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The Promised Neverland – o que aconteceu com a segunda temporada?

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O Open Sesame desta semana é sobre The Promised Neverland, numa perspetiva de comparação entre a primeira e a segunda temporadas, mais especificamente o que aconteceu (ou deveria ter acontecido) nesta última.

A primeira temporada de The Promised Neverland marcou um dos maiores sucessos  da temporada de inverno de 2019 com o seu misto de horror psicológico e grande suspense, chegando muitas vezes a ser comparado com o célebre  Death Note, um anime que alegrou as nossas semanas com um cenário intrigante e que fez com que os espectadores ficassem cada vez mais curiosos com o que poderia estar além dos grandes muros da Grace Field House. No entanto, no que toca à segunda temporada, algumas pessoas tinham preferência que o mistério sobre o que se estaria ali a marinar continuasse assim.

A primeira temporada é composta por doze (brilhantes) episódios, adaptando fielmente os dois primeiros arcos do mangá, com uma história misteriosa e um ritmo de apresentação ótimo que permite ao espectador aproveitar cada momento e sentir realmente aquilo que o anime tem a oferecer. Por outras palavras, oferece-nos voltas e reviravoltas constantes (que às vezes eram difíceis de acompanhar), juntamente com a capacidade “incrível” do trio principal de pensar dez passos à frente dos seus oponentes, ainda que, por vezes, quebrasse um pouco o ritmo e retirasse algum “realismo” fantasioso que poderia existir. Felizmente, as consequências e ações em busca da liberdade acabaram por equilibrar todo o resto.

As crianças só conseguiram escapar por causa do trabalho em equipa, sorte e escolhas muito difíceis, como deixar os mais novos para trás, assim como o sacrifício importante de Norman, que surgiu naquele clima de tristeza em saber que, se ele conseguisse sobreviver ao ser enviado, provavelmente não regressaria.

Yakusoku no Neverland

Com isso, chegamos à segunda temporada de The Promised Neverland no inicio de 2021. Toda essa elaboração cuidadosa do enredo foi “deitada fora”. Apesar de ainda fazer o seu sentido, uma vez que os eventos realmente apresentam um sentido lógico e estão bem ligados entre si, todos os acontecimentos são exageradamente convenientes, além de toda a ação tomar lugar numa velocidade exagerada, tirando todo o encanto e magia que nos tinha sido presenteado na primeira temporada. As crianças de Grace Field quase que imediatamente encontram dois demónios amigáveis que os ensinam a sobreviver na natureza (imediatamente convencendo Emma de que todos os demónios são como humanos),  e ajudam-nos a encontrar abrigos perfeitos para protegê-los dos seus perseguidores; e Norman está de volta(!) depois de apenas alguns episódios desaparecido, com um raciocínio explicado à pressa, onde basicamente ele agora é o líder de um “gangue”; Apresentado quase como um “vilão” com um plano infalível para exterminar toda a raça dos demónios.

O que foi isto?! Não nos foi apresentada qualquer informação relevante do mundo exterior, fazendo com que os denominados “homens-demónio” surjam bastante descontextualizados e não façam sentido algum sem uma explicação prévia. Em oposição à outra temporada, nesta não vemos nenhum perigo imediato; nenhuma das crianças está em verdadeiro perigo desde que a temporada começou. Por causa disso, perdemos aquele medo de que algum personagem perca a vida de forma definitiva (que foi um dos maiores destaques da primeira temporada).

Dito isto, este anime ainda pode proporcionar alguns momentos positivos especialmente se quem estiver a ver não esperar por nada demais. Ressalto também a própria personalidade de personagens como Emma, que está em pleno vigor a tentar resolver tudo no “diálogo”. Uma pacifista nata, mas as suas escolhas para sair daquele impasse social muito complexo entre humanos e demónios é, no mínimo, hilariante. No que se refere a Norman, vemos uma mudança contraditória e sem explicação aparente no anime: aquele menino inocente, bondoso e genuíno transformou-se praticamente num megalomaníaco. Quase que como uma paródia em vez de uma segunda temporada realista.

Para os fãs que tinham a primeira temporada de The Promised Neverland entre os seus animes favoritos de todos os tempos, este trabalho de adaptação para a segunda temporada é o maior insulto que alguém poderia ter feito à série. Mesmo que, quem não tenha lido o mangá e não saiba o que é “Goldy Pond” ou quem é “Yugo”, irá aperceber-se destas situações. Sendo o primeiro um dos melhores arcos do mangá e o segundo uma personagem essencial para a compreensão e contextualização da história, The Promised Neverland deitou tudo a perder. Infelizmente, o ritmo incrivelmente rápido e a remoção de todas as consequências reais são um verdadeiro desrespeito para os fãs, seja do mangá, seja do anime.

Leiam outras entradas na nossa rúbrica Open Sesame aqui.

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