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Especial: The New York Times Presents: Framing Britney Spears

Framing Britney Spears

CONTÉM SPOILERS DE THE NEW YORK TIMES PRESENTS: FRAMING BRITNEY SPEARS!

Britney Spears é um nome que, para a geração dos anos 90, ficou marcado na memória. Um nome que redefiniu os ideais da música pop e que, ainda hoje, continua a inspirar os amantes do estilo musical e a tentar libertar-se de toda a imagem negativa que pairou sobre a sua persona durante os anos. Britney é uma jovem que ascendeu rapidamente ao sucesso depois dos hits musicais …Hit Me Baby One More Time! e Oops! I Did It Again, caindo num tornado de paparazzis que vasculham incessantemente a sua vida em busca de imagens exclusivas do seu comportamento, da sua carreira e da sua vida. Em 2021, Britney Spears continua a estar nas headlines dos tabloides mais famosos, continuando a compor música nas horas vagas e a enfrentar uma batalha legal com o seu pai Jamie Spears, que assumiu as rédeas da carreira da filha e se recusa a não estar comparticipado no seu sucesso.

Framing Britney Spears

Framing Britney Spears é um especial exclusivo do The New York Times, que analisa o sucesso e as quedas mais dolorosas da celebridade, recuperando um estilo muito semelhante ao de Amy, realizado por Asif Kapadia. É um pequeno gesto de uma luta incessante contra a problemática da indústria dos tabloides e da sua conduta intrusiva nas vidas das celebridades mais icónicas dos Estados Unidos. Mesmo não sendo um registo totalmente inovador, Framing Britney Spears acaba por ser extremamente informativo e recusa-se a manter-se imparcial ao longo da sua duração. E é notória esta capacidade de luta que os fãs continuam a ter após tantos anos, procurando as mais frescas notícias sobre o seu mais recente caso, para além de uma sensibilidade icónica por parte de alguns intervenientes na vida deste ícone da pop que foram forçado a afastar-se, mas que continuam, em espírito e presencialmente, a lutar pela justiça e pela imagem de Britney. Apesar desta capacidade tendenciosa que Framing Britney Spears tem em ter a sua visão afunilada para um único propósito, em termos de justiça, é um exercício extremamente gratificante, elucidando para temáticas delicadas e que, tal como Amy, precisam de uma abordagem mais profunda.

A cultura dos tabloides e das revistas cor-de-rosa onde as celebridades veem a sua vida pessoal exposta fomentada por rumores constantes, deduções sem fundamento, falta de respeito do espaço pessoal e invasão constante da sua privacidade, é um tópico demasiado importante para se ser ignorado. Britney pode ser o vulto que é e de parecer intocável, mas não deixa de ser um ser humano, e a fama acaba por se tornar o seu próprio inimigo a certa altura. E poderemos culpá-la? Não, de todo. Tal como Amy Winehouse, Britney Spears começou na indústria que a consagrou muito cedo, alimentando um culto de personalidade que, em tenra idade, pouco ou nada lhe faria sentido e, em nada, a preparava para o destino cruel que se avizinhava. Condenar Britney Spears por ser rude para uma comunidade de abutres que pretendem expor a sua vida pessoal, não é algo que possa ser julgado. Todos nós temos um breaking point quando começamos a ver a nossa vida a ser controlada pela imagem que criam de nós sem nos conhecer e sem o nosso devido conhecimento. O facto de se focar e, por conseguinte, de utilizar esta premissa como o seu mote principal, Framing Britney Spears torna-se um exercício documental extremamente acutilante, utilizando os meios que consegue para trazer o máximo de informação possível sobre o assunto.

Framing Britney Spears

Infelizmente, o documentário, por muito bem intencionado que seja, acaba por não conseguir ir mais além e explorar melhor o seu potencial; e isto acontece porque carece da voz da pessoa que é o centro desta narrativa não conta a sua versão na primeira pessoa. Mesmo com esforços da equipa de filmagem, Britney acaba por ser uma visão de bastidores num documentário que precisava dela em carne e osso para tornar a sua mensagem ainda mais evidente e precisa. Para além disto, o estado em que se encontra a batalha legal contra o seu pai Jamie, é explorado por uma via muito pouco substancial, carecendo de figuras intimamente familiarizadas com o caso em questão e que eram essenciais para nos trazer uma ideia do quão grave é e está a situação. Ninguém merece ter a sua propriedade artística, financeira, intelectual e presencial controladas por outra pessoa, muito menos por alguém que tira proveito desta questão apenas para encher os bolsos. Mas até que ponto está Britney ciente destas complicações? Até onde é o documentário verosímil nas informações que transmite? São questões que temos obrigatoriamente de questionar num registo televisivo tão parcial.

Mesmo que tenha dificuldades em expressar algumas dos seus focos mais importantes, Framing Britney Spears é um documentário singelo que, mesmo ambicionando chegar a uns pontos maiores que ficam superficiais sem o testemunho da cantora, acaba por refletir sobre uma indústria dos anos 90 que merece pagar pelos crimes de invasão de privacidade e de não respeitar o espaço pessoal de quem está no estrelato mas quer ter uma vida pacífica e sem interferências. Britney Spears começou muito jovem a ser famosa e a sua imortalização como a “American girl” perfeita e típica de uma América obcecada pela fama, tornou a sua vida um autêntico inferno. Todos somos diferentes e não é a fama que determina o nosso caráter. Britney foi uma vítima clara de uma imprensa corrupta e que se alimenta das partes mais negativas do sucesso, denegrindo uma imagem de alguém que está a crescer e mudar de personalidade, algo que todos temos direito. Esta opressão rotineira e esta ânsia de depositarmos as nossas frustrações em alguém famoso só porque sim é um ato de bullying social que merece obrigatoriamente a atenção do mundo para que, de alguma forma, consigamos aprender a respeitar que somos todos humanos e todos temos direito a viver a vida como entendemos. Aqui, a única notícia que importa, é que se está a abusar psicologicamente de alguém que claramente está a passar por certas dificuldades e da qual nos devemos afastar e respeitar o seu espaço e não o contrário.

Framing Britney Spears

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Framing Britney Spears é um especial documental da saga do The New York Times que tem um trabalho extremamente gratificante de arquivo, mas perde por não ter a voz da pessoa em quem se foca, tornando-o um trabalho mais especulativo do que substancial.

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