chega-nos este Sweet Tooth, uma série que coloca um tom mais otimista - e não menos relevante - a um género já bastante familiar. Ainda que tenha uns efeitos digitais que deixem a desejar e algumas inconsistências a nível narrativo, este é o novo vício que não quererão perder!

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