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Crítica: Paper Spiders (2020)

Paper Spiders Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE PAPER SPIDERS!!!

Hoje em dia, as pessoas começam a tomar uma maior atenção às doenças mentais. Ansiedade, depressão, distúrbios, etc. Estas são algumas das doenças invisíveis que, embora não mostrem sintomas no sentido a que estamos habituados quando abordamos este assunto, consegue provocar danos irreversíveis não só a quem sofre delas, mas também das pessoas que as rodeiam. É uma atenção que, embora tardia, está a fazer-se notar cada vez mais, e a indústria cinematográfica também tem vindo a acompanhar essa mudança. Paper Spiders é um desses casos.

Dawn e Melanie são mãe e filha bastante unidas, especialmente depois de perderem o patriarca da família. Apesar das suas condições de vida, as duas têm conseguido desenrascar-se na vida, com Melanie prestes a concorrer para a universidade. No entanto, quando a mãe começa a ter suspeitas em relação ao novo vizinho, Melanie considera que a sua mãe não deve estar bem. E aqui, a jovem adolescente terá de tomar algumas escolhas complicadas não só para poder concretizar os seus sonhos, mas também para apoiar a mãe num dos seus momentos mais frágeis da vida.

 

Paper Spiders Crítica de Cinema

Trazer o mundo das doenças mentais para o grande ecrã tem sido, desde cedo, um dos maiores desafios, e mesmo os maiores sucessos de bilheteira não resistiram à controvérsia de interpretar as “vítimas” como vilões. Felizmente, essa abordagem tem vindo a ser desmistificada ao longo dos anos, mostrando algumas interpretações repletas de carinho e emoção. Realizado por Inon Shampanier e escrito pelo próprio e pela mulher, Natalie ShampanierPaper Spiders encontra o seu coração poderoso quando aborda a doença mental no ponto de vista desta família destroçada.

Aliás, é aqui que o filme encontra as suas maiores forças. Não só aborda uma das doenças menos conhecidas/abordadas – neste caso, a paranóia – mas também como esta causa impacto a quem sofre dela (a mãe, Dawn) e de quem vive consigo (a filha, Melanie). Vermos uma mãe a cair nas suas ilusões mentais e ficar cada vez mais incontrolável é impactante em si, mas custa ainda mais quando se tem alguém são ao lado e não sabe bem o que fazer. O objetivo do filme não é de demonizar a vítima, mas sim mostrar como uma doença invisível e sem sintomas aparentes pode causar danos a quem vive ao lado, já para não falar das inúmeras escolhas difíceis que têm de tomar por vezes.

Paper Spiders Crítica de Cinema

Com este tamanho desafio, seriam necessárias duas atrizes que estivessem prontas para este desafio. Felizmente, Paper Spiders encontram em Lili Taylor Stefania LaVie Owen como as suas musas. Taylor ganha a maior fatia de impacto ao interpretar uma mulher que cada vez mais se vai perdendo na sua própria realidade e tornando-se cada vez mais desequilibrada na forma como aborda a sua vida social, familiar e profissional. Isso não menospreza as capacidades de Owen como uma adolescente dividida entre tomar conta da mãe e viver a sua vida tipicamente adolescente.

Esta vertente engloba parte do filme; no entanto, a parte teen drama acaba por ser o calcanhar de Aquiles do filme. Muito porque muito do que pretende contar, já outros filmes já o tinham feito. Desde a amiga de infância mais desperta para o mundo do sexo (Peyton List), desde ao interesse romântico que se revela como um bad boy com uma personalidade mais obscura (Max Casella), são vários os aspetos aqui presentes que, embora não destruam por completo as intenções do filme, não adicionam nada de novo ou relevante para o género. Tanto quanto mais, parecem que fazem parte de um filme completamente diferente.

Paper Spiders Crítica de Cinema

Apesar deste aspeto menos eficaz, Paper Spiders é surpreendentemente eficaz ao abordar a temática das doenças mentais, com um claro carinho e sentimento para um aspeto da saúde que, só agora, está a ter a sua devida atenção. Não é inovador em todos os aspetos, mas não deixa de ser um drama forte que irá mexer com muitos de nós.

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Título: Paper Spiders

Realização: Inon Shampanier

Elenco: Lili Taylor, Stefania LaVie Owen, Peyton List, Max Casella

Duração: 109 minutos

Trailer | Paper Spiders

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