Cinema Críticas

Crítica: I Still Believe (2020)

i still believe

É sempre complicado retratar a perda de um amor através do cinema, é um medo que creio ser universal e, no entanto, é quase sempre explorado a medo e de forma pouco realista. Ainda mais complicado é quando se trata de uma história real, sobre pessoas reais e as suas batalhas reais. I Still Believe é baseado no livro de Jeremy Camp, um cantor norte-americano de rock cristão, e conta a história verídica de como conheceu Melissa, como se apaixonaram e como lidaram, através da fé e da música, com a enorme e muito real batalha que é o cancro.

I Still Believe não irá agradar a todos, é certo. Incide sobre religião, e é uma obra que se assemelha a The Fault in Our Stars, uma obra que também contou com críticas em pontas extremas. Dito isto, é crucial, para qualquer obra, que mantenhamos uma mente aberta, e I Still Believe não é diferente.

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Começo por sublinhar que, apesar desta obra ser baseada no livro e na própria vida de Jeremy Camp, o filme apresenta muitos pormenores diferentes e vários factos que não correspondem ao livro, contendo elementos de ficção que, honestamente, tornam a narrativa mais confusa e surreal.

I Still Believe conta com quase 2 horas de duração mas, devido ao facto de quererem condensar tanta história, é incrivelmente apressado; perdemos o fio à meada do tempo que se passa, é difícil perceber se se passaram meses ou semanas, ou até mesmo dias, e cortam as cenas e passam de uma para outra muito rapidamente, sem fluidez. Desta forma, e aliando a algumas cenas que não interessam muito para o desenvolvimento da história, é desafiante criarmos uma ligação com as personagens, e sentimos que não chegamos a conhecer nenhuma delas como devíamos.

Para além disto, a narrativa deixa muito a desejar por ter pontas soltas e tão poucas explicações, bem como o diálogo que por vezes se deixa perder nas metáforas.

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Senti uma falta de empatia principalmente com a personagem de K. J. Apa, Jeremy,; o actor realmente não esteve à altura do papel (que, por sua vez, não foi muito bem escrito), mostrando-se apático e monótono em quase todas as cenas. Por outro lado, Britt Robertson brilha como Melissa e cativa-nos, captando toda a nossa empatia e certamente honrando Melissa Camp. Isto leva-me a crer que I Still Believe tencionava focar-se em Jeremy e em como ele lidou com a situação, mas acaba por ser interessante apenas quando Britt Robertson aparece em ecrã. Para além dos 2 personagens principais, considero que o resto do elenco esteve muito bem, apesar do pouco tempo que lhes foi dado.

Onde I Still Believe não falha é na cinematografia e nas cores que utiliza, combinadas com enquadramentos e ângulos bonitos, e bastante interessantes. Conjugadas com a banda sonora suave e juvenil, e com uma caracterização fresca e colorida das personagens, somos transportados para o ano de 1999, quando a história se desenrola.

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Parte técnica de lado, é importante olharmos para a mensagem que o filme pretende transmitir. É uma história sobre fé e sobre a urgência de olharmos para o nosso trajeto pessoal com a importância que merece; como a obra de arte que cada um de nós é e do nosso potencial. Crenças religiosas à parte, creio que é um bom objetivo por parte desta obra.

Título: Eu Ainda Acredito

Título Original: I Still Believe

Realização:  Andrew Erwin,  Jon Erwin

Elenco:  K.J. ApaBritt RobertsonNathan Parsons

Duração: 116 min.

Trailer | I Still Believe

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