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Crítica: Land (2021)

Land Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE LAND!!!

Robin Wright é uma das melhores atrizes do momento que, nesta altura do campeonato, dispensa quaisquer apresentações. Desde o seu início “humilde” com The Princess Bride até à sua presença regular – e impressionante – em House of Cards (até um certo ponto), passando ainda por outros projetos de grande qualidade, a atriz sempre conseguiu mostrar o seu valor nas artes performativas. O seu mais recente projeto, Land, serve como uma estreia de Wright numa das posições mais desafiantes de Hollywood: a realização.

Neste filme, Wright interpreta Edee, uma mulher que, à luz de uma tragédia familiar, decide mudar-se para uma cabana abandonada da família, à espera de uma morte lenta. No entanto, um encontro com um estranho desperta nela a vontade de viver um dia de cada vez.

Land Crítica de Cinema

Tem havido um maior crescimento de histórias tocantes sobre o luto, e dos vários processos diferentes que as pessoas tomam para poderem seguir em frente com as suas vidas. Apesar de possuir uma mensagem tocante que se revela eficaz uma e outra e outra vez, o framework demonstrado também limita um pouco sobre o que estas histórias podem contar que possa ser considerado verdadeiramente original. Land, de um modo geral, funciona bem pela sua demonstração de um processo menos saudável do luto, mas acaba por se revelar um tanto ou quanto fraco, muito por incutir um processo que se torna já bastante familiar: conseguimos seguir em frente com as nossas vidas após uma perda impiedosa se estivermos dispostos a abrir-mo-nos ao próximo. É eficaz, sim; mas não deixa muita margem de manobra para contar algo que possa ser considerado como único.

Dito isto, Land acaba por compensar as fragilidades do guião com os outros aspetos que tem à sua disposição. Filmado em Alberta, no Canadá (que, aparentemente, é o que mais se aproxima do estado de Wyoming), o filme toma bastante partido das suas paisagens naturais, com a ação principal a tomar lugar em plena natureza, com alguns vislumbres da civilização através de alguns flashbacks ou concentrações nas personagens secundárias, ainda que estes desvios não sejam tão frequentes quanto se possa pensar. Através da direção minuciosa de Wright e da fotografia de Bobby Bukowskiconseguimos captar tanto a beleza como a ferocidade que este local de filmagem tem para nos oferecer. E mesmo a banda-sonora a cargo de Ben Sollee e da banda Time for Three, embora também não tão frequente, consegue trazer uma espécie de aura introspetiva que o filme claramente tenta transmitir.

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Outro trunfo que Land possui a seu favor reside no seu elenco. Sendo tanto realizadora como atriz principal, Wright tem aqui amplas hipóteses para se sobressair. E felizmente, é isso mesmo que acontece neste caso. Conhecemos Edee no seu momento mais baixo da vida, dando uma volta de 180º para poder encontrar uma morte lenta, mas certa. Felizmente, com o curso do filme, Edee vai aprendendo a sobreviver com o que a natureza tem ao seu dispor e encontra um novo sentido para a sua vida. Como realizadora e atriz, Wright é claramente o ponto positivo mais evidente do filme, com uma evolução gradual, mas evidente e, acima de tudo, natural.

Esta transformação não vem do nada, como já seria de esperar, uma vez que é despoletada quando Miguel, interpretado por Demián Bichir entre em cena. Um caçador que se responsabiliza pelo bem-estar de Edee num momento fulcral na sua vida, Miguel serve como uma espécie de mentor na “arte” de sobrevivência na natureza, além de se revelar como o seu único contacto com o mundo civilizado. Ainda que não possua bastantes elementos que o retirem de um ponto mais genérico, a verdade é que Bichir entrega uma performance que, ainda que não demonstre imensas complexidades de início, é de certa forma uma performance doce e genuína. Parabéns devem ser dados a WrightBichir como dupla protagonista, uma vez que demonstram uma química inegável, vendendo a ideia de uma amizade forte com uma origem orgânica.

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Robin Wright (left) directs and stars in “Land” (2021), which co-stars Demián Bichir (right).

Num ponto de vista narrativa, Land pode ter as suas fragilidades palpáveis, no sentido de incutir uma mensagem tocante mas sem um formato original para a transmitir. Dito isto, não deixa de ser um filme que tira bastante partido do espaço cénico que tem ao seu dispor, além da sua dupla de serviço. Este filme serve como uma “amostra” do que Robin Wright é capaz de fazer como realizador. Esperemos que este seja o início de uma nova carreira bastante promissora num futuro próximo.

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Título: Land

Realização: Robin Wright

Elenco: Robin Wright, Demián Bichir, Sarah Dawn Pledge, Kim Dickens, Warren Christie, Finlay Wojtak-Hissong

Duração: 89 minutos

Trailer | Land

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