Cinema Críticas

Crítica: Nobody (2021)

Nobody Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE NOBODY!

John Wick revolucionou o cinema de ação recente e projetou novamente a carreira de um adormecido Keanu Reeves, num aglomerado de violência explícita e crime organizado que funcionou perfeitamente para apelar às massas. O criador Derek Kolstad parece não cessar neste tipo de cinema e Nobody é a nova oportunidade de franchise de algo muito semelhante a Wick mas que respira nos seus próprios termos e impulsiona a carreira de Bob Odenkirk, afastando-o daquela imagem frágil e cobarde que adquiriu ao longo dos anos em Breaking Bad e no recente Better Call Saul.

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Hutch Mansell é um homem rotineiro, sem grandes preocupações, mas assim que a sua casa é assaltada por um casal, Hutch parte em busca dos pertences que lhe foram saqueados para mostrar à sua esposa e filho que é um homem de família que a protege. Nisto, Hutch envolve-se numa luta violenta no autocarro a caminho de casa, e um dos membros que deixou num estado comatoso, é filho de um magnata da máfia russa. Para isso, Hutch precisa de colocar a sua família em segurança e de derrotar pelas suas próprias mãos toda uma equipa de assassinos sanguinários que ameaçam a sua existência. Nobody é, de facto, um produto que absorve as melhores componentes do franchise de John Wick e confere-lhe um tom cómico especial (dada a veia do ator principal em questão) que nem sempre resulta. Com um elenco diversificado mas totalmente subexplorado, Nobody acaba por ser divertido por ser curto e direto, mas acaba por perder por não manter uma seriedade ou uma coolness que é tão apreciada neste género.

De facto, Nobody ao tentar fugir um pouco da fórmula que originou John Wick, perde por deixar o humor tomar as rédeas e perde o controlo do mesmo em determinadas sequências que exigiam uma seriedade mais realista para nos envolver mais nas sequências de ação que ilustra. Ao contrário de obras de celebridades de ação mundiais que se regem pelo mesmo formato over and over again, Nobody procura encontrar uma zona de conforto específica para que Odenkirk consiga brilhar e fazer uso dos seus maiores atributos de atuação. É Odenkirk que salva Nobody de ser um verdadeiro disparate, e a sua entrega a um dos papéis que poderá ajudá-lo a despegar-se da imagem vincada que criou no público como acima referido, pode marcar pela diferença em futuros filmes. É interessante perceber se Kolstad pretende criar um universo cinematográfico com base nestes justiceiros silenciosos e que permanecem das sombras, embora o mesmo já tenha afirmado que não está nos seus planos.

Nobody Critica de Cinema

Numa nota pessoal, Nobody e John Wick funcionam extremamente bem isolados mas poderiam trabalhar juntos numa missão, num crossover que faria sentido e que rivalizaria com outros universos bem sucedidos (e dos quais não tenho muito apreço…) como Marvel, DC ou até o mais recente MonsterVerse. Por norma, não sou muito apoiante deste tipo de monopolização lucrativa com base na junção de personagens que são “água e vinho” e onde não há química nem carisma nas personagens; no entanto, ambos estes trabalhos de Kolstad parecem certamente dignos deste tratamento, num franchise que podia assegurar uma revitalização do género da ação, que ficou algo estragado com a quantidade desmesurada de filmes de Velocidade Furiosa que estão mais preocupados em esfregar o caché nos olhos dos espectadores do que explorar as camadas das suas personagens.

Portanto, mesmo que Nobody não seja perfeito, já que o tom cómico por vezes ofusca determinadas cenas e as personagens são desnecessariamente subdesenvolvidas, não deixa de ter a ação natural e realista que precisamos para nos apaixonar pelo filme. E, sejamos sinceros, não há muito que se peça em termos argumentativos de um filme como este, mas sim a capacidade de realização (e que o jovem Ilya Naishuller trabalha de forma admirável) e o recuperar de uma nostalgia em que a ação domina sem se preocupar com as consequências. Longe de muitas convenções, mas também não primando pela originalidade, Nobody é um serão gratificante e extremamente divertido, que satisfará as saudades dos fãs de John Wick.

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Título: Ninguém

Título Original: Nobody

Realização: Ilya Naishuller

Elenco: Bob Odenkirk, Aleksey Serebryakov, Connie Nielsen, Christopher Lloyd, Michael Ironside, Colin Salmon, RZA, Billy MacLellan.

Duração: 92 min.

Trailer | Nobody

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