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M.O.D.O.K. – Season Finale – 1ª Temporada

MODOK Season Finale

CONTÉM SPOILERS OF M.O.D.O.K.!

Enquanto a Marvel abandona silenciosamente o serviço de streaming Hulu, algumas pérolas ainda permanecem em produção, com o recente Helstrom (que foi cancelado quase imediatamente após a sua estreia) e agora M.O.D.O.K., que se encontrará no serviço da Disney+ em Portugal e Brasil. Esta é a história bizarra de um supervilão egocêntrico, com uma cabeça gigante e um corpo pequeno, que vê a sua carreira ameaçada quando a sua organização A.I.M. pede o seu afastamento, para além de um casamento que está também à beira da ruína. M.O.D.O.K. (que é o acrónimo de Mental Organism Designed Only for Killing) precisa de manter os seus planos de destruir o mundo, mas ao mesmo tempo tem de manter a sua família unida e de defender a sua posição na organização que criou. Será que vai conseguir?

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O MELHOR:

M.O.D.O.K. é uma das adições mais criativas da Marvel em muitos aspetos.

A animação, que tira proveito de um stop motion que jamais pensaríamos ser aplicado num produto Marvel, é absolutamente engraçada, ainda que, inicialmente, custe a entranhar. Mas tem todas as particularidades deliciosas que permitem que o espectador esteja a ver algo  diferente do habitual e que refresca as personagens, permitindo uma mobilidade (e um gore deliciosamente divertido) especial do protagonista e impedindo que, visualmente, o espectador se disperse daquilo que é mais importante.

Para além disso, o elenco vocal é magnífico, liderado por Patton Oswalt, que encontra aqui um dos melhores papéis da sua carreira como humorista. Bebendo de influências como Rick and Morty (e do mais recente Solar Opposites, igualmente da Hulu), M.O.D.O.K. acaba por conseguir definir um rumo muito próprio para o seu desenvolvimento e vai incluindo progressivamente elementos novos e aleatoriamente hilariantes para manter firme a sua posição enquanto série de comédia. Obviamente que este não é um exercício de televisão recomendável para crianças, já que as piadas de M.O.D.O.K. são maioritariamente a incitar violência e uma ou outra que foge para o naughty, mas que surgem num contexto natural e fluem do início ao fim, deixando-nos deslumbrados com a atitude da Marvel em deixar de ser contida na apresentação das suas personagens. O humor delicioso acaba por ser respeitoso em elementos sociais, e veicula o seu maior foco de sarcasmo nos valores mais depreciativos do ser humano, e isso torna-a numa série genial e vertiginosa.

É também importante referir que o stop motion dá um toque muito próprio e especial a M.O.D.O.K., fugindo daquele registo já saturado que a Marvel nos tem presenteado ao longo dos anos, rompendo com as fórmulas cliché e permitindo uma liberdade artística diferente. Para além disso, grande parte das personagens são utilizadas na sua integridade, dando-lhes um cariz mais funcional que ornamental, assegurando que a série continue a florescer e a atribuir camadas aos seus intervenientes.

Com uma fotografia corajosa, personagens com atitudes muito específicas e fantásticas, M.O.D.O.K. afirma-se como aquela série animada que dá um twist bastante engraçado ao mundo dos super-heróis e supervilões (neste caso) e foge das convenções de restantes obras do género, abrindo portas para uma nova Marvel sem receio de cometer riscos e de apostar num humor mais “agressivo” e negro para apelar a uma comunidade adulta mais vasta.

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O PIOR:

Apesar de ser um triunfo dentro do género em que se insere, por vezes M.O.D.O.K. acaba por empanturrar os seus episódios de curtinha duração com demasiada informação.

Ainda que saiba articular bastante bem o fluxo dos eventos e do crescimento das personagens, sente-se um overstuffing dos episódios com a quantidade de piadas disparadas para todos os lados, e esta hiperatividade acaba por, muitas vezes, impedir que o espectador consiga acompanhar as diversas sátiras que são feitas. Tendo em conta que vinte e poucos minutos é o suficiente para dar a M.O.D.O.K. e companhia o tempo de antena necessário, era preciso filtrar um pouco mais a quantidade de eventos que decorrem nos mesmos para não saturar e para não cansar o espectador da temática. Isto também provoca alguns problemas de montagem, que começa a ser demasiado acelerada e a romper com algum do envolvimento que temos durante a visualização dos mesmos.

Ainda assim, M.O.D.O.K. é uma produção da Hulu que merece todo o mérito por fazer com que a gigante pertencente à Disney consiga sair do fosso criativo em que se encontra e de apalpar terreno para algo diferente e nada melhor do que um supervilão irreverente para nos fazer rir às gargalhadas com a sua pomposidade e ambição. Portanto, esperemos que M.O.D.O.K. receba o carinho dos fãs e que nos presenteie com mais temporadas divertidas e surpreendentes. A série chega na sua totalidade no dia 21 deste mês, quer ao serviço da Hulu, quer ao da Disney+, localizada na secção da Disney Star.

MODOK Season Finale

Estado da Série: STAND-BY

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Average Rating

M.O.D.O.K. é uma série da Marvel surpreendentemente hilariante, que conta com um elenco vocal muito talentoso e tem os elementos certos para melhorar as fórmulas cliché da Marvel em termos animados. No entanto, precisa de não colocar tanta informação nos episódios para nos deixar saborear um pouco a sua aleatoriedade.

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