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Assassination Classroom, uma série de Yūsei Matsui 

Assassination Classroom 1

– Muito bem, vamos lá começar a aula. Delegado de turma, quando quiseres.

– Em pé! Preparados! Cumprimentem! – Centenas de balas são disparadas em direção ao professor com intenção de o matar.

– Bom dia a todos! – Responde o professor enquanto se desvia das balas. – Disparem tudo o que quiserem, enquanto isso eu vou aproveitar para fazer a chamada.

Este momento divertidamente delicioso lança, de forma clara e inequívoca, o mote para uma brilhante obra de Yūsei Matsui Assassination Classroom. Claramente merecedor de estar presente no Open Sesame.

Assassination Classroom

A turma 3-E, da escola secundária de Kunugigaoka, foi a selecionada para levar avante a árdua e intrigante tarefa de assassinar o seu novo professor, uma criatura responsável pela destruição de 70% da lua e que garante que destruirá a Terra daqui a um ano, caso não o consigam eliminar. A este já bizarro elenco, ainda se acrescenta duas prestigiantes notas. Primeira, que ao longo deste ano esta criatura será realmente o professor da turma 3-E em várias disciplinas. Sendo a turma alvo dos normais exames de avaliação, à semelhança das restantes turmas no país, e da descriminação de serem considerados uma turma de falhados, porém essenciais para o método de ensino em vigor.  Segunda, que a posição do governo, encarada por Karasuma do Ministério da Defesa e em sintonia com os líderes do planeta, é, e passando a citar, – quero que assassinem esta criatura!

Assassination Classroom detém um equilíbrio notável entre a evolução independente de cada personagem versus a relação entre professor e o seu próprio assassinato. Não existe um episódio em que não se tente matar a criatura ou se recolha informação sobre a mesma; seja um episódio em torno dos exames semestrais, preparação, métodos de estudo ou de medos e angústias de não saber a resposta; seja outro, centrado em conhecer melhor o passado de um determinado aluno. Este facto, não só atribui um caris forte de realidade à obra, como nos recentra constantemente como espectadores no objetivo principal: a Terra será destruída caso falhem. Esta dança de emoções que nos cria, entre respeito e amor pela criatura, até ao embate frio e insípido que ela tem de morrer, faz com que muitas das vezes não saibamos por quem torcer ou como vai acabar.

As tentativas de assassinato são bastante diversificadas, balançando entre a genialidade e o total e completo absurdo. Tudo é colocado em jogo por forma a obter qualquer tipo de vantagem ou pista sobre a criatura. Não existem limites para a loucura, assim como para o armamento ou recursos utilizados, pois todos desejam salvar a Terra, mas nem todos compreendem o significado dos atos cometidos. Os fins só justificam os meios quando se consegue viver com a consciência de os ter cometido.

Em termos das personagens de maior foco, desde todos os alunos da turma 3-E, professores assistentes até à criatura, Yūsei Matsui fez um trabalho admirável. Empaticamente, são espelhados os diversos problemas existentes na sociedade, como a clara distinção de classes, seja riqueza, cultura ou conhecimento, ao lado da exigência do perfecionismo e a não aceitação do fracasso. Um exemplo disso é Karasuma, que representa uma figura de autoridade, a pureza do racionalismo e distanciamento emocional. Um pilar de segurança e conforto, em que os problemas não o assistem, e cujo pensamento (orientado para a solução) é o único caminho da verdade. Deste modo, para Karasuma, ideologias como “o passado não importa, pois o presente é que molda o futuro”, são a marca que deixa em Assassination Classroom.

Assassination Classroom, simplisticamente gira em torno de uma única e profunda questão:

– Segurarias a faca de alguém que amas no seu último fôlego?

A complexidade da resposta a esta questão será dada ao longo da série, tendo como companhia o humor já típico de Yūsei Matsui. Genialmente pensada e de rápida visualização, este anime transmite que está longe a clareza entre o branco e preto do nosso mundo e que as variáveis incontroláveis são demasiadas para serem calcoliticamente sempre tidas em conta a cada passo que se dá na vida.

Um professor é todo aquele que ensina, o aluno é qualquer um que ouve.

Leiam o Open Sesame anterior aqui.

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