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Master of None – Season Finale – 3ª Temporada

Master of None Season Finale

CONTÉM SPOILERS DE MASTER OF NONE!

Depois de nunca se saber ao certo o destino da série de culto de Aziz Ansari, a Netflix anuncia uma terceira temporada de forma muito súbita, onde Dev passa para segundo plano, e onde a sua melhor amiga Denise tem todo o destaque. Agora uma escritora bem-sucedida, Denise vive com a sua esposa Alicia, vivendo o seu dia-a-dia de forma prazenteira, até que Dev e Rachel chegam e revelam algumas fragilidades da sua própria relação. Nisto, Denise e Alicia começam a entrar num declínio emocional após planearem terem um bebé juntas. Esta temporada de Master of None é realizada na sua íntegra por Ansari e utiliza Lena Waithe, a sua companheira de atuação e de escrita das temporadas anteriores, tornando-a a musa inesperada da série. É um registo ambíguo, já que se desvia do foco original da série, ainda que revele algumas capacidades criativas do ator atrás da câmara.

Master of None Season Finale

O MELHOR:

Recuperando os velhos clássicos de Woody Allen, Master of None utiliza uma estética granulada, apoiando-se inteiramente nas prestações de Waithe e Naomi Ackie que são absolutamente infalíveis.

Quase que filmado como se se tratasse de um sonho (ou pesadelo em certas alturas), Master of None prova que é mais do que a soma das suas partes, apoiando-se numa personagem que nem sempre teve a visibilidade que merecia ao longo das restantes temporadas. A química entre Waithe e Ackie é extraordinária, ao passo que Ansari consegue captar com mestria alguns segmentos de escrita maravilhosos, explorando as suas personagens afincadamente e utilizando suavemente alguns triggers para “apimentar” um pouco a narrativa. A ausência de grandes atores como convidados, faz com que o foco do espectador seja inteiramente Denise e a sua evolução enquanto parceira e na sua sensibilidade em entender a sua cara-metade.

Mas uma estética bonita e boas intenções não são suficientes para determinar a qualidade de uma temporada. O facto de Master of None divergir da sua fórmula não é, de todo, um passo errado, mas infelizmente há elementos que se perderam e que indiscutivelmente acabam por não conquistar os fãs iniciais da série.

Master of None Season Finale

O PIOR:

Há uma mudança de tom em Master of None, já que a vida de Denise e Alicia acaba por adquirir um tom dramático demasiado forte, e a ausência de elementos humorísticos subtis que eram tão característicos da série acaba por se fazer sentir de uma forma um pouco aborrecida.

Tal como muitos registos de outras produções televisivas, Master of None cometeu um risco e, embora seja inteiramente bem intencionado, não foi explorado a utilizar a fórmula que tanto nos aliciou anteriormente. Waithe e Ackie são fabulosas, mas o tom dramático acaba por ser demasiado pesaroso para o público, que espera ansiosamente por algum tipo de humor que faça quebrar “o gelo” que a temporada tem em si. O resultado é um misto de surpresa com um pouco de desilusão, já que em termos técnicos a série recebe aqui uma dose incrível de talento de Ansari, mas em termos de desenvolvimento de história peca em levar-se demasiado a sério. Ainda que nutra um apreço pessoal pela coragem da equipa de Master of None em tentar focar-se num casal LGBTQ+ e nos seus problemas matrimoniais, há todo um tipo de registo que os consumidores mais assíduos do streaming não se identificam, especialmente pela ausência de catalisadores fortes que nos prendam às personagens e se identifiquem com as situações por que vão passando.

Mesmo não sendo totalmente uma deceção gigante, Master of None acaba por ser demasiado ousada num registo que não lhe assenta propriamente em termos de temática. É quase como um spin-off que funcionaria bem se fosse isolado do restante material e que acaba por não fazer justiça às personagens que compõem este novo ciclo narrativo.

Master of None Season Finale

Estado da Série: STAND-BY

Leiam a nossa Mini-Review anterior de Master of None aqui.

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66%
Average Rating

Master of None está de regresso com uma temporada muito artística e dramática, o que foge ao registo habitual da série e que acaba por surtir efeitos adversos à medida que avançamos com os episódios.

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