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Castlevania – Series Finale – 4ª Temporada

Castlevania Series Finale

PODE CONTER SPOILERS DE CASTLEVANIA!!!

Já é mais que certo e sabido que a Netflix tem vindo a investir em conteúdo original, quer no formato episódio ou em longa-metragem. Embora alguns dos seus produtos tenham deixado um tanto ou quanto a desejar, também deu-nos algumas propriedades que se têm mantido consistentes ao longo dos anos. Uma dessas propriedades é Castlevania, que trouxe o mundo macabro dos videojogos com o mesmo nome para o pequeno ecrã num formato animado, tendo-se mantido consistente temporada após temporada. No entanto, todas as coisas boas acabam por chegar ao fim, e é com esta quarta temporada que a série chega à sua conclusão, ainda que sob circunstâncias menos famosas.

Arrancando seis semanas após os eventos da temporada anterior, esta temporada final de Castlevania volta a reunir-nos com Trevor Belmont (Richard Armitage) e Sypha Belnades (Alejandra Reynoso), que regressam a Targoviste quando se deparam com uma conspiração que visa a ressurreição de Drácula (Graham McTavish). Ao mesmo tempo, Alucard (James Callis), que desistiu de viver como homem, vê-se a ajudar uma aldeia vizinha de constantes ataques das criaturas da noite. Ao mesmo tempo, tanto Carmilla (Jaime Murray) como Isaac (Adetokumboh M’Cormack) dão início às novas fases dos seus respetivos planos.

Castlevania Series Finale

O MELHOR:

De uma forma geral, Castlevania consegue chegar à sua conclusão de uma forma satisfatória e que corresponde ou excede as nossas próprias expectativas.

Ainda que tenha alguns problemas narrativos espalhados pelos seus 10 episódios de duração, especialmente no que refere ao ritmo a que estes se desenrolam, a verdade é que existe aqui uma determinação em conseguir fechar todas as pontas soltas possíveis de uma forma natural e definitiva. E embora hajam alguns desfechos que ficam em aberto – especialmente considerando que um spin-off da série se encontra em planeamento – a maior parte delas recebe a sua devida conclusão. Não é um sistema perfeito, mas acaba por cumprir os seus objetivos.

Num ponto de vista técnico, Castlevania continua em boa forma, mesmo após três temporadas e terem-se encontrado em produção no meio da pandemia. Há que ressaltar que os episódios 6 e 9 merecem todo o apreço possível, conseguindo demonstrar um casamento perfeito entre a animação invejável da série e todo o sangue e gore das batalhas que a série nos proporcionou até à data.

Castlevania Series Finale

Com uma nova temporada, também chegam personagens inéditas (ou familiares, para os fãs dos videojogos). E a maior parte destas novas entradas acaba por surpreender pela positiva. Temos Malcolm McDowell como Varney, um vampiro inglês que tem planos para ressuscitar Drácula (e guarda consigo um plot twist imprevisível e impressionante); temos Titus Welliver como Ratko, o braço-direito de Varney nos seus planos; Toks Olagundoye como Zamfir, a guarda de Tarcoviste que serve como uma pedra no sapato para Trevor e Sypha durante a sua estadia. No entanto, a grande revelação paira em Greta (Marsha Thomason), a líder da aldeia que acaba por servir como contra-balanço de Alucard, dando-nos uma dinâmica demasiado deliciosa.

Claro que Castlevania não a série pela qual é conhecida se o seu trio protagonista não estivesse à altura dos seus respetivos desafios. E embora ArmitageReynoso consigam desempenhar os seus trajetos de forma fidedigna, a verdade é que Callis e o seu Alucard acabam por ser os grandes vencedores desta temporada final. Depois de ter sido desperdiçado na temporada anterior, o personagem vê-se completamente redimido dessa falha nesta ronda final, mostrando um Alucard dividido entre a sua herança paternal e a sua própria humanidade. Ter uma personagem como Greta a seu lado não só ajuda Alucard a reconhecer os seus próprios defeitos, mas também mostra a sua vontade de crescer e evoluir.

Castlevania Series Finale

O PIOR:

Não existe muito por apontar no que refere a esta temporada final de Castlevania, mas há um ou outro ponto que, apesar de não manchar por completo a reputação da série, acaba por não dar uma melhor experiência.

Começando com uma escolha narrativa duvidosa em relação a um dos personagens centrais da temporada, cujo plot twist poderia ter sido mais eficaz se tivesse sido empregue já perto do final. Deste modo, o twist teria um maior impacto, e certamente concederia uma maior sensação de intriga e imprevisibilidade para os fãs.

A outra questão reside na componente técnica, especificamente em relação ao som. Fica a ideia de que a série precisava de só mais um pouco de tempo para limar essas arestas, resultando em momentos em que os diálogos dos personagens tornam-se quando difíceis de decifrar, já para não falar da reciclagem de alguns efeitos sonoros de forma generosa.

Ainda assim, Castlevania conseguiu concluir o seu rumo nos seus próprios termos. Ainda que não tenha dado algumas dicas sobre o que podemos esperar no futuro – ironicamente, a incógnita do futuro é um tema recorrente da temporada – pelo menos consegue oferecer um final definitivo a uma série que, durante quatro temporadas, conseguiu quebrar com a velha maldição sobre adaptações de videojogos para o meio cinematográfico, um feito que nem todos os filmes no grande ecrã conseguiram ainda alcançar. Resta esperar para ver o que virá a seguir.

Podem ler a nossa Mini-Review anterior de Castlevania aqui.

Estado da série: TERMINADA

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85%
Average Rating

Apesar de ter algumas imperfeições ocasionais, Castlevania consegue encerrar o seu ciclo com chave de ouro, oferecendo resoluções fidedignas ao seu universo, ao mesmo tempo que oferece um pouco mais do melhor que a série nos entregou no passado.

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