Cinema Críticas

Crítica: Voyagers (2021)

Voyagers Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE VOYAGERS!

A ficção científica tem sido um género onde os cineastas têm tentado enaltecer a vivência humana e no isolamento físico, psicológico e mental que advém de um confinamento longo e árduo. Ainda há pouco vimos Robert Pattinson a batalhar com os seus demónios em High Life, tratando de um bebé numa nave espacial desabitada, enquanto desvendamos o mistério que o levou a estar sozinho nesse mesmo vaivém; também Alfonso Cuarón retratou com Gravity o impacto que este isolamento depressivo e de preparação árdua numa Sandra Bullock vertiginosa. Agora, é a vez de Neil Burger, que nos trouxe o aclamado The Illusionist, de tentar a sua sorte ao colocar um grupo de jovens e um mentor, sob a forma de Colin Farrell, numa missão onde crianças são enviadas para colonizar o próximo planeta onde será possível habitar, já que a terra está em declínio. No entanto, ao crescerem, um acidente no seu vaivém faz com que estes jovens comecem a desenvolver comportamentos atípicos e que colocam em risco a sua sobrevivência.

Voyagers Critica de Cinema

Voyagers é um daqueles casos onde as intenções estão bem patentes nas características das personagens, mas há uma preguiça de ir um pouco mais além. É um conto onde Burger tenta refletir sobre a adolescência num meio controlado e em como as hormonas despoletam instintos que podem ter consequências graves na prosperidade da raça humana. É caso para dizer que Voyagers é uma versão de The 100 que deixa a parte aventureira e se foca nas personagens, utilizando prestações maioritariamente competentes para intensificar os problemas mais óbvios num meio fechado em si mesmo. Mesmo que todo o design da película, seja em termos técnicos ou em sequências dramáticas, até consiga criar uma atmosfera porreira para estarmos investidos, a escrita de Burger acaba por ceder aos clichés e a uma previsibilidade que compromete a visão do próprio realizador. É quase como se Voyagers fosse um filme redundante, mesmo que se esforce para parecer que não e que tem uma missão maior do que as suas partes.

É também pena que a inclusão de certos elementos metafóricos não resultem, para além das relações entre as personagens começarem a entrar em decadência (não só no sentido literal, mas também no figurativo) que não consegue transmitir com força uma mensagem que pareça coerente aos olhos dos espectadores. Ainda que Burger consiga criar tensão e fazer-nos temer pelo que se avizinha, alimentando uma atmosfera constante de medo e pânico, Voyagers acaba por não chegar a lado nenhum com o que pretende transpor, perdendo-se numa monotonia e numa previsibilidade que se torna incomodativa a longo prazo. Nem mesmo o curto papel de Colin Farrell consegue ajudar… já que os protagonistas, Lily-Rose Depp, Tye Sheridan e Fionn Whitehead são reduzidos aos típicos heróis/vilões formulaicos e que não trazem nada de particularmente novo para o panorama atual da ficção científica.

Voyagers Critica de Cinema

Sendo um género concorrido, é preciso que os argumentistas não percam o seu foco e que transpareçam de forma clara as intenções do seu produto. Voyagers tinha material para ser melhor… muito melhor do que realmente é, e nota-se a fragilidade de Burger em querer roçar a superfície de algumas temáticas que rapidamente recua para não chocar o público com uma ousadia que, aqui, era mais que necessária. No entanto, e porque não deixa de entreter e de preservar algum clima desconfortável, Voyagers acaba por ser algo muito banal, mas carece de algo mais forte para acompanhar os seus valores de produção.

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Título: Viajantes

Título Original: Voyagers

Realização: Neil Burger

Elenco: Tye Sheridan, Lily-Rose Depp, Fionn Whitehead, Chanté Adams, Quintessa Swindell, Archie Madekwe, Isaac Hempstead Wright, Viveik Kalra, Archie Renaux, Colin Farrell.

Duração: 109 min.

Trailer | Voyagers

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