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Crítica: Operation Varsity Blues: The College Admissions Scandal (2021)

Operation Varsity Blues Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE OPERATION VARSITY BLUES: THE COLLEGE ADMISSIONS SCANDAL!

Vivemos numa época em que os documentários true crime vendem mais do que muitas produções de ficção. Não foi há muito tempo que soubemos dos escândalos das universidades mais prestigiadas dos EUA que aceitaram subornos de candidaturas de filhos de celebridades mundiais para atingirem o sucesso de forma ilegal. O cabecilha deste esquema é Rick Singer, que mais tarde aliou-se ao FBI para expor a sua rede de clientes fraudulentos que incluem as atrizes Lori Loughlin e Felicity Huffman.

Operation Varsity Blues Critica de Cinema

Operation Varsity Blues: The College Admissions Scandal é um documentário híbrido que utiliza recriações ficcionais, onde Matthew Modine interpreta Singer, e com entrevistas exclusivas dos muitos intervenientes desta operação gigantesca. Apesar de nem sempre surtir efeito nalgumas destas recriações, Operation Varsity Blues toca precisamente nalguns pontos importantes sobre este concorrido frenesim de candidatura, que leva muitos dos jovens à exaustão e a sentirem-se frustrados por não conseguirem ingressar na universidade que gostariam. Há bastante matéria suculenta na abertura com que este documentário trata a sua informação, especialmente quando é referido que o único vilão desta história é a standardarização das universidades americanas que estão mais preocupadas com o prestígio da sua instituição e tornam difícil a entrada a milhares de jovens que procuram uma carreira estável e estão sequiosos por receberem a melhor formação académica possível. Mesmo que não vá a fundo nalgumas destas temáticas que certamente são as mais provocadoras, Operation Varsity Blues age como um meio de entretenimento extremamente gratificante, onde o espectador tem uma visão ampla de como é fácil ludibriar o desespero em prol de lucrar com o mesmo.

A narrativa que Rick Singer construiu para conseguir obter os seus fins é bastante aliciante e acaba por revelar um capitalismo severo em torno da educação norte-americana. Realizado por Chris Smith, é interessante a abordagem estética que faz, misturando recriações ficcionais (que acabam por não ser intrusivas, no entanto, desnecessárias em muitos momentos) com os eventos reais que se sucederam durante o caso. Mas Operation Varsity Blues tem um cariz informativo que combina os elementos de entretenimento necessários para nos manter investidos durante a sua duração, para além de uma prestação de Modine extremamente carismática. Portanto, mesmo que não seja um obra-prima da área documental, certamente que revela uma ansiedade de progredir num género e quebrar a fórmula típica (e muitas vezes cansativa) do true crime. Mesmo que acerte nalgumas e noutras nem tanto, Operation Varsity Blues é um filme que revela a ambição de um realizador que sabe que o material que tem em mãos, permite uma abordagem extremamente alargada de um caso que, ainda hoje, afetou a comunidade endinheirada dos EUA e que expõe as fragilidades do conceito de “prestige” e da altivez das instituições universitárias do país.

Operation Varsity Blues Critica de Cinema

Mantendo-se sempre fiel aos seus objetivos, Operation Varsity Blues é uma adição interessante para a Netflix e uma que se aventura a adicionar camadas estruturais novas a uma fórmula estagnada (na maioria dos casos). Mesmo que estas ambições levem a película a exagerar um pouco nas dramatizações que são feitas, não deixa de nos trazer uma visão ampla e com alguns detalhes bastante interessantes sobre um capitalismo nocivo e que, muitas vezes, está implícito numa manipulação verbal que é eficaz e revoltante ao mesmo tempo.

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Título: Operação Varsity Blues: O Escândalo das Candidaturas às Universidades

Título Original: Operation Varsity Blues: The College Admissions Scandal

Realização: Chris Smith

Duração: 99 min.

Trailer | Operation Varsity Blues: The College Admissions Scandal

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