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Crítica: Wu sha (2019)

wu sha crítica de cinema

CONTÉM SPOILERS DE WU SHA!

No seu livro Story, Robert Mckee fala sobre não gostar quando as pessoas falam de cinema como um escape que o usam para fugir da realidade. Para ele, a o cinema é justamente para nos fazer refletir sobre nossa realidade, e essa obra é um grande exemplo disso.

Sendo um remake de um filme indiano de 2013, Wu sha conta a história de um homem apaixonado por filmes de investigação que tenta proteger sua família quando um crime por legítima defesa é cometido.

No melhor estilo de “filme de sábado à noite”, este destaca-se principalmente na criação de tensão e suspense em algumas sequências marcantes, como, por exemplo, a dos interrogatórios. Por mais que o guião ajude no impacto do filme, o elenco também desempenha uma função primordial nesse efeito, com destaque para Yang Xiao e Joan Chen, que antagonizam e carregam a personalidade dos seus personagens a todo momento.

A escolha de mostrar as situações mais agressivas sem detalhes é muito acertada, mostrando as consequências de forma subtil e deixando a pior parte na cabeça do espectador, o que pode ser muito mais chocante em alguns dos casos. A sequência que mescla uma luta assistida com uma plateia com uma cena de mãe e filha enfrentando um agressor ressalta a beleza da realização, fotografia e montagem do filme. Há um cuidado com a estética que, muitas vezes, se vê ausente em filmes do género, que seguem uma linha mais preguiçosa de direção.

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A montagem também ganha destaque no próprio enredo do filme. O trabalho de Sam Quah apresenta momentos fantásticos de metalinguagem, com o próprio protagonista a citar recursos de montagem que são usados, tanto no filme como produto, como também na ação dos personagens para que possam se livrar de serem descobertos. É genial.

A construção para o final é quase exagerada e repleta de reviravoltas no seu último ato, o que pode incomodar os espectadores menos fãs de mecanismos que remetem ao deus ex machina, mas não acredito que chegue a trazer algum tipo de prejuízo ao filme ou que o torne digno de uma pior avaliação. Usados de forma boa, deus ex machina e clichês são recursos positivos, que também fazem parte da “magia” do cinema.

Mantendo a tensão do início ao fim, Wu sha coloca a mesma pergunta para seus protagonistas e para os vilões: o que faria para proteger sua família? E por mais clichê que essa pergunta seja para filmes do género, aqui é bem executada e lançada para o público com mestria, levando a uma reflexão que vai muito além dos créditos finais. Vale acrescentar aqui também que essa reflexão é empurrada inúmeras vezes para o espectador nos momentos finais do filme, que poderia ser mais curto também na apresentação da história no início. Embora que pouco mova com a sua grandiosidade.

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Título: Sheep Without a Shepherd

Título Original: Wu sha

Realização:  Sam Quah

Elenco:  Yang XiaoZhuo TanJoan Chen.

Duração: 112 min.

Trailer | Wu sha

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