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Crítica: Chaos Walking (2021)

Chaos Walking Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE CHAOS WALKING!

Provavelmente um dos filmes mais antecipados do ano, Chaos Walking é, de facto, um dos filmes mais caóticos e pouco desenvolvidos deste início de ano. A história recai sobre um planeta distópico, onde os habitantes são todos do sexo masculino e têm uma habilidade em que os seus pensamentos podem ser ouvidos à distância. Nisto, assim que uma jovem aterra no planeta, os líderes das comunidades rapidamente a veem como uma ameaça, e tentam capturá-la para evitar que o seu reinado termine. Com um elenco de luxo, Chaos Walking tem uma premissa, no mínimo, curiosa, e um realizador com algum currículo nesta ideia de “superpoderes”, mas o resultado é precário e sem uma explicação plausível, deixando-nos frustrados ao longo da sua duração.

Chaos Walking Critica de Cinema

Protagonizado por Tom Holland (que anda a diversificar a sua carreira, mas ainda não conseguiu arranjar um filme que faça jus ao seu talento pós-Spider-Man) e Daisy Ridley, fresca depois do término da mais recente trilogia de Star Wars, Chaos Walking tira proveito de um elenco talentoso, apenas para os reduzir a personagens clichés e inseri-los numa sequência de eventos que não tem nada de propriamente muito original, apenas o “ouvir os pensamentos das mesmas”. E este aspeto aparentemente diferente é também problemático, já que o filme parece uma reunião de Zoom em que ninguém se entende, e torna-se mais objeto de comédia do que propriamente algo a ser aproveitado para expor a sua história. A carência de elementos fortes e de uma mitologia credível, fazem com que Chaos Walking perca todo o seu valor, desperdiçando o talento dos seus protagonistas e restantes atores como Mads Mikkelsen, Demián Bichir, Kurt Sutter, Cynthia Erivo e por aí fora. Todos eles acabam por ser reduzidos a clichés pouco substanciais e a sua relevância narrativa é facilmente descartada.

A realização de Doug Liman tenta fundir vários estilos que não surtem efeito, construindo uma amálgama de sequências em que não há um clique nos espectadores que as acompanham. Tudo é disperso e superficial, dando origem a uma aventura sem grande propósito e sem algo que nos prenda a querer acompanhar. Embora Holland e Ridley tenham uma química adorável entre si, nada disto consegue ser suficiente para tirar Chaos Walking da mediocridade e, embora um plano de câmara ali ou acolá que até está bem conseguido, todo o fluxo do filme é levado meramente por clichés cansativos e sem algo refrescante.

Chaos Walking Critica de Cinema

Infelizmente, Chaos Walking é um filme caótico em muitos aspetos e nenhum deles parece conseguir tornar-se positivo. É evitável, sem conteúdo, feito exclusivamente para massas e chega mesmo a ser incomodativo com os pensamentos pobres de uma sociedade masculina que tem dificuldades em expressar-se. Pior do que isso, é mesmo sentirmo-nos incomodados com este “Noise” (que é o termo atribuído a estes pensamentos em voz alta), e de nos fazer relembrar daquelas reuniões virtuais onde todos se atropelam a falar e, para isso, não valia a pena termos um filme que nos recorde de tal coisa.

Chaos Walking é, portanto, uma das primeiras grandes desilusões do ano e que não traz nada de novo ou original ao panorama cinematográfico atual, utilizando um elenco de luxo que é reduzido a praticamente nada que já não conheçamos. Ainda assim, continuamos a torcer por Holland e pela sua carreira que, como sabemos, nunca se constrói do dia para a noite e nem todos os projetos são, de facto, os melhores para o fazer. Depois do fracasso de Cherry, Chaos Walking é o ano de consciencialização para este jovem ator que deve procurar algo que seja mais substancial e que lhe alimente a ambição de continuar a crescer em Hollywood.

Chaos Walking Critica de Cinema

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Título: Chaos Walking

Título Original: Chaos Walking

Realização: Doug Liman

Elenco: Tom Holland, Daisy Ridley, Demián Bichir, David Oyelowo, Kurt Sutter, Cynthia Erivo, Bethany Anne Lind, Mads Mikkelsen, Nick Jonas, Ray McKinnon.

Duração: 109 min.

Trailer | Chaos Walking

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