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Crítica: Nona. Si me mojan, yo los quemo (2019)

nona Si me mojan yo los quemo

CONTÉM SPOILERS DE NONA. SI ME MOJAN, YO LOS QUEMO!

Uma senhora que fez parte da resistência anti-Pinochet e se tornou uma especialista na produção de molotovs comete um crime passional e é obrigada a deixar Santiago, passando a viver um uma humilde casa na cidade de Pichilemu. Para piorar, enfrenta uma cirurgia para cataratas, que a deixa mais frágil, sensível e de mau humor.

Josefina Ramírez interpreta a protagonista de Nona. Si me mojan, yo los quemo, e também é avó da realizadora e guionista do filme, Camila José Donoso. A atriz, aliás, é responsável por boa parte do carisma que o filme oferece numa mistura de realidade e ficção. Josefina fala naturalmente, dança e stressa-se diante da câmara, de forma a que nunca consigamos distinguir com precisão o que é real e o que é história introduzida pelo enredo.

Para ajudar na perceção de que estamos diante dessa mistura, há uma alternância de formatos, com trechos parecendo saídos de filmagens caseiras, outros que lembram um documentário sobre a velhice de uma grandiosa estrela e ainda alguns que se assemelham a uma longa-metragem de ficção comum. Embora haja uma clara intenção em cada uma dessas escolhas (os trechos caseiros, por exemplo, aumentam a sensação de intimidade) o resultado provoca mais incómodo (talvez propositado também) do que curiosidade e apreciação.

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Um ponto curioso é a intensa reflexão sobre a velhice e a sua rotina. A protagonista chega a usar a palavra metamorfose enquanto usa uma máscara a cobrir o olho que sofre de cataratas. Ela vive o seu quotidiano e reflete sobre o passado no meio de uma monotonia que se estende até os últimos vinte minutos de projeção, com beleza e tristeza, gerando um sentimento agridoce como resultado.

Com a predominância da sensação de realidade sobre a de ficção, o filme encontra a sua graça na relação dessa mulher com o ambiente em que vive, o seu passado e as outras pessoas que se cruzam no seu caminho no dia-a-dia. Há ainda uma participação pequena do ótimo ator brasileiro Eduardo Moscovis. Com uma pessoalidade extrema que chega a atrapalhar a relação com o que se vê na tela, e que em poucos momentos passa da pura observação para um grau (mesmo que mínimo) de identificação. Nona talvez não agrade em como se apresenta como filme, mas causa boas sensações quando começamos a refletir um pouco mais sobre a carismática protagonista.

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Título: Nona – Se me molham, eu os queimo

Título Original: Nona. Si me mojan, yo los quemo

Realização: Camila José Donoso

Elenco: Josefina Ramírez, Gigi Reyes, Eduardo Moscovis.

Duração: 86 min.

Trailer | Nona. Si me mojan, yo los quemo

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