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Crítica: The Opening Act (2020)

the opening act crítica de cinema

CONTÉM SPOILERS DE THE OPENING ACT!

Frustrado com a sua carreira profissional, Will decide largar tudo para se dedicar completamente a sua carreira no stand-up comedy, aventurando-se num fim-de-semana longe de sua cidade ao conseguir uma oportunidade de abrir o show de um reconhecido comediante.

O plot inicial sobre seguir os seus sonhos tendo como impedimento a vida profissional, que não está necessariamente ligada ao que deseja para a sua vida, poderia render uma boa história ambientada no mundo cruel do stand-up comedy, que, até certo nível, o filme parece retratar bem, com todas as suas dificuldades, como a necessidade de ter bons contatos, e a carreira manchada por uma piada má ou participações constrangedoras em programas de rádio.

O enredo opta, entretanto, por seguir uma linha tradicional, com situações construídas sem muitas complicações e obstáculos previsíveis para o protagonista. Em certo momento, Will precisa levar uma mulher bêbada para a casa dela, que é distante, e acaba por ficar sozinho num lugar abandonado e aparentemente perigoso. Essa história regressa em momentos rápidos posteriormente, mas a situação em si resolve-se em cerca de dez minutos. Grande parte do argumento parece um desdobramento fácil de situações inseridas na primeira metade do filme.

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Mas o grande problema, para mim, são as representações negativas que tanto comentamos e ainda precisamos tentar combater em pleno ano de 2021. Todas as mulheres são personagens vazias, movendo-se apenas em torno dos homens, mesmo as figurantes, e as poucas que possuem falas, nem possuem nomes. As mulheres com mais destaque são a namorada de Will, que serve apenas como apoio em conversas por telefone e não apresenta conflito algum, e uma comediante que surge de repente no último ato para, se tanto, aparecer cinco minutos em tela. Os personagens negros também seguem estereótipos, a maioria segue a linha do alívio cómico, e o comediante mais reconhecido, para quem Will abre o show, assume o papel do negro sábio, servindo apenas para apoiar o protagonista e incentivá-lo a abrir a sua mente para mudanças e superação de conflitos. Tudo isto ainda sem contar com um personagem homossexual obsessivo e que parece desenvolver um amor platónico por Will, que chega a ser alertado por um amigo sobre esse ser um comportamento padrão dele.

Neste contexto, o uso de um segmento de Wanda Sykes (comediante negra e lésbica) na sequência inicial, em que vemos o protagonista a crescer assistindo às estrelas do stand-up comedy na televisão, soa completamente forçado e carrega um tom de falsa admiração. Estes problemas de representação parecem paradoxais ao trazer um protagonista asiático, uma vez que também faz parte de uma minoria social.

As piadas e o enredo vão piorando ao longo do filme, com uma lição de moral simplista e saídas sem graça, que acabam por acrescentar muito pouco ao espectador. Não há muita satisfação no desfecho, e a mensagem sobre nunca desistir dos seus sonhos é passada de forma batida. A premissa parece ter uma fórmula que funciona em filmes semelhantes, mas em The Opening Act é mal desenvolvida em diálogos e piadas rasas, deixando o potencial positivo do filme perder-se ao longo dos seus pouco envolventes 90 minutos.

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Título: The Opening Act

Título Original: The Opening Act

Realização: Steve Byrne

Elenco: Jimmy O. YangAlex MoffatCedric the Entertainer, Ken Jeong.

Duração: 90 min.

Trailer | The Opening Act

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