Cinema Críticas

Crítica: Violation (2020)

Violation Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE VIOLATION!

Depois de fazer as suas rondas nos festivais de Toronto e SXSW, Violation chega ao canal Shudder, sendo uma das mais promissoras abordagens do cinema de terror com base nas violações. Depois de Promising Young Woman conquistar o mundo com o seu tom jocoso e de incitar a vingança das mulheres face a este problema recorrente, Violation atribui um gore e uma componente explícita que deixa qualquer um desconfortável, recorrendo a uma metodologia muito assimilada à de Lars von Trier no seu clássico arrepiante Antichrist. Uma mulher com problemas matrimoniais decide reencontrar a sua irmã e o marido da mesma numa cabana remota e, num momento de reconciliação com o seu passado, é violada pela cara-metade da sua irmã que, por conseguinte, decide tomar o partido do mesmo. Nisto, Miriam vinga-se de forma fria e impetuosa deste criminoso, num ato sombrio e que se revela uma surpresa bastante gratificante a longo prazo.

Violation Critica de Cinema

Violation é escrito e realizado por Dusty Mancinelli e Madeleine Sims-Fewer e protagonizado pela mesma. É um filme que brinca com as linhas temporais dos seus eventos para atribuir um caráter mais artístico à situação (ainda que nem sempre surta efeito) e utiliza imagens imersivas que nos transportam para um clima de desconfiança e de desconforto constantes. As prestações são exímias no seu geral, com destaque para Fewer e Jesse LaVercombe que tem aqui um papel bastante exigente e que o transporta para o estrelato duma forma única. A intensidade é também um dos melhores aspetos que o filme trabalha com ângulos próximos e que nos colocam diretamente na parte da ação mais desconcertante, para além de uma banda-sonora exímia e envolvente. A direção de fotografia e o posicionamento da câmara fazem com que Violation seja uma experiência cinematográfica assustadoramente realista e o facto de ser explícito na sua exposição (numa ode a Irréversible de Gaspar Noé) faz com que o público consiga nutrir uma empatia com a personagem principal e de compreender as suas motivações a longo prazo.

No entanto, a exposição artística de Violation acaba por ser o seu calcanhar de Aquiles, brincando com as linhas temporais desnecessariamente, e deixando-nos algo confusos em saber discernir se o que estamos a ver é real ou não. Provocador ainda assim, o filme conseguiria causar um impacto maior se não insistisse neste aspeto, que acaba por desviar o espectador do foco principal muitas vezes e o leva a tornar-se um filme que se afoga um pouco nas suas ambições. No entanto, é um trabalho exigente e que coloca os seus atores em posições delicadas, mesmo que as poucas personagens secundárias merecessem um pouco mais de conteúdo. A violência explícita auxilia o envolvimento do público, para além de Fewer e LaVercombe terem uma química em ecrã soberba que torna todos os eventos mais intensos.

Violation Critica de Cinema

Portanto, Violation é uma adição extremamente interessante e que rompe com uma fórmula regida por uma conduta superficial e pouco elucidativa e entrega uma violência gratificante, embora nem sempre consistente devido às suas ambições. Ainda assim, eficaz, Violation é um exercício de cinema que não tem medo de chocar e de cometer riscos, mesmo que não seja exímio em todos os seus aspetos.

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Título: Violação

Título Original: Violation

Realização: Dusty Mancinelli & Madeleine Sims-Fewer

Elenco: Madeleine Sims-Fewer, Anna Maguire, Jesse LaVercombe, Obi Abili.

Duração: 107 min.

Trailer | Violation

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