Cinema Críticas

Crítica: Oxygène (2021)

Oxygène Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE OXYGÈNE!

Alejandre Aja é um dos poucos cineastas franceses que é ousado o suficiente para se aventurar num género atípico no país: o terror. É um que não tem medo de utilizar gore explícito com alguma suavidade argumentativa, como apresentou em Haute Tension e o remake de The Hills Have Eyes. Continua a investir neste género e o seu mais recente filme prova que o cineasta ainda tem alguns trunfos na manga, ainda que tenha uma certa dificuldade em manter consistência do início ao fim. Oxygène conta a história de Liz, uma mulher que acorda subitamente dentro de uma câmara criogénica, sem memória e com os níveis de oxigénio a cair a pique a um ritmo que pode colocar a sua vida em risco. Para tentar salvar-se desta situação, Liz precisa de se relembrar do seu passado em busca por uma alternativa de mudar o seu cruel destino.

Oxygène Critica de Cinema

Distribuído pela Netflix, Oxygène é uma obra que está confinada dentro de um espaço muito pequeno e onde Mélanie Laurent brilha, mesmo que o argumento não lhe faça justiça. Tendo apenas o contacto da inteligência artificial M.I.L.O., que comanda o software da câmara em que se encontra, Liz vai gradualmente tentado várias artimanhas para impedir que morra trancada num destino cruel. Esta premissa podia resultar a longo prazo se Aja não se desleixasse em termos de realismo, procurando desenfreadamente um desenlace apressado e que não assenta propriamente em credibilidade com aquilo que vamos acompanhando ao longo da película. Apesar de entreter, e de nos ir alimentando uma estranha curiosidade em querermos desvendar o mistério, Oxygène acaba por não surpreender, ficando-se por algo demasiado simples e previsível e sem o carisma que, por exemplo, foi conseguido em Buried, com Ryan Reynolds.

Em termos técnicos, Oxygène é bastante competente, e Aja consegue trabalhar com alguma mestria a câmara para nos criar o ambiente claustrofóbico, mas o design moderno que é atribuído no cenário acaba por nunca nos deixar a temer pelo desfecho da protagonista. O filme também acaba por se perder um pouco em expor aquilo que realmente importa e, enquanto vamos vendo as memórias de Liz, procuramos por pistas demasiado óbvias (e que o argumento honestamente não se esforça muito para parecer inteligente), fazendo com que nos aborreçamos frequentemente com a ausência de elementos de terror que nos deixem verdadeiramente arrepiados. Apesar da prestação de Laurent ser extremamente competente, Oxygène é um filme que acaba por não trazer muita novidade e o seu ato final compromete o realismo de uma situação que, durante os dois primeiros atos, parece minimamente credível.

Oxygène Critica de Cinema

Em suma, Oxygène é um filme que entretém, que até consegue captar a nossa curiosidade e mantê-la até certo ponto, mas carece de um eixo preciso e que acaba por descambar no ato final com algo muito apressado e hollywoodesco, fazendo com que o espectador nunca se sinta desafiado em tentar perceber a história porque, de alguma forma, ela torna-se demasiado óbvia. Ainda assim é bom haver alguém que se preocupe em modificar as fórmulas e enveredar por águas ainda pouco exploradas do cinema de terror, e Aja é um lutador que vai à procura sempre de novas formas para impressionar. Mesmo que não tenha sido propriamente bem sucedido com Oxygène, não deixa de revelar algumas capacidades interessantes de realização e, acima de tudo, de escolher a dedo as suas protagonistas que são versáteis e credíveis na exploração das suas personagens.

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Título: Oxigénio

Título Original: Oxygène

Realização: Alexandre Aja

Elenco: Mélanie Laurent, Malik Zidi, Laura Boujenah, Mathieu Amalric, Anie Balestra.

Duração: 100 min.

Trailer | Oxygène

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