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Crítica: Wrath of Man (2021)

Wrath of Man Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE WRATH OF MAN!

Todos conhecemos Jason Statham como a estrela de ação imparável, digna de entrar nos rankings das lendas dos anos 70 e 80. É um ator que nunca precisou de muitas palavras, apenas de uma postura durona para satisfazer as delícias de todos aqueles que apreciam um serão sem grande criatividade no cinema. Muscle over brains, como se costuma dizer… mas antes de se tornar este ícone de ação, Statham foi projetado para o cinema com os thrillers clássicos de Guy Ritchie, um ambicioso realizador britânico que se consagrou pelo seu toque humorístico dentro do cinema de crime organizado, nas obras Snatch e Lock, Stock and Two Smoking Barrels. O estilo de Ritchie é o típico filme machista, onde a testosterona imana de todos os pixels da sua imagem sendo que, de alguma forma, esta sua insistência em realçar o masculino pelas convenções já algo saturantes tem vindo a ser destruído pela crítica mundial.

Wrath of Man Critica de Cinema
Jason Statham stars as H and Josh Hartnett stars as Boy Sweat Dave in director Guy Ritchie’s WRATH OF MAN, A Metro Goldwyn Mayer Pictures film.
Photo credit: Metro Goldwyn Mayer Pictures
© 2021 Metro-Goldwyn-Mayer Pictures Inc. All Rights Reserved

Wrath of Man é o novo filme que volta a reunir Ritchie com Statham, num thriller de ação frenético e onde Ritchie é comedido no seu estilo, deixando o crime organizado britânico e aventurando-se em algo de maior escala, nos EUA. Statham interpreta H, um misterioso homem que se infiltra numa empresa de distribuição de dinheiro que tem histórico de ser facilmente roubada; e, num golpe feito por bandidos organizados, H declara guerra a estes mesmos, e as suas verdadeiras motivações são reveladas. Como se pode constatar, Wrath of Man não é um filme inovador, muito menos abranda com o machismo e testosterona que estamos habituados a ver, quer do ator protagonista, quer do seu realizador. Mas, e se a fusão entre os dois se torna empolgante? A verdade é que Wrath of Man é, de facto, uma simbiose interessante de um realizador que incute particularidades técnicas interessantes no cinema de ação desmiolado que já é característico do seu ator principal. Acaba por funcionar a muitos níveis, onde basta darmos um pouco mais de atenção a certos pormenores que resultam na perfeição para nos entregar um serão que assenta no registo de ambos e que aproveita o “melhor dos dois mundos” para entretenimento garantido e algumas componentes técnicas bastante competentes.

Wrath of Man Critica de Cinema

Obviamente que o que torna Wrath of Man uma obra sem poder hipnótico é a sua falta de moralismo ou de se inserir numa temática que é “mais arroz” e que não abranda no display de machismo constante, já que a única personagem feminina acaba por ser reduzida a algo meramente ornamental. Mas este tipo de cinema, quer se ame ou se odeie, não deixa de ser algo que está enraizado na nossa cultura, por muito que seja quase de dizer a Ritchie que ele precisa de acompanhar os tempos recentes… mas é um estilo próprio. É algo que sempre definiu o seu cinema e que fez as delícias de fãs por todo o mundo e que marcou a sua própria identidade na 7ª Arte. Ao contrário de outras obras que não assentam (em nada mesmo!) no seu reportório como Aladdin ou até mesmo o novo King Arthur com Charlie Hunnam, Ritchie sabe perfeitamente como elevar os típicos clichés desta masculinidade repleta de uma testosterona desmiolada e sabe onde encaixar os elementos para nos manter investidos na sua narrativa.

Ainda no rescaldo do sucesso de The Gentlemen, Ritchie acaba por mudar um pouco a sua estrutura habitual para este Wrath of Man, construindo uma história básica, mas com um fluxo de eventos que surgem de forma mosaica, onde as linhas narrativas convergem numa justificação plausível já a certa altura do filme, fazendo com que possa brincar com as explosões, os tiroteios e os one liners catchy com calma e o resultado acaba por ser muito positivo. Wrath of Man não é um filme que prime pela sua inteligência e acaba por ser um exercício onde o realizador procura novos horizontes dentro do seu estilo icónico, trabalhando com alguns atores talentosos (Scott Eastwood encanta mais como vilão do que se pensava!) e delineando limites para que o filme não caia em exageros gigantescos e que comprometam o seu realismo. Obviamente que se sente a falta do humor típico de Ritchie nas personagens e, de facto, elas carecem de dimensão dramática, já que nunca ficamos propriamente a conhecê-las na sua íntegra, mas ao vermos Statham a entrar de rompante com o seu ar de mauzão, percebemos logo que este não é um tipo de cinema que se deva levar a sério nessa componente.

Wrath of Man Critica de Cinema

E é aqui que Ritchie ganha, por perceber o que tem em mãos e por usar o que tem à sua volta para criar um filme diferente do seu habitual, ainda que com elementos que são reconhecíveis do seu estilo de filmagem. A banda-sonora também ajuda a criar um clima forte e de tensão constante, ainda que Statham pudesse melhorar um bocadinho (só um bocadinho!) a sua conduta para não ser reduzido a algo tão mecanizado e robótico. Mas, resumindo, Wrath of Man não é um filme que tenha uma moral forte, nem que apele a uma sociedade a ser cada vez mais exigente com a 7ª Arte nas representações das comunidades, mas é um que nunca esconde o que é. É genuíno à sua maneira, mesmo que não traga muita diferença para o cinema de agora, mas tem os elementos certos para proporcionar o entretenimento que precisamos e a história não linear torna-se cativante à medida que avança, sendo acompanhada por um Ritchie que quer marcar pela diferença no cinema de ação.

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Título: Um Homem Furioso

Título Original: Wrath of Man

Realização: Guy Ritchie

Elenco: Jason Statham, Holt McCallany, Rocci Williams, Josh Hartnett, Jeffrey Donovan, Scott Eastwood, Andy Garcia, Deobia Oparei, Laz Alonso, Raúl Castillo, Chris Reilly, Eddie Marsan, Niamh Algar.

Duração: 118 min.

Trailer | Wrath of Man

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