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WandaVision – Series Finale – 1ª Temporada

WandaVision series finale

PODE CONTER SPOILERS DE WANDAVISION!!!

Quando a Disney anunciou os seus planos para lançar o seu próprio serviço de streaming, já se sabia que os seus concorrentes já tinham os dias contados no que refere às propriedades ligadas à marca MarvelABC, Freeform, Netflix Hulu (esta última até um certo ponto, visto que tem algumas séries animadas em produção) acabaram por concluir as suas séries ou cancelá-las. Mas nem tudo é assim tão mau quanto parece. Sem contar com o facto de a Disney possuir atualmente os direitos das personagens presentes nas séries da Netflix, a Disney+ concedeu uma oportunidade que muitos fãs já andavam a pedir há muito tempo: séries com ligações mais claras ao Universo Cinematográfico da Marvel (ou UCM). E a começar esta nova era da televisão ligada ao género dos super-heróis, temos este WandaVision.

Tomando lugar após os eventos de Avengers Endgame, WandaVision reencontra-nos com Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen), que decide mudar-se para os subúrbios de Westview, Nova Jérsia, com o intuito de fazer a sua própria vida juntamente com Vision (Paul Bettany). No entanto, este desfecho alegre esconde alguns segredos negros, e Wanda está precisamente no centro dos eventos.

WandaVision series finale

O MELHOR:

WandaVision é uma das maiores surpresas que a Marvel nos conseguiu apresentar em anos!

Com mais de 20 filmes lançados até à data (e muito mais anunciados para os próximos anos), a Marvel conseguiu estabelecer uma fórmula que, numa vista geral, é familiar mas que não deixa de produzir resultados impressionantes. Portanto, tornar uma propriedade intelectual numa homenagem às sitcoms americanas tinha tudo para ser uma escolha bizarra que poderia trazer mais prejuízo do que glória. E ainda assim, é uma abordagem que funciona. Torna-se mais do que claro a série tomou inspirações nas sitcoms mais elogiadas dos últimos tempos, desde os clássicos da era da televisão a preto-e-branco (I Love Lucy Bewitched) até aos clássicos modernos (Malcolm in the MiddleModern Family), o que ajuda a conceder um toque humorístico bastante característico, acoplado também com os elementos técnicos que acompanham estas eras, como o espaço cénico, maquilhagem ou o guarda-roupa, não esquecendo também o campo visual.

Mas isto é uma série da Marvel, e sob a orientação de Matt Shakman como realizador e Jac Schaeffer como guionista e showrunnerWandaVision depressa faz-nos questionar sobre a realidade dos eventos que acompanhamos. A série toma inspiração em duas linhas de bandas desenhadas diretamente ligadas a Wanda: The Vision and the Scarlet Witch (em que mostra o casal a viver nos subúrbios) e (atenção, que esta pode ser mais spoiler-yHouse of M (em que Wanda reescreve a realidade em que todos os heróis têm direito às suas respetivas felicidades). Portanto, fica mais do que claro que temos aqui um produto que coloca uma séria questão sobre a nossa perceção de Wanda, mas não deixa de nos ligar com ela neste seu período de luto (algo que a atriz Elizabeth Olsen já havia explorado com a série Sorry For Your Lossdo Facebook). Por outras palavras, WandaVision consegue servir como um character study em redor de Wanda, sem esquecendo de Vision, também.

WandaVision series finale

Uma das marcas inerentes da Marvel reside no seu elenco, que muito raramente traz problemas com os atores e as personagens que os interpretam. E o que WandaVision faz é reaproveitar personagens que, numa ou outra ocasião, não teriam muitas hipóteses de brilhar nos filme. E é isso mesmo que a série proporciona a Elizabeth Olsen Paul Bettany, que nos deslumbram como Wanda e Vision, respetivamente. Ambos têm direito a material de peso de forma isolada – seja Wanda a reconhecer as suas ações mais controversas nestes eventos ou Vision a questionar ainda mais sobre o que faz dele “humano” (ainda que seja considerado como sintezóide), mas é quando estes se juntam que a série encontra as suas maravilhas, seja nos momentos mais leves ligados à comédia ou nos momentos mais dramaticamente intensos. Independentemente das situações, a sua química é inegável e aliciante do início ao fim. E não são as únicas caras conhecidas do UCM que dão o ar de sua graça; a série conseguiu reaproveitar personagens menores como Jimmy Woo (Randall Park) ou Darcy Lewis (Kat Dennings) e deu-lhes uma nova vida.

No entanto, também introduz algumas caras novas à equação. Temos, por exemplo, Kathryn Hahn como Agnes, a vizinha intrometida de Wanda (que esconde um dos segredos mais mal guardados da televisão, isto se seguem as “teorias da conspiração”), Tyler Hayward (Josh Stamberg), o Diretor da S.W.O.R.D., basicamente o sucessor da S.H.I.E.L.D., e por último, mas não menos importante, Teyonah Parris como uma Monica Rambeau na sua forma adulta. Cada um destes membros do elenco acabam por desempenhar funções não só importantes para a série em si, mas para o panorama geral do UCM (basta considerar que Parris está confirmada para a sequela de Captain Marvel). Atira-se também alguns cameos aqui e acolá, alguns mais reconhecíveis que outros, e WandaVision não pode ser acusada de não guardar alguns truques na manga.

WandaVision series finale

O PIOR:

Ainda assim, WandaVision não é tão perfeita como possamos imaginar, e existem alguns fatores que justificam essa linha de pensamento.

Com uma duração de 9 episódios, WandaVision consegue movimentar-se a um ritmo crescente nos primeiros episódios. Até mesmo os episódios mais “parados” têm algo de importante para contar. No entanto, fica também patente que alguns deles serve de filler ou preparam o terreno para eventos maiores. Nada contra essa escolha, mas acaba por sacrificar o ritmo da progressão da história num ponto de vista geral. E isto também sem esquecer de alguns plot twists que, embora tragam uma nova energia para a série de uma forma geral, há uma ou outra que toma lugar sem qualquer tipo de build up prévio.

Não obstante, WandaVision é um poderoso arranque para a nova era do UCM. Consegue ser genuinamente engraçado, ao mesmo tempo que esconde alguns segredos que redefinem a nossa perceção de algumas personagens acarinhadas deste universo, já para não falar da abertura de inúmeras possibilidades daqui em diante.

Sendo uma mini-série, não contem tão depressa com uma nova temporada (ainda que Kevin Feige já tenha dado uma pista de “nunca digas nunca” nesse aspeto). No entanto, Elizabeth Olsen e a sua Feiticeira Escarlate regressarão num papel central na sequela de Doctor Strange, e daqui a duas semanas, a Disney+ irá estrear a sua próxima série da MarvelThe Falcon and the Winter SoldierAté lá, podem ler outras das nossas Mini-Reviews aqui.

Estado da série: TERMINADA

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Average Rating

WandaVision serve de ponto de partida para uma nova era da Marvel no pequeno ecrã, e vale a pena todo o hype a ele ligado. Engraçado, dramático, com suspense e muito mistério, é uma série que foge a sete pés da fórmula familiar e sai como a grande vencedora.

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