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Crítica: Mainstream (2020)

Mainstream Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE MAINSTREAM!!!

Atualmente, vivemos na era da Internet, em que indivíduos comuns mostram-se à frente do ecrã e espalham os seus conhecimentos e conselhos para os seus fãs. Alguns deles são alvo de louvor pela sua criatividade ou humor, mas há outros que exibem um comportamento tóxico que traz ao de cima o pior que o ser humano pode representar. É este o contexto em que podemos encontrar este Mainstream, que marca o regresso de Gia Coppola para a realização.

Frankie é uma bartender que ambiciona tornar-se numa figura de sucesso dos vídeos virais. Esta encontra a sua inspiração quando conhece Link, um homem misterioso com uma posição vincada sobre os efeitos das redes sociais na vida dos cidadãos. Juntamente com Jake, colega de Frankie e escritor, Frankie e Link ambicionam tornar-se no maior fenómeno da Internet. Mas será que se conseguirão controlar quando alcançarem o sucesso?

Mainstream Crítica de Cinema

Torna-se bastante aparente, logo no início, que Mainstream tem grandes ambições. Com a pandemia ainda em forma, muitos de nós refugiámo-nos nas redes sociais como uma forma de nos abstrairmos da dura realidade que nos rodeia. Não podemos negar o impacto positivo que as redes sociais proporcionaram, não só para os vloggers, mas também para os pequenos negócios pessoais. No entanto, ainda concentrando nas celebridades dos Tik ToksLives e afins, o excesso de poder e influência é contagiante, despertando o pior que o ser humano pode fazer. Dito isto, torna-se óbvio que as intenções de Gia Coppola seriam de satirizar esta camada específica, além de servir de advertência para os perigos que a Internet pode proporcionar. Infelizmente, as suas boas intenções não chegam para salvar o filme.

Sendo justo, a primeira metade do filme é rica em energia, com o sucesso do trio a ser contagiante para todos nós deste lado. E esta energia é espelhada na prestação de Andrew Garfield, que mete a sua veia dramática em “pausa” e entrega-nos um Link completamente tresloucado e que aos poucos começa a deixar-se absorver pelo poder e influência que vai encontrando.

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No entanto, tudo o resto deixa imenso a desejar. Em termos narrativos, o filme obedece a uma estrutura já familiar, retratando os inícios “humildes” dos protagonistas, passando de seguida à glória e, obviamente, até ao momento em que tentam manter-se relevantes, custe o que custar. É uma abordagem familiar que, infelizmente, não deixa muitas oportunidades para surpreender pela positiva.

O campo técnico também não é dos melhores, com uma montagem claramente tresloucada e que deixa uma maior confusão do que uma ideia clara do que estamos a ver. Já para não falar de o filme investir na “censura” de algumas cenas com emojis: deixa o seu lado mais quirky inicialmente, mas é um sistema que começa a perder o seu impacto.

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Apesar de ter uma mensagem clara, fica a ideia que a sua posição é mais subjetiva do que objetiva. Claro que as celebridades da Internet trazem impactos nocivos para os jovens e adultos de hoje em dia, mas também não se pode esquecer do bom que estas influências podem trazer. No entanto, parece que Gia Coppola esqueceu-se desse pequeno – mas importante – detalhe.

Garfield é praticamente a estrela do filme, com uma performance tresloucada que entretém, embora não esteja a par de outras performances que o ator já nos mostrou no passado. No entanto, o resto do elenco fica aquém do desejado, entregando performances enfadonhas ou cliché desde o primeiro até ao último minuto. E considerando que, além de Garfield, o filme ainda conta com Maya Hawke (vista na terceira temporada de Stranger Things), Nat Wolff ou Jason Schwartzman em performances fracas, nota-se que algo de errado se passa.

Em suma, Mainstream é um filme que tenta manter-se relevante nos tempos modernos, mas acaba por se tornar num produto oco e sem essência (se bem que tem energia que chegue, mas isso não chega) e que falha na sua missão de satirizar toda uma camada de artistas e celebridades que obtêm ainda mais fama ao minutos.

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Título: Mainstream

Realização: Gia Coppola

Elenco: Maya Hawke, Andrew Garfield, Nat Wolff, Jason Schwartzman, Johnny Knoxville

Duração: 94 minutos

Trailer | Mainstream

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