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Crítica: The Dark Divide (2020)

The Dark Divide

Uma batalha contra a Natureza. Uma batalha contra o cancro. Uma batalha contra o… Bigfoot.

The Dark Divine é o nome deste filme e também o nome pelo qual é conhecido um dos maiores, mais inexplorados, mais selvagens e subdesenvolvidos locais dos EUA – Gifford Pinchot National Forest. Em 1995, o reconhecido especialista em borboletas Robert Pyle embarca numa saída de investigação, durante seis semanas, nestas terras selvagens e desprotegidas da América. Na procura de novas espécies de borboletas, o que Pyle irá encontrar é mais do que estava à espera.

Esta comédia dramática que retrata a aventura de Robert Pyle é baseada em factos verídicos e no livro Where Bigfoot Walks: Crossing the Dark Divide escrito pelo cientista após a jornada. The Dark Divine foi realizado/adaptado/produzido por Tom Putnam (Burn, Marwencol) e é a primeira longa-metragem produzida pelos REI Co-op Studios. David Cross (vencedor de um Emmy e duas vezes nomeado a Grammy) dá vida a Robert Pyle, Debra Messing (várias vezes nomeada a Globo de Ouro e vencedora de Emmy) interpreta Thea Pyle e temos David Koechner (AnchormanThe Goldbergs) no papel de Shayne. O filme estreou nos cinemas em 2020 apenas nos EUA e no Canada, mas estará agora disponível a nível mundial com o lançamento em plataformas digitais.

The Dark Divide

“Get lost. Find yourself.”

The Dark Divine prometia ser um filme para os amantes da natureza, para os aventureiros, para os que gostam de rir e para os que queriam aprender mais sobre uma história verídica. Infelizmente, o filme seguiu muito à letra a primeira parte do seu motto – “Get lost”, mas não tanto a segunda parte – “Find yourself”. A narrativa apresentada é confusa, parecendo por vezes incompleta, as perguntas que aspira responder ficam por ser feitas na totalidade e a maioria das respostas perdem-se no caminho.

No final não aprendemos quase nada sobre a vida e trabalho de Robert Pyle. A relação com a sua mulher Thea e a batalha contra o cancro parecia, ao início, que ia ser um dos focos do filme, e apresentava potencial para algo envolvente, mas foi perdendo relevância. O envolvimento do Bigfoot é um mistério não por resolver, mas que nem se percebe onde encaixa bem no enredo. A decisão dos produtores de alterarem em The Dark Divine o objetivo da bolsa Guggenheim ganha por Pyle, que na realidade foi para investigar a existência do Bigfoot e não de novas espécies de borboletas e traças, é logo um dos primeiros tropeções que contribui para a perda de identidade e impacto do filme.

O fator comédia, pelo trailer, aparentava ser um dos pontos fortes de The Dark Divine, mas tudo o que faria rir foi logo visto nesse trailer. Para além disso, muitas das piadas, no final, nem sequer resultaram tão bem no filme em si. O trapalhão, ingénuo e cómico Robert Pyle transparece mais um sentimento de compaixão e desvalorização da personagem e não tanto de comédia.

Em relação à cinematografia, é uma pena que não tenha havido maior investimento, pois se a qualidade das imagens fosse superior, a beleza do mundo natural teria sido expressa com muito mais encanto. Nota-se uma falta de experiência na produção cinematográfica (ou de fundos, ou os dois), desde cenas à noite que não funcionam muito bem, até à cena da caverna e a cena do quase afogamento que roçam o amadorismo.

The Dark Divide

Isto quer dizer que nada se aproveita do filme? Também não é preciso ser tão duro. Apesar de tudo The Dark Divine consegue levar-nos numa interessante aventura de coragem, perseverança, desafios e autodescoberta. Os cenários, como disse podiam ser melhores mas, não deixam de ser harmoniosos e cativantes, funcionando muito bem em conjunto com os sons. O trabalho dos The Avett Brothers no soundtrack do filme permite uma experiencia mediativa e uma realista envolvência dos sons da Natureza. No meio de tudo isto, a gema do filme consegue ser a poderosa interpretação de David Cross – sem dúvida uma das mais comoventes da sua carreira, que juntamente com a mensagem de conservação da Natureza, tornam The Dark Divine um filme que merece ser visto.

The Dark Divide

The Dark Divine tenta contar uma história lírica da aventura de Robert Pyle e apesar de suceder em alguns pontos ficam muitas gralhas por corrigir. O que podia ter sido ótimo fica razoável. David Cross e The Avett Brothers roubam o protagonismo do filme e tornam a experiência merecedora.

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Título: The Dark Divide

Realização: Tom Putnam

Elenco:  David CrossDavid KoechnerDebra Messing

Duração: 107 min.

Trailer | The Dark Divide

 

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