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Crítica: Funhouse (2019)

Funhouse crítica de cinema

CONTÉM SPOILERS DE FUNHOUSE!

Em tempos de cancelamento e supervalorização de celebridades (e subcelebridades), Funhouse surge com uma proposta no mínimo curiosa: 8 famosos em decadência decidem participar num reality show com um grande prémio em dinheiro, mas quando o jogo começa, depressa descobrem que apenas um deles pode sair com vida.

O filme rapidamente torna-se um terror sangrento e gratuito que está longe de ser o melhor do mundo, mas faz algo que poucos filmes conseguem fazer: é coerente com a promessa que faz ao espectador no início, e entrega o que prometeu logo numa cena inicial completamente gore, sendo honesto com ele mesmo. Mas o filme peca em vários outros pontos: há um forte tom de amadorismo e um visível baixo orçamento mal utilizado. Algumas atuações chegam a ser más (e contamos até com a presença de Valter Skarsgård, irmão dos já reconhecidos Alexander e Bill) e algumas cenas parecem ter sido compradas num banco de imagens. Mesmo assim, alguns cenários e o disfarce do urso são interessantes.

Há um uso excessivo e propositadamente caricato de efeitos visuais e videografia, e há também um problema sério de incoerência dentro do formato escolhido. Numa das cenas, saímos da narrativa-padrão do filme para entrar no sonho de uma das participantes, adotando uma subjetividade que não havia sido dada para nenhum outro personagem do filme.

Funhouse crítica de cinema

No decorrer da história, o comportamento dos influenciadores pode parecer exagerado e caricato, mas funciona em diversas situações, principalmente no começo, quando acreditam que estão a participar num reality show normal. Mesmo com a realidade do filme sendo completamente alucinada, a falta de verossimilhança do mesmo atrapalha em diversos momentos. Por exemplo, a crítica social levantada. Enquanto o mundo inteiro (literalmente) acompanha o show de horrores, esta crítica fica perdida num filme que, na maior parte do tempo, só funciona como entretenimento para quem gosta de terror de série B.

Um dos pontos que mais me incomoda, ainda falando sobre a verossimilhança, são os programas jornalísticos que cobrem o reality show: um jornalista questiona sobre a ex-esposa de um dos participantes ajudar a conseguir votos para salvá-lo. Num outro momento, um participante precisa de lutar até a morte com um adversário escolhido pelo público, mas então a vida de um “funcionário” do programa também está em jogo? Não parece fazer sentido com o ideal do criador do programa. Apesar disso tudo, nós mesmos, como espectadores, podemos ficar ansiosos para o que acontece no final e nalgumas cenas, como a da batalha-às-cegas.

Funhouse prende mesmo não sendo o melhor dos filmes. Longe disso, aliás. Talvez haja uma boa ideia no meio de tanta confusão que nos prenda, mas fica difícil de identificar no meio de tanta incoerência e violência gratuita, que em alguns casos funciona, mas não é o que acontece aqui.

Último comentário: O Gambito da Rainha foi tão bom que tirou a graça de todas as outras cenas de xadrez, não é verdade? A desse filme é lamentável…

Funhouse crítica de cinema

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Título: Funhouse

Título Original: Funhouse

Realização: Jason William Lee

Elenco: Valter SkarsgårdKhamisa WilsherGigi Saul Guerrero.

Duração: 86 min.

Trailer | Funhouse

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