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Crítica: I Am All Girls (2021)

I Am All Girls

CONTÉM SPOILERS DE I AM ALL GIRLS!

“Ntombizonke”

Mais de 350.000 crianças são traficadas pelo mundo todos os anos. Em pleno século XXI, tráfico humano, escravatura e a negação completa dos direitos humanos são duras realidades. I Am All Girls é o filme dedicado a todas as crianças vítimas destes crimes hediondos e que esperamos que traga não só mais consciencialização para o problema, mas acima de tudo mais ação.

O drama de crime e mistério estreou hoje na Netflix e teve a produção ao encargo da Nthibah Pictures. I Am All Girls é um filme Sul-africano, realizado por Donovan Marsh (Hunter Killer, Spud) e escrito por Wayne Fitzjohn e Marcell Greeff. O filme conta com Erica Wessels (Vlees van my vlees, Alles Wat Mal Is) e Hlubi Mboya (Hector and the Search for Happiness, Blood Drive) como protagonistas e tem ainda a presença de Deon Lotz (Mandela: Long Walk to Freedom) e Masasa Mbangeni (Scandal).

I Am All Girls

O filme de Donovan Marsh surge como uma fusão entre True Detective e The Punisher. Começa como um mistério criminal e passa para uma missão justiceira de vingança. Conjuga factos verídicos com drama, equilibra mistério e ação e destaca-se na exposição do tráfico infantil e na ineficiência da justiça.

A narrativa gira essencialmente em torno das personagens Jodie Snyman e Ntombizonke Bapai, e neste sentido Erica Wessels e Hlubi Mboya aguentaram bem o protagonismo. A relação e a dinâmica entre as atrizes é um ponto positivo, ainda que fique bastante por saber sobre as personagens. Mesmo se o realizador não se quisesse focar na vida das personagens, mas apenas nos acontecimentos, a relação entre Jodie e Ntombizonke podia ter sido aprofundada.

“phone my mommy”

I Am All Girls

I Am All Girls lida com temas pesados e faz o público senti-los bem. Cada descoberta de mais uma criança, de mais um abuso, de mais um ato abominável é de arrepiar a espinha – de notar um bom trabalho por parte do departamento de fotografia. A integração da ficção com a realidade também está bem realizada, permitindo um credível retrato dos acontecimentos passados na África do Sul, durante o apartheid, assim como daquilo que ainda ocorre na atualidade.

Onde podemos apontar mais claramente falhas ao filme é na sua criação do mistério. Começa de forma interessante como um filme de investigação criminal, com trabalho de detetive e mantendo algum suspense, mas rapidamente cai em generalidades de um thriller. O caminho de justiceira de Ntombizonke também é pouco aproveitado e podia ter sido dado um maior papel a Mboya, permitindo analisar não só o desejo de vingança mas, mais gratificante seria ver as posições sobre certo e errado em alturas em que o sistema político está podre ou quando o sistema judicial não funciona.

Se ficaram curiosos sobre a História da África do Sul ou querem aprofundar mais sobre o cinema sul-africano, algumas boas opções serão: Mandela, Invictus, The Gods Must Be Crazy e District 9.

“What’s legal isn’t always right. What’s right isn’t always what’s legal” – The Punisher

I Am All Girls

I Am All Girls é um drama criminal baseado em factos verídicos que impressiona pela exposição do tráfico infantil na Africa do Sul, tanto no passado como no presente. Apesar disso, fica aquém no desenvolvimento das personagens e em relação ao mistério e suspense.

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Título: I Am All Girls

Realização: Donovan Marsh

Elenco: Erica Wessels, Hlubi Mboya, Deon Lotz, Masasa Mbangeni, Israel Matseke-Zulu, Brendon Daniels 

Duração: 107 min.

Trailer | I Am All Girls

 

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