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Crítica: Ji hun (2021)

Ji hun Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE JI HUN!

Proveniente do Taiwan, Ji hun é o mais recente filme asiático da Netflix e conta uma história rebuscada, onde um empresário que sofre de um tumor é violentamente assassinado e tudo parece estar ligado a algo sobrenatural. No entanto, com os avanços tecnológicos, o procurador Liang Wen-Chao, que também está a sofrer com cancro, descobre toda uma rede de pistas que o levam a duvidar das testemunhas do crime.

Ji hun Critica de Cinema

Com twists abundantes, Ji hun é um filme interessante, que se foca num futuro não muito longínquo, onde a tecnologia está avançada o suficiente para testar a transmissão de neurónios de um cérebro em decadência para outro saudável, o que serve de pano de fundo para uma viagem alucinante por uma narrativa repleta de ficção científica, thriller e reviravoltas surpreendentes e que nos mantêm investidos no seu complexo mistério. No entanto, o filme sofre de algumas inconsistências visuais, para além de rebuscar imenso determinadas arestas de história que funcionariam melhor se fossem mais práticas e mais lineares, tornando a experiência mais palpável para o espectador. Há todo um mecanismo que o realizador Wei-Hao Cheng utiliza em articular esta narrativa densa e recheada de personagens apetecíveis, que ganha ainda mais vida pelo elenco talentoso que o compõe.

Mesmo que Ji hun não consiga ascender ao que pretende por ser extremamente ambicioso e atrapalhar-se nalgumas nuances narrativas que o fragilizam, este é um filme que tem potencial para encontrar um nicho de fãs próprio, utilizando uma suavidade nos diálogos de fácil compreensão, para além de estar sempre a trocar as voltas ao público com twists que assentam bem até determinado ponto. No entanto, há todo um misto de pequenos aspetos que não resultam, nomeadamente a linha pobre que o realizador estabelece entre o que é real e o que não é, e ainda adorna esta componente com alguns efeitos desnecessários e que só prejudicam a seriedade com que o filme quer ser tratado. Embora o carisma dos atores ajude a que Ji hun adquira um tom dramático mais forte, o apressar de algumas circunstâncias faz com que o ritmo se quebre e nos deixe a pensar sobre esta complexidade algo tosca que se torna mais superficial do que traz resultados.

Ji hun Critica de Cinema

No entanto, Ji hun é um filme que tem os elementos certos para agradar às massas e tem uma premissa que, se fosse explorada com um pouco mais de humildade e, por conseguinte, seriedade, podia elevar-se a algo bem melhor. Não quer dizer que não existam frutos a ser colhidos aqui, mas a presunção visual e argumentativa por vezes espalha-se em trazer realismo. Ainda assim, é uma película que consegue, no geral, abarcar diversos géneros cinematográficos e constrói uma história que parece orgânica e sem se dispersar muito do objetivo primordial que é chocar os espectadores com a sua constante mudança de suspeitos do crime em questão.

Portanto, se estão à procura de um thriller competente (ainda que com defeitos óbvios) e estejam desinteressados nas muitas produções norte-americanas da Netflix, Ji hun pode certamente preencher as vossas medidas e as conclusões a receber podem variar consoante a experiência que cada espectador tem ao vê-lo.

Ji hun Critica de Cinema

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Título: A Alma

Título Original: Ji hun

Realização: Wei-Hao Cheng

Elenco: Chen Chang, Janine Chun-Ning Chang, Anke Sun, Christopher Ming-Shun Lee, Baijia Zhang, Hui-Min Lin, Samuel Ku.

Duração: 125 min.

Trailer | Ji hun

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