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Crítica: In the Earth (2021)

In the Earth Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE IN THE EARTH!

Ben Wheatley é um cineasta que foge um pouco dos conceitos mais banais do cinema. Ainda está à procura de encontrar um estatuto confortável na comunidade cinematográfica e o seu novo exercício, filmado durante o auge da pandemia de COVID-19, é mais uma tentativa. Martin e Alma são um cientista e uma guarda-florestal respetivamente e, numa missão de rotina, são apanhados desprevenidos por um transeunte que os submete a um ritual bizarro e mortífero, colocando as suas vidas em perigo. Mas algo nesta floresta foge ao normal… e assim que vão fugindo do seu perseguidor, ambos deparam-se com uma realidade mais assustadora do que pensavam.

In the Earth Critica de Cinema

In the Earth é um produto curioso, que rompe com a fórmula típica dos filmes de terror convencionais, utilizando um elenco reduzido e recursos práticos para criar uma viagem alucinante e psicadélica sobre a relação do ser humano com a natureza. É um filme de difícil digestão, mas o estilo de Wheatley brota de todas as suas imagens, com recursos a efeitos sonoros e visuais que assentam que nem uma luva, deixando-nos curiosos com o desenvolvimento desta bizarra e imprevisível narrativa. A atmosfera é absolutamente desconfortável, tirando proveito de uma direção de fotografia esplendorosa e de um clima de tensão acutilante. As prestações, no seu geral, ajudam a manter a curiosidade do espectador, ainda que não consiga explicar-se convenientemente no tipo de mitologia que quer abordar. É caso para dizer que In the Earth tem elementos muito interessantes, mas Wheatley tem dificuldade em fazer sentido deles todos, caindo numa frustração argumentativa que, infelizmente, mancha o filme a caminho do seu desenlace.

Apesar de ser uma obra surpreendente a muitos níveis, In the Earth acaba por se afogar um pouco nas suas ambições, mas é um filme onde Wheatley revela que não são necessários muitos recursos para criar uma atmosfera de terror lúgubre e onde a natureza é o símbolo que acompanha o desenrolar da ação, tornando-se, ela mesmo, uma personagem em si. Embora Joel Fry não tenha o carisma para conduzir o filme com firmeza, já a sua colega Ellora Torchia revela-se uma boa surpresa, para além de Reece Shearsmith e Hayley Squires conseguirem manter o suspense de ambas as suas personagens em alta durante todo o filme. Independentemente da bipolaridade argumentativa que acaba por reduzir o impacto de In the Earth no público, já todos os restantes aspetos elevam-no a algo muito sensorial e que tira proveito de elementos simples e básicos mas eficazes em transpor uma insegurança instável que nos persegue (e aos protagonistas) do início ao fim da película.

In the Earth Critica de Cinema

Mesmo não sendo uma obra-prima, In the Earth afirma-se como um tipo de cinema curioso e que pode ser uma forma de expressividade artística que tem potencial, mas que necessita de alguma coerência para nos deixar verdadeiramente rendidos a ela. É uma tentativa que merece visibilidade, ainda que o seu realizador não consiga segurar as rédeas de todos os elementos que quer incutir na mesma, pecando por não ser coeso na exposição da mitologia e de se dispersar na justificação daquilo que vamos vendo ao longo do seu desenvolvimento. Ainda assim é necessário dar mérito a um produto feito com uma ideia diferente do habitual e com características próprias que lhe conferem um certo carisma pessoal, podendo ser pioneiro numa forma de cinema mais sensorial e que pode marcar pela diferença com um argumento mais estável.

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Título: Na Terra

Título Original: In the Earth

Realização: Ben Wheatley

Elenco: Joel Fry, Reece Shearsmith, Hayley Squires, Ellora Torchia, John Hollingworth, Mark Monero.

Duração: 107 min.

Trailer | In the Earth

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