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Crítica: Billie Eilish: The World’s a Little Blurry (2021)

Billie Eilish Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE BILLIE EILISH: THE WORLD’S A LITTLE BLURRY!

O nome Billie Eilish não é desconhecido para ninguém nesta altura do campeonato. A jovem de 18 anos venceu 6 Grammys na sua última edição e é uma sensação que inspira milhões de pessoas por todo o planeta. A sua música é caracteristicamente densa, complexa, com ritmos oscilantes e postura onírica e sensorial. Em 2021 temos o prazer de conhecer a sua vida durante a sua tour pela Europa e EUA, para além do processo criativo da cantora e do produtor, seu irmão, Finneas, e da relação com os seus pais. Escrito e realizado por R.J. Cutler, responsável pelo tearjerker If I Stay, Billie Eilish: The World’s a Little Blurry é um documentário fabuloso, que capta com veracidade a essência do crescimento durante uma época particularmente difícil para o público adolescente, para além de reforçar a ideia de uma humildade inerente a toda a persona de Billie, reflexiva de como as pequenas vitórias são alcançadas pelos obstáculos mais exigentes da vida.

Billie Eilish Critica de Cinema

Ao contrário de documentários do género como os de Justin Bieber ou o mais recente de Shawn Mendes, que acabam por suavizar algumas das temáticas e mostrar uma ostentação superficial que todos já associam a figuras milionárias da música, Billie Eilish: The World’s a Little Blurry expõe a musa para o mundo de uma forma humana, mostrando o seu lado mais vulnerável e as particularidades que a fazem ser uma autora com um estilo muito próprio, muito identitário e que a consagra como uma das artistas mais prolíficas destes últimos anos. Cutler acaba por incutir componentes extremamente cativantes, aproximando o espectador de Eilish de uma forma muito genuína, dando crédito e mérito às pessoas que acompanham o seu dia-a-dia, tornando-as instrumentais para o filme sem retirar a magia e o brilho que elas próprias contribuem para Eilish. É também importante a forma como o documentário reflete sobre o processo criativo dos dois irmãos, e nos entrega uma visão ampla sobre como é ser-se um adolescente millennial numa altura tão delicada para um adolescente. É fácil esquecermo-nos que Billie é ainda uma jovem que tem ainda muito para viver e amadurecer, mas Cutler sabe precisamente como jogar com esta questão ao colocar os pais de Billie e Finneas a falar sobre como a música dos seus filhos expressa o sentimento de se ser um adolescente a crescer nos EUA nestes últimos anos de clima político instável, perseguição racial e de crise devido à pandemia.

A música transparente dos irmãos O’Connell reforça a necessidade de que devemos ser autênticos a transpor os nossos valores, de que não devemos ocultar quando nos sentimos mal, que as emoções são naturais da nossa espécie, que temos o dever de nos expressar de forma honesta e temos o direito de nos sentirmos revoltados. O sucesso de uma carreira ainda tão embrionária, levou Billie Eilish e Finneas a elaborarem o tema No Time to Die do próximo filme de James Bond. Apesar de ser um pouco longo demais e demorar um certo tempo a entranhar-se no espectador, Billie Eilish: The World’s a Little Blurry é um produto íntimo, extremamente transparente e com uma montagem emocionante, que despe Billie aos olhos, não só de quem é já fã recorrente do seu trabalho, mas também começa a despertar a curiosidade dos que, até agora, se mantinham alheios à sua carreira. Sem nunca ser pretensioso e de respeitar sempre os limites da privacidade da família O’Connell, sem parecer intrusivo ou forçado, Billie Eilish: The World’s a Little Blurry explora os lados mais atenciosos, mais vulneráveis e mais felizes de um vulto que se tornou icónico pela sua irreverência e exposição artística musical invulgar e despreocupada com opiniões alheias.

Billie Eilish Critica de Cinema
BURBANK, CALIFORNIA – JANUARY 28: (EDITORIAL USE ONLY) In this image released on January 28, (L-R) Billie Eilish and Finneas O’Connell perform onstage during the 2021 iHeartRadio ALTer EGO Presented by Capital One stream on LiveXLive.com and broadcast on iHeartRadio’s Alternative and Rock stations nationwide on January 28, 2021. (Photo by Kevin Mazur/Getty Images for iHeartMedia)

Mesmo sendo uma adolescente, Billie Eilish é inquestionavelmente uma estrela com muito para contar e com muito para ensinar a todo um conjunto de fãs e jovens introvertidos que há todo um lado negro presente nesta fase tão delicada de crescimento e que isso é normal e que há sempre alguém que compreende e os apoia. A música é, definitivamente, um meio de expressão único e Eilish é um talento emergente que tem uma visão muito própria, derrotista e, no entanto, realista, que incute numa arte que, mesmo não sendo para todos, não deixa de transparecer algumas fases da vida mais difíceis do desenvolvimento humano e de abraçar a ansiedade que é crescer num mundo polarizado. Billie Eilish: The World’s a Little Blurry é um filme extremamente pessoal, humano e íntimo, o que traz uma aproximação direta do público com a artista da pop eletrónica e um que merece o seu devido mérito pela sua abordagem bonita de um dos maiores vultos emergentes da música atual.

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Título: Billie Eilish: The World’s a Little Blurry

Título Original: Billie Eilish: The World’s a Little Blurry

Realizador: R.J. Cutler

Duração: 142 min.

Trailer | Billie Eilish: The World’s a Little Blurry

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