Cinema Críticas

Crítica: The Unholy (2021)

The Unholy Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE THE UNHOLY!

O cinema de terror é um género difícil, como já foi mencionado noutras críticas aqui do CineAddiction. São raros os que nos conseguem verdadeiramente conquistar e, acima de tudo, são raríssimos aqueles que conseguem combinar uma boa história, com atmosfera sombria e desconfortável e de criar um certo realismo para que a narrativa pareça credível aos nossos olhos. The Unholy é o mais recente filme a “aterrorizar” as salas de cinema, onde Jeffrey Dean Morgan interpreta um jornalista desgraçado por uma carreira de mentiras, que se depara com uma jovem surda que foi encontrada a deambular pela floresta. Após a socorrer, Gerry Fenn depara-se com estranhos milagres que esta jovem parece começar a criar depois de recuperar a sua audição e fala e de curar doenças incuráveis em diversos membros da pequena cidade de Banfield. O problema? É que estes milagres escondem uma terrível verdade e eventos bizarros começam a acontecer como consequência destas proezas aparentemente inocentes.

The Unholy Critica de Cinema

The Unholy encaixa perfeitamente naquele formato de um spin-off rasco de The Conjuring, onde o talento de um ator icónico é desperdiçado por uma narrativa que nunca consegue encontrar um local confortável onde florescer. E uma das consequências mais graves é precisamente conseguir colocar-nos a rir de muitas situações em vez de nos aterrorizar. As personagens são totalmente unidimensionais, para além de efeitos visuais precários e uma história que é já conhecida de muitos de nós. Tentando ir buscar alguma nostalgia de clássicos de terror religiosos, The Unholy é uma obra que tem sérios problemas estruturais, onde a mitologia que quer representar acaba por ser superficial e por ter uma carência de orçamento em conseguir criar a atmosfera subtil, mas impactante, que a sua premissa exige. É também um caso onde talentos veteranos e emergentes são reduzidos a algo muito pouco substancial, como é o caso de William Sadler ou Diogo Morgado, que interpretam membros da igreja céticos do potencial desta jovem milagreira.

Infelizmente, todo o sumo que The Unholy podia ir buscar para se tornar um filme credível e com algum ensinamento rapidamente desvanece com decisões de realização pobres e pelos efeitos penosos que compõem grande parte das sequências. Ainda que um jump scare aqui ou acolá surta algum efeito no público, nada consegue fazer-nos ficar investidos no mistério inicial porque o desenvolvimento da narrativa acaba por não conseguir transmitir com confiança uma ideia plausível ou que nos pareça refrescante. É um grande problema ultimamente neste tipo de cinema: a falta de uma equipa que reconheça o potencial do seu material e cuja dedicação consiga elevar uma peça cliché a um nível superior. Infelizmente, o território de The Unholy não é original e, por muito que queiramos, não podemos afirmar que é, de todo, um bom (ou sequer medíocre) exercício de cinema.

The Unholy Critica de Cinema

É baço, desprovido dos elementos que deveria ter e, infelizmente, a componente técnica não ajuda a história a sobressair, nem os atores que nele vigoram conseguem salvá-lo de ser um desastre a todos os níveis. Portanto, procurem um filme de terror à base de clássicos e não percam o vosso tempo com algo tão desnecessário como The Unholy.

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Título: Santuário das Sombras

Título Original: The Unholy

Realização: Evan Spiliotopoulos

Elenco: Jeffrey Dean Morgan, Cricket Brown, William Sadler, Katie Aselton, Cary Elwes, Diogo Morgado.

Duração: 99 min.

Trailer | The Unholy

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