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Crítica: Crisis (2021)

Crisis Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE CRISIS!!!

O tráfico e o consumo de drogas continua a ser um dos problemas socialmente relevantes da era moderna. É uma triste realidade que perdura ainda hoje e de resolução ainda por desenvolver. Dado esta temática forte, não é à toa que esse mesmo combate tenha levado a inúmeras histórias em Hollywood, quer no grande ecrã, quer no pequeno. Crisis é o mais recente filme centrado nesta temática que, embora possua um elenco de luxo à sua frente, deixa imenso a desejar.

O filme conta três histórias distintas. Temos a história de Jake Kelly, um agente da DEA que se faz passar por um traficante de droga para acabar com uma rede de tráfico entre os EUA e o Canadá; Claire, uma mãe de sucesso que faz justiça pelas suas próprias mãos quando as autoridades não conseguem resolver o mistério por detrás da morte do seu filho; e finalmente, o Dr. Tyrone Browner, um professor que começa a ter uma crise de consciência quando testa um possível fármaco anti-viciante.

Crisis Crítica de Cinema

Crisis serve de regresso do realizador/guionista Nicholas Jarecki quase 10 anos depois do seu filme de estreia na realização de longas-metragens, ArbitragePortanto, o cineasta teve tempo mais do que suficiente para conseguir limar algumas arestas depois da sua experiência amena. E compreende-se quais são as suas intenções para com este filme: a exploração da crise de fármacos através de pontos de vista diferentes. E, de certa forma, cada uma destas histórias tem alguma coisa para nos contar. Infelizmente, e tendo em conta que existem imensos filmes e séries que abordam esta temática, Crisis deixa a desejar por tentar diferentes abordagens e não conseguir um resultado convincente.

A capacidade de Jarecki como realizador é banal, no mínimo, com as suas escolhas praticamente desalmadas nos aspetos mais imagináveis; no entanto, as suas fraquezas residem precisamente na escrita, com diálogos banais e momentos que só servem para aumentar mais a dose de drama de forma bastante desnecessária. O filme poderia funcionar melhor se este funcionasse como uma espécie de antologia, com três histórias distintas em tempo e espaço. Desta forma, cada uma delas poderia ter o aprofundamento necessário para, pelo menos, atenuar o esforço de ver este filme no início ao fim; em vez disso, temos três histórias que partilham o mesmo mundo, com pelo menos duas a interligarem de forma bastante enfadonha e a outra – que envolve a corrupção das maiores farmacêuticas e dos seus parceiros – em banho-maria.

Crisis Crítica de Cinema

A maior “força” que Crisis tem ao seu dispor reside no seu vasto elenco de caras conhecidas pelo público. Armie HammerEvangeline LillyGary Oldman, Greg Kinnear, Michelle Rodriguez, Luke EvansLily-Rose Depp são apenas alguns dos atores que habitam neste filme, com HammerLillyGoldman a serem claramente os destaques ao interpretarem os protagonistas das suas respetivas histórias. As suas performances, no geral, são decentes (ainda que com algumas inconsistências), mas não são tão impressionantes quanto se esperava. E quando se tem um elenco desta magnitude e somente três se conseguem “safar”, então é porque existe algo que não está a funcionar tão bem quanto o desejado.

Com uma temática sensível como a crise dos fármacos, Crisis se fosse melhor executado, poderia ser um filme especial à sua própria maneira. No entanto, devido à inexperiências de Nicholas Jarecki, trata-se apenas de um produto banal que se pode ver num serão de fim-de-semana. Não aprofunda tanto os temas que deveria abordar, além de conseguir o feito “impressionante” de conseguir desperdiçar um elenco recheados de nomes já familiares na indústria.

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Título: Crisis

Realização: Nicholas Jarecki

Elenco: Gary Oldman, Armie Hammer, Evangeline Lilly, Greg Kinnear, Michelle Rodriguez, Luke Evans, Lily-Rose Depp

Duração: 118 minutos

Trailer | Crisis

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