Cinema Críticas

Crítica: Cherry (2021)

Cherry Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE CHERRY!

Depois do sucesso do seu contributo para o Universo Cinematográfico da Marvel, os irmãos Russo estão de volta à realização, recuperando o adorado Peter Parker para ser o seu protagonista em Cherry, um drama intenso sobre um médico do exército que sofre de stress pós-traumático e que, juntamente com a sua namorada Emily, começa a assaltar bancos para saciar o seu vício impetuoso de heroína. Cherry é, infelizmente, uma novela que não consegue conquistar em nenhum dos seus pontos mais fortes. É um filme que não consegue definir-se e é overstuffed de elementos estilísticos, numa história que procura incutir em si demasiadas referências, que vão desde The Basketball Diaries, Trainspotting, passando por Full Metal Jacket e Requiem for a Dream, e não consegue articulá-las de forma hábil para surtir impacto.

Cherry Critica de Cinema

Cherry é o primeiro filme desde que Anthony e Joe Russo deixaram as cadeiras de realização da Marvel, depois do sucesso indiscutível (em ambos os níveis, quer de crítica, quer de box-office) de Avengers: Endgame, o último capítulo da primeira fase do UCM. É notório que os irmãos estão sequiosos por se aventurarem em novas vertentes e estão a experimentar variados tipos de filmagem para encontrarem um que assente e que lhes atribua uma característica própria e os defina como cinema de autor. Mas Cherry não é mais do que um display de estilo e a sua narrativa torna-se exaustivamente longa, sem carisma e bastante frágil em destacar-se por si próprio dos demais filmes do género. Tom Holland é também a escolha ideal para esta dupla de realizadores que está à procura do seu estilo, já que o ator também quer desprender-se da imagem colegial e cómica de Peter Parker e começar a construir uma carreira mais sólida para mostrar o que vale. E, em Cherry, Tom Holland é bastante carismático, com uma prestação exigente, ainda que seja difícil para o público aceitar a mudança tão radical de registos performativos. É um papel corajoso, mas que infelizmente não consegue salvar o filme da mediocridade. Cherry é um filme disperso, pouco coeso e a sua mensagem perde-se no meio de tantas decisões criativas que não funcionam e nunca deixam o público propriamente a saborear o que está a acontecer durante a sua duração.

Cherry Critica de Cinema

Apesar de nutrir um certo respeito pela forma como os realizadores procuram a sua identidade artística em Cherry, este não é o tipo de filme que permita algo desse género. Ao estarem a saltitar de cenários, de apresentações, de formatos de filmagem, faz com que se esqueçam das personagens e Holland é ainda muito verde para carregar com as exigências performativas de um filme na sua íntegra. Apesar de algumas sequências bem filmadas, Cherry torna-se uma desilusão por não conseguir estabilizar o seu mote a certo ponto, fazendo o overstuffing de liberdades artísticas com uma história que se prolonga desnecessariamente até à exaustão e onde o sumo espremido não traz nada de gratificante para o espectador. Ainda que alguns visuais sejam interessantes e Holland seja bastante competente no seu papel, este experimentalismo dos adorados realizadores à procura da sua identidade, acaba por tornar Cherry num filme sem definição. Nunca parece assentar naquilo que quer ser e naquilo que pretende ilustrar, para além de não apostar nas personagens secundárias como deveria, tornando-as meramente pano de fundo para Holland conseguir sobressair sobre elas.

É pena que Cherry seja algo bastante frustrante, ainda que reconheça algum mérito nesta procura de um estilo próprio que nos assente e que seja corajoso em não esconder esta indefinição, mas para um público vasto, este tipo de trabalho não funciona e não eleva a carreira dos irmãos Russo. Muito porque eles já deviam saber, nesta altura do campeonato, quem são e o que são capazes de fazer. É também importante vermos Holland a tentar sair da sua zona de conforto, e ainda que se safe bastante bem, ainda precisa de amadurecer um pouco mais e trabalhar com diferentes realizadores para se tornar mais versátil ainda. Portanto, Cherry é pobre em conteúdo e disperso em apresentação, facilmente esquecível, mas que pode tornar-se a rampa de lançamento para o seu protagonista ascender em papéis dramáticos mais intensos e revelar-se uma surpresa.

Cherry Critica de Cinema

Cherry estreia no dia 12 de Março na plataforma da APPLETV+.

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Título: Cherry

Título Original: Cherry

Realização: Anthony & Joe Russo

Elenco: Tom Holland, Ciara Bravo, Jack Reynor, Michael Rispoli, Jeff Wahlberg, Forrest Goodluck, Michael Gandolfini, Daniel R. Hill.

Duração: 142 min.

Trailer | Cherry

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