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Crítica: Notturno (2020)

Notturno

CONTÉM SPOILERS DE NOTTURNO!

“You too will have a God, my Homeland”

Um dos grandes problemas atuais dos países privilegiados é a instabilidade política e as guerras, mas noutros países, assim como os refugiados resultantes desses conflitos. No Médio-Oriente há décadas que assistimos a escaladas de conflitos intercaladas com cessar-fogos, numa contenda sem fim à vista. Ligamos a TV e vemos mísseis, explosões e vítimas, mas pouco ou nada sabemos da origem das discórdias, do passado que levou ao presente e muito menos do dia-a-dia vivido nestes locais. Notturno mostra-nos as vidas dos sobreviventes, num Médio-Oriente devastado pela guerra.

Notturno

O realizador internacionalmente galardoado e nomeado a Óscar, Gianfranco Rosi, mais reconhecido pelos seus trabalhos em Below Sea Level e Fire at Sea traz-nos, num registo a que já está habituados, o documentário Notturno. Com estreia em 2020 no Venice Film Festival e vencedor já de 7 prémios, entre os quais o Golden Lion em Veneza e o Capri European Film Award no festival Capri Hollywood de 2020, Notturno tem estreia programada para Portugal a 10 de Junho de 2021.

Donatella Palermo é uma das produtoras do documentário que volta a colaborar com Rosi, após a nomeação dos dois para o Óscar de Melhor Documentário em 2017, com Fire at Sea. A produção deste documentário resultou da colaboração de diversas companhias, nomeadamente da 21 Unofilm, com a Stemal Entertainment, a Les Films d’Ici, a No Nation Films, a Mizzi Stock Entertainment e a Rai Cinema.

Este incrível documentário foi filmado ao longo dos últimos três anos, nas fronteiras do Iraque, Curdistão, Síria e Líbano. Toda esta região é caracterizada por um círculo vicioso de conflitos, que alimentam o detrimento da população civil. Destruição e violência são vistas por todo o lado, mas no centro continua a humanidade que todos os dias desperta para um novo dia em que se espera que a luz tenha vencido as trevas da guerra.

[som de tiros à distância]

Notturno

Gianfranco Rosi registra os eventos de forma sem filtro e conta-nos a história somente através de imagens. Os factos falam mais alto que frases escritas. Assistimos a cenas dramáticas e chocantes, que nunca deixam de ser verdadeiras. Mães de luto por filhos torturados até à morte, jovens a servir de cães de caça, mensagens de Whatsapp de pessoas feitas reféns pelo ISIS, crianças apenas com meia dúzia de anos de vida já com profundos traumas de guerra ou uma singela peça de teatro que tenta representar tudo isto com a História dos países envolvidos. História essa que passa desde os golpes militares, à monarquia, à república, a tirania, as guerras, invasão, ocupação, o extremismo e o terrorismo.

Notturno é um documentário onde a terrífica cinematografa fala por si e conduz a narrativa exclusivamente por imagens ou conversas captadas. Não é um filme com um guião definido e uma história composta para expor à audiência, é sim um registo videográfico que basta estar com atenção para emergirmos na mensagem que está a ser transmitida. Possivelmente será um documentário sobre o qual ainda iremos ouvir falar nos próximos Óscares.

Se estará ao nível do vencedor do Óscar do ano passado, My Octopus Teacher? Essa é uma pergunta para responderem nos comentários, após verem o documentário.

“We will not die, we will resist and the Homeland will resist.”

Notturno

Notturno é um registo videográfico acessível a todos e bastante convincente, onde se aplica bem a expressão de “mais vale uma imagem do que mil palavras”. A exposição de Gianfranco Rosi sobre o impacto da guerra na população civil do Médio-Oriente não deixará ninguém indiferente.

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Título: Nocturno

Título Original: Notturno

Realização:  Gianfranco Rosi

Duração: 100 min.

Trailer | Notturno

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