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Crítica: Feeling Through (2020)

Feeling Through Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE FEELING THROUGH!!!

Se há alguma coisa que algumas das maiores e icónicas histórias de cinema nos ensinaram, é que uma verdadeira amizade pode aparecer quando menos se espera e nos lugares mais inimagináveis. Não há melhor exemplo que o filme francês Intouchables, em que vemos uma amizade credível e enternecedora entre um milionário tetraplégico e um jovem adulto com necessidades financeiras. E é essa a ideia que se fica ao ver este Feeling Through, a curta-metragem que se encontra nomeada para os Óscares da Academia para Melhor Curta-Metragem (Ficção).

Tereek é um jovem que se encontra nas ruas de Nova Iorque sem um lugar para dormir. Prestes a desistir quando todas as suas esperanças para refúgio caem por terra, Tereek encontra Artie, um homem cego e surdo que só pretende ir para casa.

Feeling Through Crítica de Cinema

O conceito por detrás desta curta-metragem pode não ser completamente inovadora, mas serve para mostrar que uma tática familiar pode ter um enorme impacto positivo quando executado na melhor forma possível. Feeling Through corresponde a esta descrição de fio a pavio. A cargo da realização e escrita, Doug Roland tira partido da sua própria experiência ao interagir com um cego-surdo anos antes.

Servindo como uma espécie de homenagem, felizmente a narrativa não é tão presunçosa quanto se poderia imaginar. Aliás, a sua temática principal acaba por ser especialmente relevante nos dias correntes de confinamento: as ligações humanas. E não há melhor fonte do que Tereek: um rapaz que não consegue construir uma ligação profunda com quem se encontra a seu lado, sejam eles amigos ou entes queridos. E é através de Artie que vemos Tereek a evoluir a olhos vistos: ainda que o seu futuro seja incerto, acaba por nutrir uma ligação profunda com um estranho. É uma trajetória familiar, sim, mas são os vários momentos enternecedores e emocionantes que acabam por surtir o efeito desejado.

Claro que, para que a mensagem seja transmitida na perfeição, os seus atores têm de estar à altura, os estreantes Steven PrescodRobert Tarango estão à altura do desafio. Prescod acaba por causar um maior impacto pelas suas ações e desenvolvimento testemunhado. Mas nada disto seria possível se Tarango não estivesse envolvido. Sendo este cego e surdo na vida real, este traz uma autenticidade para algumas das (imensas) dificuldades que as pessoas que sofrem de problemas mais graves de visão e audição sofrem num contexto urbano, tendo de colocar a sua fé na bondade “questionável” da sociedade à sua volta.

No fim e ao cabo, Feeling Through é uma curta-metragem simples e direta na sua mensagem a transmitir. Apesar de contar com uma fórmula familiar, a sua eficácia é impossível de negar, especialmente ao centrar numa camada particular dentro da sociedade. Com uma realização cuidado, um guião sensível e uma dupla forte, é fácil de perceber o porquê de esta curta estar, merecidamente, nomeada para o Óscar. Resta esperar pela cerimónia para se descobrir a resposta.

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Título: Feeling Through

Realização: Doug Roland

Elenco: Steven Prescod, Robert Tarango

Duração: 18 minutos

Trailer | Feeling Through

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