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Crítica: Monday (2020)

Monday Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE MONDAY!!!

De uma forma geral, as comédias românticas obedecem a uma estrutura já familiar e que não deixa uma grande margem de manobra para surpresas. E uma das críticas mais duras a este género específico reside na abordagem do seu final tipicamente “felizes para sempre”, uma vez que não corresponde por completo à nossa realidade. Essa é uma questão que Monday, o novo filme de Argyris Papadimitropoulos, se propõe a fazer-nos.

Mickey e Chloe são dois americanos que se conhecem numa festa na Grécia durante um fim-de-semana. As faíscas do amor acendem e os dois entram numa fornada em que se conhecem melhor um ao outro enquanto se deixam consumir pelos seus desejos carnais. Mas poderá esta atração imediata sobreviver ao resto do que a vida tem preparado?

Monday Crítica de Cinema

De uma forma um tanto ou quanto sucinta, Monday pode muito bem ser um dos títulos mais difíceis de se ver. Isso não implica que seja verdadeiramente original nas suas ideias – pode-se dizer que Blue Valentine é um dos melhores, nesse aspeto. Apesar de não ser tão magistral quanto as suas ambições pretendam demonstrar, o filme é um exercício necessário para prosseguir com a desmistificação do “amor à primeira vista” e a conceção que, a partir daí, é tudo um mar de rosas.

Parte disso reside na sua estrutura “bizarra”, com o filme a ser separado por capítulos. Cada um deles avança um espaço de tempo, sabendo-se apenas que englobam um determinado fim-de-semana. Nestes capítulos, vamos acompanhando o progresso em queda livre de Mickey e Chloe, desde a sua paixão ardente inicial até passarem aos momentos mais tensos da sua relação, especialmente quando as suas personalidades e mundos entram em rota de colisão.

Monday Crítica de Cinema

É claro que o maior foco de Monday reside no casal central do filme, interpretados por Sebastian Stan Denise Gough. Embora estes não sejam os papéis mais fortes dos atores, conseguem ser carismáticos o suficiente para conseguirmos criar uma ligação com o casal, já para não falar de serem complexos o suficiente para demonstrarem não corresponder às nossas expectativas ou arquétipos, seja Mickey preso num ciclo permanente de auto-destruição de si próprio e de quem o rodeia ou Chloe à deriva depois de abandonar uma relação abusiva.

No entanto, o filme está longe de ser perfeito. Como se não bastasse que a narrativa seja um tanto ou quanto familiar, a verdade é que o filme apresenta-nos a Grécia como o centro da ação que poderia ter sido melhor aproveitado. Infelizmente, o país resigna-se a demonstrar alguns cenários urbanos que simplesmente não fazem justiça ao país. O mesmo se aplica aos habitantes do filme, especialmente as pessoas mais próximas dos protagonistas. Fica a ideia que parecem estar lá a preencher espaço, sem uma onça de personalidade a condizer.

Monday pode contar com performances decentes de dois atores medianamente reconhecidos, já para não falar de contar com uma estrutura bizarra, mas não menos original. No entanto, a sua história é bastante familiar, e também não tira o proveito suficiente do país em que o filme se encontra.

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Título: Monday

Realização: Argyris Papadimitropoulos

Elenco: Denise Gough, Sebastian Stan, Yorgos Pirpassopoulos, Elli Tringou, Andreas Konstantinou

Duração: 116 minutos

Trailer | Monday

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