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Crítica: Beginning (2020)

CONTÉM SPOILERS DE BEGINNING!

Em uma pacata cidade, uma comunidade de Testemunhas de Jeová é atacada por um grupo extremista. A partir desse episódio, Yana, esposa do líder da comunidade, começa a questionar sua vida, seus desejos e até mesmo sua família.

Com uma premissa forte, Beginning adota um estilo observacional por quase duas horas. Acompanhamos a lenta transformação de Yana a partir de momentos-chave para que isso aconteça. E apesar desses momentos de certa forma justificarem o que vemos em tela, alguns deles, que já são pesados por si só, acabam se perdendo em uma violência quase explícita na tela, que parece mais gratuita para chocar do que construtora de qualquer outro tipo de reflexão.

Há uma promessa de que o peso dessas violências será “necessário”, entre muitas aspas. A ótima cena de abertura é uma prova disso: em câmera parada, vemos o começo de um culto na igreja e ela sendo atacada, com fogo sendo ateado e as pessoas começando a lutar para escapar. É um choque inicial necessário que nos faz entrar na jornada de mudança junto com a protagonista, mas não justifica o peso das violências que chegam mais tarde no filme, como uma longa cena de estupro na metade da projeção.

Beginning crítica de cinema

Porém, o envolvimento com Yana, brilhantemente interpretada por Ia Sukhitashvili, é conquistado rapidamente. Sua frustração na espera por algo acontecer, seus questionamentos sobre quem ela é e deseja ser, assim como a invalidação de tudo o que viveu até ali são sentimentos que não dificilmente passam na cabeça de muitas pessoas nos dias de hoje, em que realizar seus sonhos e trabalhar com o que gosta são fatores extremamente cobiçados, por exemplo.

Uma questão que pessoalmente me incomoda é a retração caricata de religião em diversos filmes. Apesar de todos os problemas que ela pode oferecer (e já fui afetado por diversos deles), vejo que há um tom de sátira e generalização em boa parte dessas críticas, e não é diferente no caso que temos aqui.

Beginning ganha pontos principalmente na sua direção, os quadros estáticos super bem planejados são lindos, formando quase pinturas. Seu discurso e mensagem, porém, não inovam. Apesar de temas importantes e genericamente fáceis de se identificar como culpa, perdão, compreensão de si mesmo e a diminuição da mulher em diversos cenários sociais, o resultado final não é muito diferente de filmes com discursos parecidos que já vimos por aí.

Beginning crítica de cinema

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Título: Beginning

Título Original: Beginning

Realização: Dea Kulumbegashvili

Elenco: Ia SukhitashviliRati OneliKakha Kintsurashvili.

Duração: 130 min.

Trailer | Beginning

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