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Rutherford Falls – Season Finale – 1ª Temporada

Rutherford Falls season finale

PODE CONTER SPOILERS DE RUTHERFORD FALLS!!!

Nós, deste lado, somos fãs do trabalho de Michael Schur, com as suas comédias não só a resistirem ao teste do tempo, mas também por obterem um estatuto de culto dentro do universo das sitcoms. Sem o seu contributo, não teríamos séries como The OfficeParks and RecreationThe Good Place ou Brooklyn Nine-NinePor isso, é mais do que óbvio que estaríamos atentos ao seu novo projeto televisivo, Rutherford Falls. Será que valeu a pena a espera?

Criada por Schur lado-a-lado com Ed Helms e Sierra Teller Ornelas (mais conhecida por ter trabalho na série Superstore), Rutherford Falls centra-se em Nathan Rutherford (Helms), um historiador e último membro da família fundadora da pequena cidade titular. Quando a presidente da câmara revela o seu desejo de remover a estátua do fundador da cidade (que, ironicamente, se encontra no meio da estrada!), Nathan fará de tudo para impedir que tal aconteça. Ao mesmo tempo, Nathan terá de lidar com os avanços constante de Terry Thomas (Michael Greyeyes), o dono de um casino nativo, que tem os seus próprios planos para a cidade.

Rutherford Falls season finale

O MELHOR:

Rutherford Falls pode muito bem vir a ser uma das comédias mais revelantes deste muito, muito por colocar a comunidade nativa-americana no centro da ação.

Trazer esta comunidade para o ecrã tem sido um desafio para vários escritores, produtores e realizador durante anos, resultando em instâncias em que esta comunidade é vista através de estereótipos ultrapassados ou outras instâncias de white-washing. Por isso é que é refrescante vermos uma série com este calibre a demonstrar uma clara atenção e cuidado pela forma como estes indivíduos são tratados, o que também é traduzido pelas prestações de alguns deles que merecem reconhecimento (mais um pouco sobre isso mais à frente).

Grande parte desse tratamento advém dos esforços de Teller Ornelas, que fez história no mundo da televisão como sendo a primeira mulher nativo-americana a servir de showrunner de uma série. A escritora traz consigo as suas experiências de vida e traz à vida uma forma completamente diferente do que estamos habituados. Vemos aqui uma comunidade que, ao mesmo tempo que tenta manter-se ligada aos costumes de outrora, também tenta encontrar uma espécie de relevância num mundo cada vez mais modernizado. E isto acaba por se tornar num dos temas principais que Rutherford Falls tem à sua disposição.

Rutherford Falls season finale

Por esta altura, Ed Helms dispensa quaisquer apresentações, e embora este se entregue de forma carismática ao seu Nathan, o ator é (merecidamente) ofuscado pelo restante elenco, composto maioritariamente por atores nativo-americanos em papéis de enorme relevo. O caso mais sonante é o de Reagan Wells (Jana Schmieding): embora desempenhe o papel de melhor amiga de Nathan, esta também possui um arco definido no princípio ao fim, além de contribuir com uma visão de conflito interno como uma nativo-americana que se “desprendeu” da comunidade para ir mais além e não ser bem sucedida quanto desejava. Schmieding tem aqui alguns momentos engraçados e adoráveis, mas em nada ofuscam aqueles momentos mais fortes que nos encoraja a torcer por ela e pelos seus desejos. Em contraste, Greyeyes é também a revelação da série, mostrando um personagem que podia ter sido facilmente escrita como um antagonista clássico, mas com alguns momentos de complexidade que suscitam o nosso interesse coletivo (o 4º episódio da série é um destaque das suas capacidades enquanto ator).

Um pequeno aparte para apreciar os contributos de Jesse Leigh, que é simplesmente hilariante como comic-relief, especialmente enquanto lança alguns trejeitos claramente relacionados com a camada mais juvenil.

Rutherford Falls season finale

O PIOR:

Apesar das suas intenções nobres, Rutherford Falls deixa a desejar no departamento da comédia.

Não que se revele ineficaz – aliás, tem alguns momentos que até conseguem ser engraçados, seja na comédia física ou mesmo em algumas piadas inteligentes – mas a maioria não tem aquele toque de génio que se esperava, considerando o talento por detrás da escrita.

Fica a ideia que, apesar de ter a comunidade nativo-americana no centro das atenções, outras personagens acabam por perder o destaque ou não têm o mesmo cuidado demonstrado. É o caso de Deidre Chisenhall (Dana L. Wilson), a presidente da cidade que, aparte de uma rivalidade entre Nathan e Terry, pouco ou nada sabemos sobre ela, exceto o facto de ser a primeiro mulher de cor a presidir na cidade (facto esse que se repete vezes e vezes sem conta durante a temporada!).

Mas é claro que, sendo uma primeira temporada, Rutherford Falls pode estar ainda a encontrar a sua própria identidade, e isso pode ser facilmente remediado através de temporadas conseguintes. Não seria verdadeiramente inédito, uma vez que tanto The Office como Parks and Recreation tiveram o mesmo problema no passado.

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Apesar desse problema, Rutherford Falls é uma sitcom simples e de fácil digestão. Tem uma premissa interessante e que tem pano para mangas, não só para explorar mais a fundo a vida desta pequena cidade, mas também como um método diferente de trazer respeito e dignidade a uma comunidade que já deveria ter sido respeitada há muito. E este é um bom primeiro passo em frente.

Para já, desconhece-se se Rutherford Falls terá direito a uma segunda temporada. Até lá, podem ler outras das nossas Mini-Reviews aqui.

Estado da série: STAND-BY

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Average Rating

Ainda que não tenha encontrado ainda a sua identidade única, Rutherford Falls não deixa de ser uma entrada adorável no mundo da televisão, já para não falar de colocar a comunidade nativo-americana no centro das atenções.

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