Cinema Críticas

Crítica: The Man Who Sold His Skin (2020)

the man who sold his skin

Afinal, o que constitui a liberdade pessoal? Haverá, e nesse caso qual será, o ponto de rutura a que nos vemos obrigados a abdicar do nosso direito mais fundamental? The Man Who Sold His Skin é a história de Sam Ali, um refugiado sírio, que se vê numa situação de desespero, separado à força de Abeer, a mulher que ama, num país abalado por guerra. Assim, Sam aceita ser uma obra de arte humana, forçado contratualmente a ser exibido em museus e vendido em leilões, passando a ser então objecto de possessão; em troca, Sam pode legalmente mudar-se para a Europa, onde está Abeer.

The Man Who Sold His Skin mostra uma situação que a maioria de nós nem sonha viver. Aliás, o filme toca na ferida grotesca que é a impensável situação de muitos refugiados, a qual ouvimos falar todos os dias, durante tantos anos. Qual de nós pode julgar a decisão de um homem desesperado, sem nada a perder? The Man Who Sold His Skin é um fantástico trabalho de justaposição, entre a ignorância e a dura consciência, entre o ter tudo e o não ter nada, e entre a liberdade dentro do mundo da arte e a liberdade humana.

the man who sold his skin

Yahya Mahayni brilha como Sam Ali. Dele flui um homem com determinação, um sempre presente sentido de humor, e uma paixão que o leva, literalmente, a vender a sua alma. Dea Liane faz também um encantador trabalho como Abeer, no entanto as personagens para além de Sam não são muito exploradas infelizmente, nem lhes é dado muito contexto.

The Man Who Sold His Skin faz uso de uma arrebatadora banda sonora, que transforma todo o mundo de Sam numa exibição. Conjugada com os enquadramentos como se de um quadro o próprio filme se tratasse, e a contrastante iluminação fria/quente nos vários momentos dentro e fora do palco, a obra transmite pesadamente o efeito que a decisão de Sam tem sobre a sua vida.

The Man Who Sold His Skin peca um pouco por ter tanto simbolismo, torna-se algo forçado e pretensioso, acabando por desviar o foco do assunto principal. Parece também um tanto inacabado em relação ao desenvolvimento das personagens e das relações entre si.

the man who sold his skin

O filme, da realizadora Kaouther Ben Hania, é um bom comentário sobre os limites de quem se agarra com unhas e dentes à esperança de uma vida melhor, e ao absurdo que é o valor de uma vida humana no lado oposto da balança ao material. Porém, The Man Who Sold His Skin poderia ter ido mais além neste tema, ao invés de ser feito tanto “a medo”, mal raspando a superfície do que é a liberdade, o desespero e os direitos humanos.

 

Título: The Man Who Sold His Skin

Realização: Kaouther Ben Hania

Elenco:  Yahya MahayniDea LianeKoen De Bouw 

Duração: 104 minutos

 

Trailer – The Man Who Sold His Skin

Comments