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Crítica: Boogie (2021)

PODE CONTER SPOILERS DE BOOGIE!!!

Por incrível que possa parecer, os filmes desportivos conseguem ser bastante apreciados pelo público, apesar de ter um público-alvo em mente. É impossível não falarmos de filmes de desporto sem pensarmos em clássicos como Rocky ou Warrior (sim, envolve lutas corpo-a-corpo, mas contam como desporto). Há alguns deles, inclusive, que tentam também trazer uma mensagem relevante para contar. Pelo menos, é essa a missão deste Boogie.

Escrito e realizado por Eddie Huang (cujas experiências de vida serviram de base para a série Fresh Off the Boat), o filme centra-se em Alfred “Boogie” Chin, um adolescente fruto de uma relação complicada entre dois chineses, que sonha em fazer parte da NBA. Essa ambição não é a mais fácil, uma vez que tenta lidar com a pressão constante dos pais, além de navegar pela vida estudantil.

Boogie Crítica de Cinema

Boogie poderia ter sido um filme de melhor apreciação se estivesse com algumas arestas melhor limadas. Por um lado, conta-nos uma história clássica do cinema sobre um underdog que tenta fazer o melhor que pode para conseguir alcançar o seu objetivo pessoal; por outro lado, poderia ter dado uma maior atenção à comunidade cino-americana atual e de como esta comunidade é vista dentro de uma white society. As intenções de Huang podem ser as mais nobres, mas a sua execução, quer na direção quer na escrita, deixa bastante a desejar.

A história, num ponto de vista desportivo, poderia ter sido melhor recebida se, pelo menos, tivesse a coragem de se aventurar por novos horizontes raramente vistos deste género; no entanto, acaba por enveredar por caminhos já bastante familiares e esgotados até ao tutano, ao ponto de aplicar os clichés e claros lapsos de lógica que tornam o filme ainda mais difícil de digerir. Num ponto de visto mais socio-cultural, fica a ideia de que este conceito de um cino-americano da geração mais recente poderia ter sido explorado mais a fundo, talvez em forma de ilustrar as complicações desta comunidade durante o dia-a-dia. Em vez disso, acaba por ser mais uma troca de ideias do que propriamente uma conversa a sério a se ter.

Boogie Crítica de Cinema

Em termos narrativos, Boogie mostra-se ambicioso, mas com uma clara falta de métodos eficazes. Esses mesmos problemas também se estendem à realização e à componente técnica. Eddie Huang tem aqui a sua estreia como guionista e realizador, e torna-se bastante aparente que ainda tem muito para aprender com a indústria, uma vez que este toma algumas decisões fora do comum, demonstrando a sua ambição, mas com a ausência de métodos eficazes para se conseguir pronunciar como deve ser. A edição de imagem tem alguns momentos de interesse, mas a grande maior parte das componentes técnicas é simplesmente banal. E consegue-se notar bem esses problemas, por exemplo, com a banda sonora eleita. Os sons que acompanham o filme cumprem com a tarefa, mas não são excessionais; e o facto de as músicas serem predominantemente de hip-hop ou rap, dois géneros mais ligados à comunidade afro-americana, tira um pouca da autenticidade que, certamente, teria feito maravilhas com o filme.

Mesmo o elenco, em geral, deixa a desejar. O estreante Taylor Takahashi serve de protagonista do filme, mas não apresenta um carisma ou presença em ecrã que sejam merecedores de atenção. O restante elenco também não se desenvolve como deve ser, limitando-se a cumprir funções já familiares dentro do género. Pode até ser um elenco diverso em si, mas fica a ideia de que poderiam ter sido algo mais se a narrativa assim o permitisse.

Boogie Crítica de Cinema

Em suma, Boogie tinha potencial para ser algo especial, uma vez que tem uma história desportiva que poderia aliciar as massas, além de uma veia sociocultural disponível para ser bem explorada. Em vez disso, é mais um tiro no pé que deixa um travo amargo na boca dos fãs.

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Título: Boogie

Realização: Eddie Huang

Elenco: Taylor Takahashi, Taylour Paige, Pop Smoke, Perry Yung, Pamelyn Chee

Duração: 90 minutos

Trailer | Boogie

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