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Todos precisamos de Friends nas nossas vidas!

Friends

CONTÉM SPOILERS DE FRIENDS!

A 27 de maio irá ser apresentada a reunião de um dos elencos mais famosos do mundo. Elenco este que nos proporcionou gargalhadas sem fim, de preservarmos os valores mais bonitos da amizade, e de respeitarmos e aceitarmos os defeitos mais intrínsecos uns dos outros. Friends é um marco televisivo histórico. Um que ainda hoje revejo sem qualquer problema e que surge sempre com um ensinamento novo que, na altura, nunca tinha associado. Sofrer de ansiedade requer alguma terapia, para além de ser necessário encontrar um refúgio para conseguirmos absorver a realidade bonita das relações humanas quando este cenário parece distante nas nossas mentes. Friends foi sempre esse bocadinho terapêutico que precisei ao longo da minha vida, refugiando-me nas dez temporadas mais suculentas de humor, de companheirismo e de vivência com aquela que é a minha terceira família e que nunca me canso de tecer elogios.

Friends

Friends é tão especial que age como uma série intemporal, mesmo que muitas das piadas, nos tempos que correm, pareçam algo deslocadas, mas ao crescer com estes indivíduos tão peculiares e tão magníficos à sua maneira, apenas me faz refletir o quanto nunca paramos de amadurecer ao longo da vida. Há tanta matéria bonita numa série cómica que, ao contrário de muitas, sempre se manteve coesa, divertida e sem momentos mortos. É um trabalho feito com a matéria certa para fazer o nosso cérebro desligar-se do mundo cruel que nos rodeia e de nos fazer sentir incluídos nas muitas saídas até ao Central Perk, e revermos momentos com que nós próprios nos conseguimos identificar com os nossos amigos. Os ensinamentos são muitos, e as situações caricatas muitas vezes são apresentadas como algo muito semelhante ao que vivemos no nosso dia-a-dia; para além das muitas chatices e problemas que vão aparecendo e termos sempre alguém ao nosso lado para nos reconfortar. É incrível como a intemporalidade está refletida nos breves vinte minutos de cada episódio, com momentos memoráveis e que ainda hoje nos deixam rendidos ao seu charme e carisma.

Desde um Smelly Cat que trauteamos muitas vezes sem dar conta, passando pelas muitas saídas sarcásticas de Chandler, até ao vídeo de quando estas personagens iam ao seu baile-de-finalistas, de quando os rapazes ganham o apartamento das meninas, de quando Ross descobre uma veia para a música com a gaita-de-foles, até à adoção do amoroso Marcel, até mesmo quando Joey enfia a cabeça dentro de um peru no Dia de Ação de Graças, ou quando faz de duplo do rabo de Al Pacino, ou até mesmo quando descobrimos a sua notória veia para o francês! Podíamos enumerar tantos mas tantos momentos que nos levaram às lágrimas de tanto rir, de emoção, ou até mesmo àquele conforto tenurento de apenas revivermos as memórias deixadas por aquele mítico apartamento onde todos se encontravam diariamente, de todas as particularidades das suas personalidades, de todas as suas decisões de vida que, de alguma forma, espelham a nossa própria realidade. Penso que por esta altura não será necessário elaborar uma sinopse da série dada a sua fama e notoriedade para aqueles que ainda não se sentem preparados para consumir algo tão especial como Friends.

Friends

Há toda uma história que, após o seu término em 2004, continua a permanecer e a nostalgia que se abate agora que se irão reunir todos mais uma vez, é como estarmos a ver um álbum de recordações de anos que foram tão especiais e vividos com muita intensidade. Jennifer Aniston, David Schwimmer, Matthew Perry, Courteney Cox, Matt LeBlanc e Lisa Kudrow são aquelas icónicas celebridades que, seja o que façam nas suas vidas, nada irá conseguir substituir aquilo que conseguiram obter com Friends. A criação de David Crane e Marta Kauffman permanece como uma das séries de televisão mais acarinhadas pelo mundo inteiro, permanecendo após tantos anos nos tops semanais das plataformas que detêm agora os seus direitos. Dou por mim a pensar muitas vezes qual é aquele “friend” com que me identifico mais, mas sinto que um pouco de todos compensa a minha complexa personalidade mas, acima de tudo, são as interações entre Rachel, Monica, Ross, Joey, Chandler e Phoebe com que mais me consigo relacionar. Todos têm aspetos que são inerentes ao ser humano, personalidades que se vão completando, seja pelos seus defeitos ou virtudes, mas que, ainda assim, se unem em prol sempre do carinho que nutrem uns pelos outros.

Não gosto de dizer que tenho um “favorito” por si, porque todos encontraram um lugar muito especial no meu coração (sim, Ross haters, eu gosto muito do Ross à mesma!)… mas se há personagem com que me consigo rir e sorrir sempre que surge é Phoebe, provavelmente a maior outcast da série em termos de história. Phoebe tem devaneios tão deliciosos, rompendo muito com a seriedade dos clichés mais abundantes da série. Uma quirkiness que a torna tão divertida e tão fabulosa. É difícil não nos rendermos ao seu charme e a todas as suas peripécias; mas se pensarmos que Friends seria a mesma coisa sem qualquer um deles, então enganem-se. A série vive de ter personagens diferentes, um núcleo que funciona bem seja quem for que chega ao seio familiar de todos eles, sendo que há uma estima sempre gradual da forma como todos se tratam uns com os outros. Esta ideia de termos uma zona de conforto é totalmente e inequivocamente aliada à nossa vivência quotidiana e, tal como todos eles, também eu tenho um grupo que vejo como tal. Mesmo que surjam pessoas novas todos os dias, uns vão, outros regressam, mas estes permanecem sempre, independentemente do quanto a vida nos separa. Esta é a beleza com que nos podemos identificar com uma série: onde conseguimos ver com transparência algo que é facilmente relacionado connosco próprios.

Friends

Friends é uma peça fulcral no meu dia-a-dia, especialmente quando os ataques de ansiedade são frequentes e me deixam vulnerável. É aqui que encontro a minha força, a minha zona de proteção, e que nunca desilude, e não importa quantas vezes vejo e revejo os episódios. Todos eles trazem-me positivismo, e desmembrar o conflito entre coração e mente que se debate quando a ansiedade atinge de forma agressiva. É caso para dizer que o poder de Friends vai para além de umas simples piadas básicas e todos nós, de facto, precisamos de Friends nas nossas vidas. Costumo dizer que a família não é um termo que se prenda apenas com laços de sangue, mas sim pela forma como nos conseguimos relacionar com todo um grupo de pessoas que estão ao nosso lado, aprendem a lidar com os nossos maiores defeitos, e que não nos abandonam por decisões menos boas que tomamos ao longo da vida. Eles são uma família… e imprescindível de todas as formas. É por eles que mantemos a cabeça erguida e que, no final do dia, nos encontramos no café que já é parte da nossa identidade de grupo e onde nos sentamos a falar sobre as diversas investidas e partidas que a vida nos impinge. Sem eles, o nosso mundo desabaria e tornar-se-ia um vazio. Este texto é dedicado a todos os meus Friends de carne e osso e que receberam (e ainda recebem!) de braços abertos e a toda a família televisiva que durante dez temporadas ainda me continua a ajudar a levantar quando me sinto incapaz.

Friends é um reflexo de amizade, amor e vivência. E é a mais gratificante experiência televisiva da minha vida. E podia-me alongar muito mais, mas a verdade é que basta este pequeno texto para refletir sobre a capacidade que a 7ª arte tem de nos reconfortar e de nos dar força quando mais precisamos dela.

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