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Crítica: Moxie (2021)

Moxie Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE MOXIE!!!

A par das histórias em redor da comunidade LBGTQ+, também tem havido uma maior afluência de filmes que favorecem o movimento pró-feminismo. No entanto, e enquanto o primeiro grupo até tem demonstrado algumas histórias cativantes por mero próprio, o grupo seguinte tem sido um pouco hit or miss, ou, por vezes, ficam-se exatamente no meio. Moxie, a nova aposta de Amy Poehler para a Netflix, condiz com essa descrição.

Vivian está pronta para começar o seu novo ano escolar com a sua melhor amiga de infância, Claire. No entanto, quando começa a notar que o tratamento do corpo docente recai favoravelmente em redor dos rapazes da escola, Vivian toma inspiração na juventude rebelde da sua mãe e dá início a uma revolução no seio escolar.

Moxie Crítica de Cinema

Valendo o que vale, Moxie acaba por arrancar pontos favoráveis com a mensagem que pretende transmitir. Embora possa transparecer uma espécie de situação “isolada”, está longe de o ser na vida real. Orientado claramente para uma camada mais juvenil na audiência, fica mais do que patente quais são as intenções: por um lado, pretende conceder uma espécie de bom bocado para quem for apreciador deste género de teen movies; por outro, consegue transmitir um espírito de luta por direitos equilibrados entre homens e mulheres. E por si só, Moxie acaba por ser um hino moderno para as adolescentes que vêem as suas vozes constantemente silenciadas.

Ter Amy Poehler como realizadora traz ao filme um impacto inegável. Embora as suas experiências possam ser vistas com alguns altos e baixos, é impossível não nos deixarmos contagiar pela boa energia que o filme nos transmite. Desde o guarda-roupa até à banda sonora, está tudo preparado para nos catapultar para um filme que junta a veia feminista com uma estética claramente punk rock. É uma abordagem completamente diferente ao que estamos habituados neste género, mas não de produzir alguns resultados mais do que aparentes.

Moxie Crítica de Cinema

Apesar da novidade no que toca à mensagem transmitida, a estrutura acaba por não conceder uma maior margem de manobra para Moxie. No fim e ao cabo, acaba por ser um teen movie que obedece a uma estrutura já familiar para muitos. Vemos uma protagonista a estabelecer um objetivo, encontra novas amigas – e um interesse amoroso – tudo acaba por descambar, mas acaba por se resolver, final feliz. Por vezes, esta fórmula pode surtir resultados surpreendentes quando são bem executados; mas Moxie pedia por uma abordagem diferente que corresponda à forma menos habitual que a mensagem pretende ser transmitida.

E infelizmente, o elenco também acaba por sofrer por isso. Esperava-se um melhor desenvolvimento dos personagens presentes; no entanto, a larga maioria acaba por recair no background, sem muita ponta por onde pegar. Hadley Robinson como Vivian, Alycia Pascual-Peña como Lucy e Poehler como mãe de Vivian acabam por ser algumas das salvaguardas do filme; infelizmente, o filme não sabe aproveitar o resto do elenco como deve ser, com alguns deles caindo nos arquétipos já estabelecidos dentro do género.

Moxie Crítica de Cinema

Portanto, será Moxie um dos filmes mais brilhantes do ano? Nem por isso, já que tem alguns problemas narrativos e estruturais que acabam por causar mais prejuízo. No entanto, que não fique por dizer que não uma mensagem poderosa e contemporânea, porque isso o filme tem, aos montes e aos gritos!

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Título: Moxie

Realização: Amy Poehler

Elenco: Hadley Robinson, Lauren Tsai, Alycia Pascual-Pena, Nico Hiraga, Patrick Schwarzenegger, Amy Poehler, Ike Barinholtz, Marcia Gay Harden, Josephine Langford, Clark Gregg

Duração: 111 minutos

Trailer | Moxie

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