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Crítica: Happily (2021)

Happily Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE HAPPILY!

Tom e Janet são um casal extraordinariamente apaixonado que quase parece saído de um conto-de-fadas. Depois dos seus amigos os (des)convidarem para uma festa num local remoto, ambos são visitados por um estranho que lhes diz que, de facto, a sua relação não é normal e que há forma de contornar o dito problema. Mas num ato impulsivo, o casal comete homicídio e decide voltar ao plano de ir à festa organizada pelos seus companheiros, o que se revela ser apenas uma armadilha para que todos partilhem os seus segredos mais privados.

Happily Critica de Cinema

Happily tem um conceito extremamente interessante e conta com prestações carismáticas, especialmente dos protagonistas Joel McHale e Kerry Bishé. É um filme que se foca no cinismo moderno das relações e que incute um tipo de humor que, ora acerta em cheio, ora sai ao lado. Para além disto, inclui alguns elementos que nos remetem para o universo de The Twilight Zone, com uma pitada de sobrenatural para apimentar ainda mais os eventos que vão decorrendo. Escrito e realizado por BenDavis Gabrinski, Happily tem uma ideia bastante divertida, e alguns momentos permitem que a comédia apalpe terreno novo, fugindo um pouco da fórmula estrutural já saturada das comédias românticas. No entanto, mesmo que promissora, Happily é uma comédia que acaba por não conseguir justificar a sua criatividade, perdendo-se no enredo a certo ponto, decorando a narrativa com personagens que acabam por não ser necessárias para o fluxo da história e também sem entregar ao espectador as respostas que ele necessita para perceber o que está a acompanhar.

Entende-se que Grabinski quer expor o cinismo presente no tratamento das relações humanas e da forma como os segredos são parte integrante da destruição das mesmas. É uma ideia que acaba por encaixar perfeitamente no registo cómico que incute, onde McHale e Bishé brilham, conseguindo segurar a narrativa até ao segundo ato do filme. O problema é que quando as personagens secundárias entram em cena, torna-se evidente o quanto Grabinski se atrapalha em lhes atribuir um contexto próprio, perdendo a noção daquilo que é prático e o que não é. Tirando os protagonistas, o espectador não está propriamente elucidado sobre quem são estes amigos de Tom e Janet nem qual o seu propósito para a história, e ao não fazer uma preparação dos mesmos para aproximar o público torna-se algo estranho que o seu protagonismo aumente sem uma contextualização palpável.

Happily Critica de Cinema

Mesmo que tenha alguns elementos que a distinga das comédias românticas habituais, Happily podia ser bem melhor se se preocupasse em equilibrar a relevância das personagens e de tornar os eventos mais fluidos e sem provocar estranheza, ao mesmo tempo que tem obrigatoriedade de ser claro nos seus objetivos e não deixar pontas soltas sem necessidade e só para parecer mais engraçado que, na verdade, não é. Ainda assim, é um registo interessante e que rompe com os clichés mais óbvios do género, utilizando McHale e Bishé como meio para expor uma particularidade inegável das relações humanas que é pouco abordada sem exageros, e faz com que este realizador não seja um para ignorar num futuro próximo. Mesmo tendo perdido um pouco o rumo, BenDavis Grabinski acaba por deixar uma certa curiosidade no ar e esperemos que os seus futuros projetos reflitam sobre os defeitos desta sua obra e contribuam para melhorias significativas.

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Título: Happily

Título Original: Happily

Realização: BenDavis Grabinski

Elenco: Kerry Bishé, Joel McHale, Al Madrigal, Natalie Zea, Paul Scheer, Billie Wolff, Stephen Root, Natalie Morales, Jon Daly, Kirby Howell-Baptiste, Shannon Woodward, Charlyne Yi, Breckin Meyer, Bea Grant.

Duração: 96 min.

Trailer | Happily

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