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Crítica: Homunculus (2021)

Homunculus Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE HOMUNCULUS!

Takashi Shimizu é dos mais famosos cineastas do Japão depois de ter assustado tudo e todos com Ju-on, e, mais tarde, com a sua adaptação americana, de nome The Grudge. Ele regressa às suas origens, adaptando o mangá de Hideo Yamamoto, que se foca em Nokoshi, um empresário de sucesso que vê a sua vida arruinada e forçado a viver como um sem abrigo nas ruas do Japão. No entanto, um ambicioso jovem médico oferece uma recompensa extremamente elevada para que Nokoshi se submeta a uma cirurgia experimental que implica perfurar-lhe o crânio. Mesmo que relutantemente, Nokoshi concorda fazer o procedimento e depressa começa a ver os seres humanos de forma distorcida, ficando a conhecer o que são os “homunculi”. Portanto, Nokoshi passa a conseguir ver os maiores traumas das pessoas que o rodeiam e decide ajudá-las a recuperar a sua essência, mas nada disto será possível sem consequências graves.

Homunculus Critica de Cinema

Distribuído pela Netflix, Homunculus é um filme que tem uma temática interessante e personagens intrigantes, mas que, infelizmente, não tem uma abordagem coerente da sua temática e, pior do que isso, é visualmente desnivelado. Ainda que possa ser uma obra que agrade aos fãs do mangá original, Homunculus tem uma exposição polémica na forma como trabalha este “salvar as pessoas dos seus traumas”, enveredando por uma via desnecessariamente controversa. As personagens, tirando as de Gô Ayano e de Ryô Narita (protagonistas masculinos), são tratadas com desprezo e sem grande trabalho de desenvolvimento, reduzindo especialmente as personagens femininas a clichés pouco credíveis e sem dimensão preponderante na evolução da história. O facto de ter uma visão muito afunilada, faz com Homunculus perca relativamente a outras adaptações live-action de mangás (que, em geral, já são mázinhas que chegue!). Apesar de assentar numa ideia intrigante, a realização de Shimizu acaba por não seguir os passos que devia para tornar a história mais rica, criando um build-up algo desequilibrado e que, ora nos deixa investidos, ora começa a tomar proporções desnecessariamente megalómanas face a uma ambição já muito norte-americana.

Mesmo que as prestações, no seu geral, conquistem, e Ayano e Narita são fabulosos nas mesmas, todo o restante argumento de Homunculus acaba por não conseguir fazer justiça à obra que pretende ser. Há demasiada tendência em querer chocar e isso é palpável para o público, que acaba por ficar algo apreensivo com o restante desenvolvimento da película, para além de uns efeitos visuais que não conseguem parecer credíveis e atribuir mais intensidade às cenas e sequências em que supostamente deveriam brilhar. Por muito apelativa que a premissa de Homunculus seja, o filme carece de um rumo preciso, mesmo que tente explicar-se da melhor forma sobre a evolução da sua narrativa. Shimizu sabe como ser provocador, mas faltam-lhe recursos para tornar esta provocação necessária. No entanto, há que reconhecer a problemática de adaptar algo que, mesmo bem enraizado na cultura japonesa, implica receber críticas severas do povo ocidental, especialmente uma cena em particular que envolve o abuso sexual de forma quase que natural, enaltecendo um “herói” que acredita estar a fazer o que é “necessário” para salvar a pessoa.

Homunculus Critica de Cinema

Esta controvérsia incutida de forma muito natural faz com que o público se questione sobre os valores da cultura que Homunculus representa e, pior do que isso, o filme descarta todo esse momento sem uma justificação coerente, optando por utilizar a fantasia do seu material de origem para a disfarçar. Portanto, Homunculus parte de uma ideia interessante, e não deixa de ter o suspense que é preciso para o vermos até ao fim, mas opta por umas decisões pobres em termos morais, que surgem de forma muito desnecessária para alimentar a sua narrativa, para além de ter uns efeitos visuais que confundem mais do que embelezam a história.

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Título: Homunculus

Título Original: Homunculus

Realização: Takashi Shimizu

Elenco: Gô Ayano, Anna Ishii, Yukino Kishii, Ryô Narita, Seiyô Uchino, Marika Yamakawa.

Duração: 115 min.

Trailer | Homunculus

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