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Crítica: Sophie Jones (2020)

Sophie Jones Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE SOPHIE JONES!

A estrear amanhã nas plataformas digitais e de VOD, Sophie Jones é o novo drama adolescente que junta a realizadora Jessie Barr com a sua prima Jessica e transpõem para o ecrã uma história com traços verídicos de uma jovem de 16 anos que está a ter dificuldades em lidar com a morte repentina da sua mãe, e enfrenta a problemática adolescência em busca de sentir algo verdadeiramente puro e recompensador para si mesma. Sophie Jones é um produto indie que tem alguns atributos interessantes, mas que chega numa altura em que filmes do género estão já bastante saturados no panorama cinematográfico atual.

Sophie Jones Critica de Cinema

Com uma abordagem simplista, muito ao estilo do recente Never Rarely Sometimes Always, Sophie Jones é um conto que projeta uma intensidade interessante por parte da atriz Jessica Barr, que é uma protagonista bastante competente e que carrega a narrativa com alguma consistência. O filme, em si, acaba por ser demasiado suave, carecendo de um desenvolvimento mais cativante das personagens secundárias e com um acting amador que não conquista nos momentos mais relevantes. Apesar da realização de Barr ser extremamente acutilante em recuperar a essência dos filmes coming of age americanos, o facto é que também não diverge muito e acaba por ficar enevoado por obras do género que conseguiram fugir um pouco mais dos clichés.

A verdade é que Sophie Jones acaba por ter uma protagonista que carrega com as dificuldades de uma adolescente à procura de uma identidade após sofrer de um evento traumático, elevando o filme ligeiramente da mediocridade. Jessica Barr é contemplativa no seu olhar, para além de absorver os clichés mais óbvios desta fase tão conturbada do crescimento humano, especialmente no que toca à busca de um estatuto de popularidade no meio de uma sociedade que todos sabemos se rege por esse princípio, para além das aventuras sexuais que não são mais do que objetos de conseguir notoriedade fácil. Esta ambiguidade de Sophie em querer ser uma adolescente normal, mas ao mesmo tempo não se sente segura em inserir-se neste meio, faz com que Sophie Jones não seja propriamente um filme baço, e absorve algumas características interessantes e que determinam a sua atitude perante os que compõem o seu dia-a-dia.

Sophie Jones Critica de Cinema

No entanto, é mesmo pena que o filme seja demasiado simples e opte por seguir os cânones e fórmulas já saturadas de filmes do género. É bem intencionado e Jessie Barr acaba por ser uma cineasta com algum potencial em estudo de personagens principais, mas precisa ainda de amadurecer em atribuir camadas às restantes para ascender a um estatuto ainda mais elevado. Por muito agradável que seja, Sophie Jones acaba por ser um filme banal, sem grandes atributos que prendam o espectador e que carece de uma abordagem mais profunda e detalhada do seu tema central. Ainda assim, não deixa de ser uma boa rampa de lançamento para uma realizadora ambiciosa e uma atriz principal que tem noção de como se deve portar diante da câmara.

Sophie Jones estreia amanhã nas plataformas de VOD nos Estados Unidos e ainda não há data de estreia para território português.

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Título: Sophie Jones

Título Original: Sophie Jones

Realização: Jessie Barr

Elenco: Jessica Barr, Chase Offerle, Sam Kamerman, Elle, Natalie Shershow, Jonah Kersey, Skyler Verity.

Duração: 85 min.

Trailer | Sophie Jones

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