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Crítica: Xin Shen Bang: Ne Zha Chongsheng (2021)

Xin Shen Bang: Ne Zha Chongsheng Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE XIN SHEN BANG: NE ZHA CHONGSHENG!!!

Os filmes oriundos podem não ser bastante conhecidos pela sua animação, ainda que essa tendência tenha vindo a mudar em anos recentes. Uma tendência que não passou despercebida à Netflix, que tomou a decisão de distribuir o filme Xin Shen Bang: Ne Zha Chongsheng (também conhecido como New Gods: Nezha Reborn) para o público internacional.

Neste filme, seguimos Li Jinxuang, um jovem estafeta/contrabandista que gosta de passar o teu tempo livre em corridas urbanas e de experimentar com mecânica. Um contacto com uma das poderosas famílias chinesas desperta nele um fogo indomável, literalmente falando. É aqui que Jinxuang descobre que não só é a reencarnação do deus Nezha, como o seu despertar desencadeia uma nova guerra contra várias divindades e seres mitológicos.

Xin Shen Bang: Ne Zha Chongsheng Crítica de Cinema

Xin Shen Bang: Ne Zha Chongsheng exibe um claro potencial, especialmente para os cofres da Netflix enquanto distribuidora internacional. A ideia de termos um filme de ação centrados em divindades da religião chinesa é uma que, até à data, não tinha sido posta à prova. Dito isto, existe um potencial não só para as audiências ocidentais conhecerem um pouco mais sobre os deuses a quem os chineses prestam homenagem, mesmo nos dias de hoje, mas os poucos membros do Panteão que vemos aqui parecem servir como uma “entrada” para inúmeros deuses da mitologia. Talvez, se o sucesso for o esperado, exista potencial para mais filmes dentro deste universo em particular. Correm rumores de que uma sequela pode já estar em desenvolvimento!

No entanto, este potencial é servido através de uma história previsível. Através do olhos Jinxuang, ficamos perante um típico hero’s journey, desde a descoberta da sua “herança”, até ao desenlace esperado em que o protagonista, por intervenção divinal, consegue salvar o dia, passando ainda por uma lista de inimigos saídos de um animé do género shonen.

Xin Shen Bang: Ne Zha Chongsheng Crítica de Cinema

Como se isso não bastasse, a história progride a um ritmo vertiginoso do princípio ao fim. Para os fãs de ação, este ritmo acelerado pode nem parecer assim tão mau, mas acaba por prejudicar naqueles momentos em que o character development poderia surtir um melhor efeito. E isto sem mencionar que, com uma duração de quase duas horas, Xin Shen Bang: Ne Zha Chongsheng tenta incutir o maior número de informações possível. Isto acaba por causar prejuízo, uma vez que ficamos com a ideia de estarmos perante um filme que parece dar um maior cuidado à exposição desbarata do que outra coisa.

O mesmo se aplica aos personagens que habitam este mundo. Li Jinxuang pode até ter o carisma necessário para carregar o filme como o protagonista, mas fica a ideia que este poderia ser melhor desenvolvido. O mesmo se aplica ao restante elenco, com vilões a serem vilões só porque sim ou personagens ligadas à vida de Jianxuang que pouco ou nada adicionam de relevante. Uma das exceções é a do misterioso homem mascarado, servindo como mentar Jianxuang neste mundo de divindades que vivem juntamente dos humanos, além de servir como comic relief do filme. O facto de este estar intimamente ligado ao Journey to the West, uma das histórias chinesas mais conhecidas em todo o mundo, só ajuda a aguçar o nosso interesse.

Xin Shen Bang: Ne Zha Chongsheng Crítica de Cinema

A animação será o ponto que certamente deixará imensa gente dividida pelo meio. Por um lado, há que aclamar a atenção aos pequenos detalhes, especificamente no design das personagens ou dos espaços cénicos, dando a entender que este pode ser um dos filmes animados chineses mais belos que a Netflix tem ao seu dispor. A mesmo “oferta de paz” pode ser estendida às sequências de ação, de tão aceleradas que são, é praticamente um milagre discernirmos o que estamos a testemunhar. Ainda assim, há momentos em que a animação é demasiado brusca, com alguns efeitos transicionais a mostrar a sua falta de cuidado, especialmente quando comparado com outros estúdios de animação mais competentes nesta área em específico.

Em suma, Xin Shen Bang: Ne Zha Chongsheng pode não ser um filme que se diga “excecional”, uma vez que revela algumas falhas a nível narrativo ou da animação. No entanto, isso não significa que não haja potencial para mais e melhor, com este novo mundo habitado por divindades chinesas a servir de ponto de interesse para quem for apreciador deste aspeto desta cultura.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: New Gods: Nezha Reborn

Título Original: Xin Shen Bang: Ne Zha Chongsheng

Realização: Ji Zhao

Elenco: Tianxiang Yang, He Zhang, Xiaoming Xuan

Duração: 118 minutos

Trailer | Xin Shen Bang: Ne Zha Chongsheng

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