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Crítica: Army of the Dead (2021)

Army of the Dead Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE ARMY OF THE DEAD!!!

A carreira de Zack Snyder como realizador sempre foi pautada por adaptações de bandas desenhadas para o grande ecrã, não só servindo como a mente por detrás da DCEU, mas trazendo algumas adaptações badaladas como 300 ou Watchmen. Com estes marcos na sua carreira, é fácil de esquecer que foi com Dawn of the Dead – o remake do filme original, idealizado pelo mestre dos filmes de zombiesGeorge Romero – que Snyder teve o seu início. E depois do seu “divórcio” com a Warner Bros., foi com a Netflix que o realizador decidiu regressar às suas origens, trazendo consigo este Army of the Dead. 

O filme foca-se em Scott Ward, um ex-soldado que recebe uma proposta de um multi-milionário excêntrico: reunir uma equipa de soldados e profissionais, viajar para Las Vegas e trazer de um cofre de um dos casinos locais 20 milhões de dólares. Uns pequenos senãos nesta missão: Las Vegas encontra-se infestada de zombies, e a cidade está marcada para um eventual míssil nuclear.

Army of the Dead Crítica de Cinema

Zack Snyder pode ser uma das figuras mais controversas do mundo atual do cinema, mas isso não implica que não faça algo que consiga entreter os seus fãs. Com Army of the Dead, o realizador tem aqui uma oportunidade de poder fazer o filme que bem entende, da forma como bem entende. E apesar de contar com uma certa quantia de defeitos, o filme atinge o objetivo pretendido: entreter as massas.

Honestamente, juntar o género de filmes de zombies com elementos retirados de um heist movie podia ser um casamento bizarro que não traria bons resultados, mas acaba por nos algo diferente dentro de ambos. Claro que isto implica algumas instâncias já bastante familiares em ambos os campos, sejam as traições óbvias e o facto de conhecermos tantas personagens que não ficam muito tempo, mas não deixa de causar aquela diversão instantânea que muitos de nós estamos a precisar nestes tempos mais complicados.

Army of the Dead Crítica de Cinema

E enquanto existem elementos no filme que o consigam marcar pela diferença entre os demais – seja pela apresentação de hierarquias entre os zombies, inclusive com as suas próprias regras e rituais ou outras coisas completamente loucas que acabam por funcionar (ver foto acima), Army of the Dead deixa um tanto ou quanto a desejar. Zack Snyder é bem conhecido pelas suas extravagâncias audiovisuais no passado, especificamente pelo uso das imagens em câmara lenta; já na escrita em si, a história muda de figura. Não basta que a narrativa geral tenha alguns momentos previsíveis em si, cortesia dos géneros que tenta misturar, mas existem claros problemas não só nas linhas de diálogo que as personagens do filme proferem, mas também não existe uma atenção mais cuidada aos personagens. Fica a ideia que os estamos a conhecer à superfície e pouco mais; claramente que os seus respetivos destinos teriam um maior impacto se, entre mais de duas horas de duração, o filme tivesse feito um esforço para dar a conhecer melhor estes personagens.

Ainda que Dave BautistaElla PurnellAna de la Reguera ainda se safem nos seus papéis – considerando que são os personagens com quem passamos mais tempo – a verdade é que deixam um tanto ou quanto a desejar, trilhando caminhos já anteriormente percorridos dentro dos dois géneros. O facto de este trio sobressair entre os demais já diz bastante do que podemos esperar dentro da escrita do filme.

Army of the Dead Crítica de Cinema

Army of the Dead pode ter as suas limitações em termos da escrita e narrativa, mas o aspeto técnico acaba por ser um dos elementos redentores. De facto, o filme faz uso dos efeitos digitais e visuais, mas acabam por trazer consigo mais benefícios. Desde a digitalização do tigre zombie até aos próprios zombies – numa clara mistura entre efeitos práticos e digitais – até à inserção de “última hora” de Tig Notaro como substituta de Chris D’Elia – o filme possui uma mancha gráfica deveras impressionante. Já para não falar dos momentos de ação e suspense, que carregam alguns dos momentos mais altos – e garantidamente ridículos – do filme, embora tal já seria de esperar. No entanto, a cinematografia – também da autoria de Snyder – tem os seus quês, orbitando entre cenas panorâmicas e outras mais de teor pessoal. Já para não falar da estranha tática de focar-se nos personagens e desfocar no que se está a passar no background. Uma tática estranha, decerto, e que certamente será alvo de novas discussões entre fãs do cineasta.

O filme conta ainda com o contributo de Junkie XL na banda sonora do filme, trazendo o impacto necessário às várias sequências presentes no filme. Ainda que se possa argumentar que o compositor se encontra um tanto ou quanto mais contido, especialmente considerando que, só neste primeiro semestre, ele trouxe-nos bandas sonoras poderosas em filmes como Zack Snyder’s Justice League Godzilla vs. Kong

Army of the Dead Crítica de Cinema

Portanto, é bastante improvável que Army of the Dead se torne no melhor filme que Zack Snyder nos entregou até agora – para já, 300 detém essa honra. No entanto, não deixa de ser um produto de fácil entretenimento neste período de descanso depois de anos a fazer filmes para a Warner Bros. (com resultados mistos, claramente), ainda que demonstre algumas arestas por limar que acabam por limitar o filme.

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Título: Exército dos Mortos

Título Original: Army of the Dead

Realização: Zack Snyder

Elenco: Dave Bautista, Ella Purnell, Omari Hardwick, Ana de la Reguera, Theo Rossi, Matthias Schweighöfer, Nora Arnezeder, Hiroyuki Sanada, Garret Dillahunt, Tig Notaro, Raúl Castillo

Duração: 148 minutos

Trailer | Army of the Dead

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