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Crítica: Dark State (2021)

Crítica: Dark State (2021)

PODE CONTER SPOILERS DE DARK STATE!

The world is rigged

Quando Alicia Gazzarra regressa à sua terra natal, para trabalhar como repórter no jornal local de Hammonton Herald, estava longe de imaginar os encobrimentos e segredos mortais que começaria a desvendar após investigar o acidente de carro quase fatal da sua amiga de infância, Katie Marro. Katie estava prestes a tornar-se numa estrela do cinema e a integrar na vida das elites. Mas como funciona este círculo dos poderosos? E o que se tem de abdicar para pertencer a estre grupo?

Dark State, produzido pelos Realize Studios, marca a estreia de Tracy Lucca como realizador e argumentista, assim como da atriz K. O’Rourke no papel de Alicia. O filme conta ainda com estrelas como Nicholas Baroudi (Fosse/Verdon, Person of Interest), Constantine Maroulis (American Idol, Rock of Ages), Melissa Connell (Under the Flowers: Circle of Hell, Control) e Antoni Corone (Bad Boys II, We Own the Night). Paul Lewis foi o responsável pela composição musical. Dark State teve a sua estreia nos EUA em Março e estará disponível para todos nas plataformas digitais no início de Maio.

I’m free by choice

Dark State, para as bases que edificam a narrativa do filme, faz uso de temas como o escândalo com Harvey Weinstein, os rumores de cultos satânicos enraizados em Hollywood e parece retirar alguma inspiração de documentários como Jeffrey Epstein: Filthy Rich e Out of Shadows. E, tendo em conta o recente crescimento no interesse nestas temáticas, assim como na permanente curiosidade da vida dos famosos nos bastidores, seria uma fórmula com promessa de algum sucesso, dependendo da abordagem e da profundidade dada ao assunto. Infelizmente, Dark State consegue o feito de errar em quase todos os aspetos relevantes de um filme, ficando apenas uma mancha irreconhecível daquilo que poderia ter sido.

A partir dos primeiros momentos percebemos que Dark State é um filme com baixo orçamento, mas mais do que isso, transmite uma grande sensação de amadorismo. Desde falhas a nível da filmagem – com falta de estabilidade na câmara, luminosidade por vezes não adequada e até atores com o rosto cortado da cena, somos confrontados ainda com um pobre cuidado dado à transição entre cenas, a falta de efeitos especiais (mesmo daqueles mais simples), uma equipa demasiado pequena para o projeto, e figurantes que não são capazes de se misturar com o cenário. A banda sonora é deslocada, com músicas “largadas” em vez de selecionadas. Relativamente aos atores, seja devido às falas claramente rígidas e pouco trabalhadas, seja da pouca liberdade dada ou da própria inexperiência, nota-se uma leitura óbvia do guião ao invés de um “entrar” nas personagens. Por fim, os temas são utilizados na sua forma genérica, bastante enviesados e com um resultado final que se aproxima de uma fraca teoria da conspiração.

…we are governed, our minds are molded, our tastes formed, our ideas suggested, largely by men we have never heard of.”

Dark State é uma primeira tentativa falhada de Tracy Lucca, sendo um filme que ainda tem muitas arestas para limar para poder ser minimamente apreciado.

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Título: Dark State

Realização: Tracy Lucca

Elenco:  Nicholas BaroudiMelissa ConnellAntoni Corone, Constantine Maroulis, K. O’Rourke

Duração: 93 minutos

Trailer | Dark State

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